Beda Allemann é um dos professores mais originais e inovadores da geração do pós-guerra na área de “germanística” (como é chamado nas universidades alemãs o estudo da civilização e da literatura alemãs). Sua carreira pode ser resumida em alguns nomes importantes: Hölderlin, Heidegger, Rilke, Kafka, Celan, Kleist.
Proveniente de uma antiga família de Soleura, nasceu em Olten (Suíça). Após sólidos estudos na Universidade de Zurique, onde foi aluno de Emil Staiger, publicou em 1954 a sua tese, Hölderlin e Heidegger. Com menos de 28 anos, ele surge assim na cena universitária com um livro magistral. O próprio Heidegger prestará homenagem a este livro, que revoluciona o ângulo de abordagem de suas próprias interpretações do poeta, aprofundando ainda mais seu alcance.
Pouco depois de 1955, Allemann foi nomeado leitor de alemão na École normale supérieure da rue d'Ulm, em Paris. Foi nessa época que conheceu Jean Beaufret e Paul Celan.
O segundo grande livro de Allemann intitula-se Temps et figure dans l'œuvre tardive de Rilke (Tempo e figura na obra tardia de Rilke, 1961).
Em 1998, foi publicado o ensaio Temps et histoire dans l’œuvre de Kafka (Tempo e história na obra de Kafka).
Foi nomeado professor de germanística na Universidade de Leiden (1958), depois na Universidade de Kiel (1962) e na Universidade de Wurzburgo (1964); e, finalmente, lecionou de 1967 a 1991 na Universidade de Bonn, onde sua morte prematura pôs fim à sua carreira, que foi muito curta.
Desde sua época parisiense, ele pensava em escrever um grande ensaio dedicado a Kleist. Ele trabalhou nisso até sua morte, deixando um manuscrito imponente, agora publicado sob o título Heinrich von Kleist/Modelo dramático (2005).
Paul Celan expressamente desejou que Beda Allemann fosse o responsável pela edição histórica e crítica de sua obra, que está sendo publicada na Alemanha pela editora Suhrkamp. Essa confiança demonstra a grande estima que o poeta tinha pela probidade filológica daquele que se tornou seu amigo.