A Vontade, seja na forma retroativa impotente, seja na forma projetiva afirmativa, transcende a gratuidade do mundo e corresponde à superabundância da Vida, podendo-se compreender toda Vida como Vontade-de-potência segundo
Nietzsche em Assim falou Zaratustra e em A Vontade de Potência [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 14].
-
“Liberdade da Vontade” como excesso de força.
-
Vida identificada à vontade de potência.
-
Alimentação e procriação como expressões da apropriação insaciável.
A reviravolta de Heidegger dirige-se primordialmente contra a VONTADE-DE-POTÊNCIA, cuja lógica de governar e dominar é interpretada como pecado original moderno, evidenciado na leitura de Nietzsche entre 1936 e 1940 e analisado por J. L. Metha e Walter Schulz [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15].
-
Diferença entre volume I e II de Nietzsche.
-
Reviravolta como mudança de disposição.
-
Relação com passado no movimento nazista.
Na interpretação heideggeriana inicial, a VONTADE-DE-POTÊNCIA designa o fato de ser (Seiendheit) enquanto o Eterno Retorno representa o Ser do Ser, articulando Devir e afirmação do Ser segundo Nietzsche em A Vontade de Potência [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15].
-
Vontade como função do processo vital.
-
Eterno Retorno como negação da negação.
-
Devir sem objetivo e sem valor absoluto.
A contradição fundamental em Nietzsche reside na transvaloração de valores operada pela VONTADE-DE-POTÊNCIA como postuladora de valores, que mantém intacto o quadro categorial do platonismo invertido e retorna à subjetividade valorativa [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15].
-
Transvaloração dependente da vontade.
-
Avaliação do Devir recorrente.
-
Permanência do esquema categorial.
No segundo volume de Nietzsche, a VONTADE-DE-POTÊNCIA é interpretada quase exclusivamente como vontade de governar e dominar, generalizando o Widerwille como obstáculo inerente a todo fazer e culminando na subjetivização moderna em que a Vontade é comando e o eu é simultaneamente senhor e obediente [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15].
A VONTADE-DE-POTÊNCIA passa a ser compreendida como essência expansiva do poder que prefere querer o nada a não querer, revelando terror do vazio e tendência à negação, destruição e devastação [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15].
-
Poder existe apenas ao aumentar.
-
Vontade instiga a si mesma.
-
Preferência por “querer o nada”.
A experiência paradoxal da Vontade, desde Paulo Apóstolo e
Agostinho até
Hegel,
Schelling e Nietzsche, desloca a primazia temporal para o futuro e culmina na VONTADE DE POTÊNCIA como expressão extrema da ascensão moderna da Vontade [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 21].
-
“Eu não faço o que quero” (Romanos 7:15).
-
Espírito em guerra consigo mesmo.
-
Progresso e negação do presente.
A filosofia de Nietzsche, frequentemente interpretada como clímax da VONTADE DE POTÊNCIA, manifesta hostilidade à teoria da liberdade da Vontade e apresenta experimentos de pensamento que relativizam sua centralidade [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 2].
A identificação entre Vontade e instinto de vida, desenvolvida desde Agostinho até
Schopenhauer, culmina em Nietzsche ao conceber a verdade como função do processo vital e da vontade de viver [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 11].
-
Ser como conceituação da Vida em Tomás.
-
Schopenhauer: Vontade como instinto vital.
-
Verdade dependente da vontade de viver.
A coletânea póstuma intitulada VONTADE DE POTÊNCIA consiste em experimentos de pensamento comparáveis às Pensées de
Pascal, sendo resultado editorial posterior e não obra sistemática de Nietzsche [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 14].
Em A gaia ciência, a metáfora da onda exprime a Vontade como impulso vital impetuoso que se reconhece no movimento das forças naturais, articulando também o tema do Eterno Retorno como ideia fundamental de Zaratustra [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 14].
A palavra final de Nietzsche aponta para o repúdio da Vontade e do ego volitivo, superados pelo super-homem que redime o querer e afirma o ser mediante o dizer sim e o Amém de Zaratustra [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 14].
-
Superação de causa e efeito.
-
“Desviar o olhar” como única negação.
-
Bendizer e afirmar o que é.
O pensador que abandona a VONTADE DE POTÊNCIA para deixar-ser assume a posição do Eu autêntico de Ser e Tempo que ouve o chamado do Ser e atua como contracorrente do fluxo dominado pela vontade destrutiva [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15].
-
Substituição do chamado da Consciência pelo chamado do Ser.
-
Abandono do In-sich-handeln-lassen.
-
Destrutividade inerente ao querer.