O ser não pode ser senão sensível, pois só nele sua profundidade permanece, podendo exceder ou transbordar a presença sem estar situado alhures, impondo a essência do aparecer assim caracterizada uma co-pertença da presença e da profundidade que só pode realizar-se no ou como o próprio sensível, ponto em que
Merleau-Ponty foi mais longe que ninguém, inscrevendo-se este percurso no horizonte aberto por certas notas de trabalho, entre as quais, em primeiro lugar, aquela segundo a qual o sensível é precisamente o médium onde pode haver ser sem que este tenha de ser posto, sendo a aparência sensível do sensível, a persuasão silenciosa do sensível, o único meio para o Ser manifestar-se sem tornar-se positividade, sem deixar de ser ambíguo e transcendente