Enquanto objeto de interrogação, o Ser não é estranho à ordem do sentido, pois próprio de uma questão é comportar a possibilidade de uma resposta ao menos como horizonte, nisso residindo a verdade do idealismo, sem que se recuse a ordem da essência
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O Ser, enquanto questionado, revela-se igualmente irredutível a uma colocação em presença numa pura significação, pois o próprio da interrogação pura é a questão não aceitar resposta que a encerre, sendo o sentido sentido interrogativo, presente como a interrogar, retirando-se atrás da questão que o atinge
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A interrogação procede de dupla polaridade: o Ser é o que interrogo, o que é visado no questionamento, mas é igualmente o que me interroga, mantendo espécie de cegueira e espanto no próprio gesto que dele se apropria, definindo a interrogação a realidade última de uma abertura ao Ser da qual sujeito e objeto são momentos já abstratos
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Definir a filosofia como interrogação é atribuir ao Ser o que a filosofia reflexiva atribuía à subjetividade, reapreendendo a interrogação como modo de ser do Ser, havendo uma profundidade do Ser que não repousa sobre sua distância a um sujeito mas é dela constitutiva, não sendo um sujeito que mantém o Ser à distância, mas este que se mantém em sua própria distância
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A filosofia reflexiva mantém o princípio da coincidência contra o fato atestado da não coincidência, impondo a experiência uma não coincidência de princípio, pois se a coincidência nunca é senão parcial, não se deve definir a verdade pela coincidência total, sendo o afastamento também abertura à própria coisa, entrando em sua definição
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A presença só contradiz a ausência se de antemão compreendida como presença de um presente, de um ente, tornando-se possível, ao abandonar esse pressuposto objetivista, reencontrar a presença como o que é também ausência de todo ente determinado