ARENDT, H. The human condition. 2nd ed ed. Chicago: University of Chicago Press, 1998.
* A instrumentalização da ação e a degradação da política em meio para outros fins não eliminaram a ação nem destruíram o domínio dos assuntos humanos, mas produziram, analogamente à transformação do trabalho e da obra no mundo moderno, a canalização da capacidade humana de iniciar processos novos para uma atitude ativa em relação à natureza, culminando em intervenções como as evocadas por Wernher von Braun ao definir pesquisa básica como fazer o que não se sabe que se está fazendo.
* O desenvolvimento dessa atitude iniciou-se com o experimento, pelo qual os homens deixaram de apenas observar e contemplar a natureza para prescrever condições e provocar processos naturais, evoluindo para a arte de “fabricar” a natureza mediante criação de processos que não ocorreriam sem intervenção humana e culminando na capacidade de repetir na Terra processos que ocorrem no Sol, extraindo energias antes restritas ao universo.
* A transformação das ciências naturais em ciências de processos, inclusive de processos potencialmente irreversíveis, revela que a faculdade subjacente a tais desencadeamentos não é teórica ou contemplativa, mas a aptidão humana para agir e iniciar processos inéditos de resultado incerto, tanto no domínio humano quanto no natural.
* O aspecto da ação que desencadeia processos imprevisíveis tornou-se decisivo na era moderna, marcando seu alargamento das capacidades humanas e sua nova consciência da história, sendo o conceito de processo o núcleo tanto da ciência natural quanto da ciência histórica desde Vico, pois natureza e história só podem ser concebidas como sistemas de processos porque o homem é capaz de agir e iniciar processos próprios.