busca evidenciar desvio entre as implicações da noção de retenção husserliana e as categorias através das quais ela se explicita, sendo o tort de
ter descrito o encaixamento a partir de um Präsensfeld considerado sem espessura
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Se o presente é primeiro acentuado, presente antes de tornar-se passado, então essa apresentação do passado em que consiste a retenção só pode significar a posição desse presente sob forma de um passado disjunto de sua apresentação
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Desde que a pontualidade do presente é mantida, o modo específico de presença do passado na retenção é abolido, transferindo-se inevitavelmente a positividade do presente ao passado que se torna, ultrapassando-se a presença irredutível do passado para a presença de outro presente que ele foi
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A retenção husserliana impõe renunciar à consciência protoimpressional, não podendo o passado se apresentar como ausência senão na medida em que não foi primeiro presente, reintroduzindo
Husserl, partindo de presente pontual, a cisão entre matéria e forma que essa noção deveria contestar
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A limitação da analítica intencional é subentender lugar de contemplação absoluta de onde se faz a explicitação intencional, podendo abarcar presente, passado e abertura ao futuro, ordem da consciência das significações onde há evidência do desvio entre passado e presente
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O momento da passagem é inevitavelmente perdido, sendo o passado caracterizado como o que não é presente em vez do que já não o é, tornando-se ser positivo sobre o qual repousa a negação temporal, degradando-se a presença do som em pura ausência
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O problema do tempo só pode ser resolvido renunciando à pontualidade do presente: a contradição só é levantada se o novo presente for ele mesmo transcendente, sabendo-se que não está lá, que acaba de estar lá, nunca coincidindo com ele
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Não havendo presente senão como não atualmente presente, transcendente, não sendo outra coisa que presente mas sua própria despresentação, deslocando-se além de si mesmo, sendo esse mesmo deslizamento, só podendo a ausência se apresentar se o presente for ausente a si mesmo
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O passado não é outro que o presente, ainda presente, porque o presente se ausenta a ausência pode se apresentar, só podendo o passado se dar ainda presente porque o presente nunca o foi, reduzindo-se o tempo a uma única dimensão, presente ou passado indiferentemente
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A relação do presente ao passado deve ser caracterizada como quiasma: o presente envolve o passado porque este se apresenta como tal, mas o passado envolve o presente porque, para dar lugar ao passado, o presente deve deslizar nele, sendo isso mesmo a carne
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O fenômeno de escoamento contém a simultaneidade, a passagem, o nunc stans, a corporeidade proustiana como guardiã do passado, imersão num Ser de transcendência não reduzido às perspectivas da consciência, marcando esse reenvio intencional recíproco o limite da analítica intencional
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Não há, rigorosamente, presente nem passado, mas a própria passagem, Ser vertical, dimensionalidade que só permanece ela mesma tornando-se sempre outra, cuja plenitude só se sustenta fazendo-se incessante novidade
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Passado e presente são simultâneos porque o presente procede de um Ser cuja transcendência só se sustenta de sua manifestação no presente, fazendo-se sempre novo o Ser pelo tempo para se reencontrar sempre a si mesmo, tratando-se de encontrar no presente um sempre novo e sempre o mesmo
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A noção de carne corresponde à decisão de pensar até o fim o que, através da noção de retenção, é ao mesmo tempo desvelado e recoberto por
Husserl, tratando-se de apreender o tempo como ser, tempo-coisa, tempo-ser, matriz simbólica, sistema que abarca tudo, Dimensão universal, isto é, carne