Chegar-se-ia ao mesmo resultado considerando o que está implicado no a priori da correlação, que exige ao mesmo tempo uma diferença radical entre o polo subjetivo e o polo transcendente e uma forma de continuidade imposta pelo fato de não haver relação verdadeira sem certa comunidade ontológica entre os polos dessa relação
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O sujeito deve, apesar de sua diferença, pertencer ao mundo que faz aparecer, dificuldade que se costuma resolver projetando a dualidade entre diferença e comunidade no interior do sujeito, distinguindo-o como sujeito transcendental e sujeito empírico, em vez de superá-la
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O problema se precisa então em saber como o sujeito pode, sob a mesma relação, fazer aparecer o mundo e a ele pertencer, respondendo-se que a diferença que caracteriza o modo de ser do sujeito da fenomenalização, sendo radical, não pode ser uma diferença no seio do ente mas entre o ente e o não-ente
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Sendo o sujeito não nada, mas antes o que há de mais concreto, sua negatividade não pode remeter a um simples nada, como ocorre em
Sartre, correspondendo antes a uma negatividade concreta que não é outra senão a do movimento, único modo de existência efetiva possível para aquilo que não subsiste
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É porque existe como movimento que o sujeito difere efetiva e radicalmente dos demais entes, diferindo integralmente ao efetuar sem cessar essa diferença, isto é, não sendo coisa mas fazendo-se antes não-coisa, ultrapassando-se sem cessar
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Longe de ser inconciliável com o pertencimento, essa diferença não só permite a inscrição no mundo como a exige, pois não há movimento sem um solo sobre o qual se desenrola, de modo que a diferença do sujeito em relação ao mundo só pode cumprir-se sobre o solo do mundo, requerendo a negatividade dessa diferença a positividade desse mesmo solo
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É assim sob o mesmo ponto de vista, o do movimento, que o sujeito pertence ao mundo e dele difere, ao fazê-lo aparecer, resolvendo-se no movimento a dualidade do pertencimento e da diferença ontológica do sujeito em unidade, sendo o corpo, no cerne do sujeito, o que permite sua inscrição no mundo, de modo que o movimento constitui o a priori do corpo, única condição de acesso possível a seu modo de ser verdadeiro