de que a política se tornou biopolítica por estar a vida em jogo é substancialmente exata, mas decisivo é como se entende essa transformação, permanecendo não interrogado nos debates atuais sobre bioética e biopolítica o próprio conceito biológico de vida, do qual participam tanto o modelo da experimental life do cientista que faz da própria vida laboratório de experimentação ilimitada quanto o modelo que, em nome da sacralidade da vida, exaspera a antinomia entre ética individual e tecno‑ciência
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aquilo que resta não interrogado é o próprio conceito biológico de vida
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os dois modelos contrapostos por Rabinow participam ambos do mesmo conceito de vida nua
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o conceito biológico de vida é na realidade um conceito político secularizado
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do ponto de vista estritamente científico, segundo Medawar, o conceito de vida não tem significado intrínseco
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discussões sobre o significado real das palavras vida e morte são índice de conversa de baixo nível em biologia
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da secularização do conceito deriva a função da ideologia médico‑científica no sistema do poder
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há uso crescente de pseudoconceitos científicos para controle político
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a operação da vida nua, que o soberano podia atuar sobre as formas de vida, é agora maciça e cotidianamente atuada por representações pseudocientíficas do corpo, doença, saúde e pela medicalização de esferas cada vez mais amplas da vida e da imaginação
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vida biológica, forma secularizada da vida nua, constitui as formas de vida reais em formas de sobrevivência
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vida biológica permanece intocada como obscura ameaça atualizável na violência, estranheza, doença e acidente
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vida biológica é o soberano invisível que governa por trás das máscaras dos poderosos