A dimensão deve ser compreendida como princípio de equivalência, o parentesco de que testemunham os momentos do espetáculo, definindo-se cada ser percebido por uma estrutura ou sistema de equivalências em torno do qual está disposto
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O sentido pictural germina na tela não como entidade assinalável mas sob forma de deformação coerente, trama secreta que une seus aspectos, situada entre eles como princípio de transposição, não se dando a dimensão por si mesma mas apenas nas diferenças em que advém
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De um lado a coisa aparece e não pode ser pura multiplicidade, esboça unidade, mas de outro, sendo a própria coisa que aparece, essa unidade só se dá cristalizada em cada parte, como diferença destas, não havendo distinção entre a unidade própria da coisa e sua diversidade interna
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Unidade pura, a coisa perderia sua transcendência; multiplicidade pura, não poderia aparecer, recuaria no em si, só havendo unidade verdadeira como as diferenças em que se dissolve para se conquistar, só havendo diferenças verdadeiras enquanto dispostas num eixo de identidade
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O princípio de equivalência que sustenta a aparição da coisa só faz sentido se não pode ser posto por si mesmo, não se recolhendo numa unidade distinta do que unifica, havendo princípio de equivalência apenas confundindo-se com o que traz à equivalência, isto é, como diferença
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A unidade da dimensão significa que ela é igualmente aberta, disjunta pelo que unifica, recuando a dimensão em cada uma das diferenças que acorda precisamente porque as acorda, não havendo diferença verdadeira senão se não absoluta, se não vai até o múltiplo puro
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A dimensão é sinônima de diferença, entendida não como abismo entre diferentes mas como rasgo que ainda é tecido, disjunção que também é conjunção, ponto de articulação onde a coisa só mantém sua unidade recuando em suas diferenças
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A unidade da coisa deve ser reapreendida como abertura de cada parte a todas as outras, abertura que é ao mesmo tempo distância, anunciando-se a coisa em cada aspecto como sua unidade presuntiva ou iminente, não havendo rigorosamente coisa nem aspectos, unidade nem diversidade, mas um único tecido unificante-diferenciante
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Não há precessão entre o todo e as partes, só se tornando estas elas mesmas pelo todo que compõem, só se tornando aquele ele mesmo pelas partes que totaliza, dando a unidade vida às diferenças para que estas lhe insuflem a sua
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Falar de dimensão é dizer que a coisa só se unifica permanecendo aberta, destinada a si mesma, sendo essa equivalência sem conteúdo, esse princípio de transposição, que nos faz dizer que uma coisa está ali sem que o lugar dessa aparição possa ser circunscrito
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A dimensão pode enfim ser descrita como entre-expressão, relação de pars totalis, exprimindo cada parte todas as outras sem que essa expressão remeta a um geométrico nem que seu rapport seja mediatizado por um terceiro, faltando à expressão o exprimido que lhe confere expressividade
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O tecido intencional é o horizonte, ser de prenhez e porosidade, que só acede à unidade sendo lacerado pelo que conjunta e faz aparecer, sendo a coisa carne, contato em espessura de si a si, revelando a dimensão o sentido verdadeiro da Gestalt de que
Merleau-Ponty partira em La structure du comportement
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A relação figura-fundo, Etwas mais simples, é o modelo de todo Etwas, chave do problema do espírito, só havendo figura retida num fundo, aparecendo o fundo na figura como aquilo cuja espessura se constitui a partir dos vazios que a rompem