As limitações fundamentais dos instrumentos para aliviar o trabalho vital manifestam-se no fato de que nenhum conjunto de aparelhos ou robôs substitui plenamente o serviço de um criado, como já intuía
Aristóteles ao imaginar ferramentas autônomas semelhantes às estátuas de Dédalo e às trípodes de Hefesto que agiriam por si mesmas, pois mesmo que a lançadeira tecesse e o plectro tocasse a lira sem mãos humanas, o artífice poderia dispensar assistentes, mas não os escravos domésticos, já que estes servem à vida e ao consumo contínuo, enquanto o instrumento da fabricação atinge um fim delimitado no produto acabado e o processo vital exige um instrumento vivo, comparável a um perpetuum mobile, conforme Aristóteles na Política e conforme a interpretação de Winston Ashley sobre a teoria da escravidão natural.
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Aristóteles como antecipador da automação em Política.
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Dédalo e Hefesto como imagens de ferramentas autônomas.
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Distinção entre instrumentos da produção e instrumentos da vida.
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Processo de fabricação como finito e controlável.
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Processo vital como interminável e consumidor de serviços.
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Instrumentum vocale como único instrumento à altura da vida.