A leitura do capítulo O corpo como expressão e a palavra revela essa insuficiência, pois a análise da linguagem encerra a primeira parte consagrada ao corpo, confirmando no plano do comportamento racional a irredutibilidade do comportamento à posse intelectual de um
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O estudo da linguagem tem estatuto privilegiado por desdobrar o domínio da idealidade, o que faz dele prova da fecundidade filosófica de uma arqueologia do percebido, conforme a declaração inicial sobre ultrapassar a dicotomia clássica de sujeito e objeto
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A demonstração recusa as interpretações empiristas e intelectualistas da linguagem que separam o signo de sua significação, reconhecendo que a palavra possui significação gestual ou existencial da qual procede a significação constituída, de modo que a operação expressiva realiza o sentido em vez de apenas traduzi-lo
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A afirmação de que o gesto verbal desenha por si mesmo seu sentido enfrenta a objeção de que, ao contrário do gesto corporal referido a um mundo sensível dado ao espectador, a gesticulação verbal visa uma paisagem mental não dada de antemão a cada um
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A cultura fornece o que a natureza não dá, um mundo comum constituído por significações sedimentadas, mas ao traçar um paralelo entre gesto corporal e palavra, entre mundo percebido e paisagem cultural, a análise permanece submetida à oposição entre natureza e cultura sem mostrar como a idealidade se articula ao mundo percebido
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Essa orientação decorre de as análises anteriores terem extraído a potência expressiva do corpo a partir de comportamentos naturais, sobretudo motores, descritos pela psicologia da forma, de modo que o progresso em relação ao naturalismo consiste em superar o corpo objeto em favor do corpo vivo, sem pensar verdadeiramente o corpo a partir do fenômeno da expressão
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Rebaixada a uma transcendência corporal entendida implicitamente como poder de desdobrar um
Umwelt, a expressão não se iguala ao fenômeno da palavra, reaparecendo sob forma deslocada a dualidade de sujeito e objeto como oposição entre mundo natural e mundo cultural
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A articulação entre os dois ordens permanece no plano da metáfora: falar de gesto ou de paisagem mental não explica como um gesto se torna falante nem como o mundo percebido pode dar nascimento a significações, restando o fenômeno da palavra impensado para além das metáforas