Copertença de potência e impotência analisada no curso do semestre de verão de 1928 [
GA26] antecipa temas de Vom Wesen des Grundes e afirma superioridade da categoria do possível sobre o real, com a liberdade transcendental constituindo a essência do Dasein que, por necessidade essencial, está para além de todo ente fáctico e, nesse excesso, experimenta o ente em sua resistência como aquilo diante do qual é impotente
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impotência metafísica essencial não é desmentida pelo domínio técnico sobre a natureza, prova da impotência metafísica do Dasein
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liberdade só é obtida em destino histórico
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deixa se o ente ser porque nas relações fácticas há excesso de possibilidade
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Dasein, por ser livre, deve manter se na condição da possibilidade de sua impotência, na liberdade de fundar
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pergunta se ao ente por seu fundamento, interrogando o porquê, enquanto a possibilidade excede em nós a realidade e, com o Dasein, torna se existente (GA26:Met. Anf., 279-280)
Passagem sobre mögen e sua conexão com o amor na Carta sobre o humanismo deve ser lida em estreita relação com o primado da possibilidade, na qual a potentia em questão é potentia passiva, dynamis tou paschein, cuja solidariedade secreta com a potência ativa (dynamis tou poiein) é sublinhada no curso sobre a Metafísica de
Aristóteles
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toda potência (dynamis) é impotência (adynamia)
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todo poder (dynasthai) é essencialmente passividade (dechesthai) (
GA33:Ar. Met., 114)
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nessa impotência ocorre um acontecimento original (Urgeschehen) que determina o ser do Dasein e abre o abismo de sua liberdade
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que o Dasein seja si mesmo segundo sua possibilidade e o seja facticamente em conformidade com sua liberdade, que a transcendência se temporalize como acontecimento original, não está em poder dessa liberdade
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tal impotência, o ser lançado, determina o ser do Dasein como tal, não resultando da entrada do ente nos domínios do Dasein [GA9:Weg., 70]
Paixão, como potentia passiva, é a experiência mais radical da possibilidade (mögen) em jogo no Dasein, um poder que pode não apenas a potência, as maneiras de ser facticamente possíveis, mas também e antes de tudo a impotência, coincidindo a experiência da liberdade no Dasein com a experiência da impotência
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impotência situa se no mesmo plano que a facticidade original ou dispersão original [ursprüngliche Streuung] que, segundo o curso de verão de 1928, constitui a possibilidade interna da dispersão fáctica do Dasein
Paixão, como potência passiva e mögen, pode sua própria impotência, deixa ser não apenas o possível, mas também o impossível, e assim reúne o Dasein em seu fundamento para abri lo e torná lo eventualmente dono do ente nele e à sua volta, sendo a força imóvel do possível essencialmente paixão, potência passiva, com mögen (poder) significando lieben (amar)
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questiona se como pode dar se uma apropriação que não se apropria de uma coisa, mas da impotência e da própria impropriedade
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questiona se como é possível poder não tanto uma possibilidade e uma potência, mas antes uma impossibilidade e uma impotência
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questiona se o que é uma liberdade que é antes de tudo paixão