===== Erro ===== **Die Stege des Anfangs (Ereignis)** **C. Die Wahrheit und die Irre** **1. A verdade e o erro (Irre)** 1. O erro é a desessência da clareira do Seyn, a ser experimentada de modo clareante, mas primeiro preparada como a desessência da ἀληθής δόξα, da ὁμοίωσις-ψεῦδος, não sendo δόξα e ψεῦδος o mesmo, transformando-se a falsidade em incorreção e a incorreção em insegurança, surgindo assim o erro, suposto que a verdade já esteja experimentada histórico-do-ser. * A verdade como o erro constitui o aberto do vazio para a instauração da segurança no ordenar, articulando-se erro e engano, os insanos e o astro errante, o astro errante e a terra, a terra e a verdade, sendo o erro o desprovido-de-sinal, nisso consistindo seu vazio. **2. O erro** 2. O erro é a abertura do ente abandonado pelo ser — pela essenciação de sua verdade —, tornado objeto da segurança, permanecendo nesse aberto ausente a interpelação do Seyn, emudecida a voz do começo, apagada a diferença entre o essencial e o inessencial porque o próprio essencial se encobre, sendo tudo indiferente e havendo aqui a garantia de passar de qualquer coisa a qualquer coisa. * Cada "fim" é um fim aparente, representado para simular numa dada ocasião a justificação do mero fazer e assegurar, com que o homem basta ao ser como vontade de vontade, oscilando o fazer entre fins aparentes igualmente caducos, errando porque esse aberto é o erro. * Esse aberto da vontade de vontade não se chama erro porque o homem nele erre à toa, sendo antes a oferta ininterrupta de uma coerção para a ausência de fim a essência do erro, que transforma a referência ao ente em desnorteamento, obrigado a desvelar cada vez mais nitidamente sua falta de rumo através da traição continuada aos fins estabelecidos, na medida em que, na conquista do vazio do erro, ela põe a ausência de fim como fim. **3. A essência do erro** 3. O erro é a desessência extrema da verdade, mas ainda assim atesta a essência incipiente, e propriamente a primeiro-incipiente, ainda não fundada, a ἀλήθεια, possuindo também o erro a essência da desvelação, isto é, da clareira. * O erro é ele mesmo, tal como se impõe em seu domínio no interior da metafísica segundo sua essência histórico-do-ser, a verdade — essa "essência" do verdadeiro que, em sua essência incipiente, permanece de fato irreconhecível para a metafísica. * O erro não é de modo algum o falso, mas a verdade apropriada no desamparo do ser e conforme a este, dentro da qual há a distinção correspondente entre o correto e o incorreto, sendo o erro a desvelação não experimentável como tal, na qual se sustenta a certeza da objetivação de todo ente, o aberto pelo qual circula a segurança de todo ordenar e do fornecimento ordenador, sendo o erro a "verdade" (clareira) do produzir calculante. * Chama-se e "é" essa essência da verdade o erro porque o errar é aqui concebido no sentido do vaguear (Umherirren) que essencialmente não encontra o lugar que, ignorando sua própria essência, ainda assim procura, forçando o poder do ente apropriado no desamparo do ser o consumo do ente, no qual consumo sempre se busca todavia o ser e se almeja a possibilidade de permanência no ser do ente. * O vaguear não se mostra como tal, mas aparece em seu contrário, como ordenar e vontade de ordem, que promete segurança por toda parte e opera assegurações, sendo porém o vazio essencial desse ordenar nada mais que o âmbito cuja abertura pode ser reconhecida como o erro no pensar histórico-do-ser, abrindo-se o erro na época da consumação da metafísica sem jamais ser metafisicamente determinável nem apreensível em nenhum conceito metafísico. * Quando Nietzsche determina a verdade como erro (Irrtum), pensa ainda a verdade metafisicamente como correção, jazendo nisso, todavia, uma indicação de que já, embora inexperimentável, o erro exerce sua desessência ao fim da metafísica, não coincidindo de modo algum o que aqui se nomeia "o erro" com o que Nietzsche em sua definição chama de "erro" (remetendo-se ao ensaio sobre a doutrina platônica da verdade). * Da essência do erro, e de que ele é a essência da verdade durante o desamparo do ser do ente, resulta apenas a definição de Nietzsche, estando sua concepção da correção como erro vitalmente necessário situada no Ereignis desapropriador do erro. * O erro é o aberto do não-poder-encontrar, porque não-querer-encontrar nem buscar, que na exclusiva promoção da ordenação do ente no todo permanece, ainda assim, apropriado ao ser à maneira da desapropriação, desvelando-se essa busca que não quer encontrar o ser e sua verdade, experimentada histórico-do-ser, como um modo do Dasein a que o homem está entregue na época da consumação da metafísica e que, correspondentemente ao erro, se chamaria a errância (Irrnis). * O erro é o aberto do âmbito em que o afastamento da verdade do ser, incipientemente pré-traçado no prosseguimento a partir do primeiro começo, se consuma na exclusiva volta ao consumo incondicionado do ente a partir da opinião de assim dominar o ser, sendo o erro o aberto da correção do cálculo incondicionado, para o qual todas as oposições até então vigentes no ente se tornam caducas. * A queda das oposições não é resultado de seu nivelamento e mistura, mas tem sua origem na última passagem para o erro, para o qual as oposições se tornaram desnecessárias, não carecendo por isso sequer do nivelamento. * O erro não contém nenhuma desvalorização da verdade, uma vez que ele mesmo é, histórico-do-ser, a inevitável consumação da desessência da verdade, desessência esta que pertence à sua essência e prepara a passagem para a essência mais incipiente. * O caráter essencial histórico-do-ser do erro não reside em conter o falso ou o "errôneo", mas em conceder à humanidade metafísica a liberdade ilimitada de perambular por todo o ente, perambular no qual se desdobra um domínio e uma organização do ente que outrora, na história, teria sido impossível, distinguindo-se o erro pela ausência de limite e de fim de um planejamento em si consolidado do ordenamento do consumo do ente, não sendo aqui a ausência de fim uma carência, mas a prerrogativa que assegura o cálculo incondicionado e sua contínua superação. * Segundo a medida do horizonte das épocas precedentes da metafísica ainda não consumada, somos facilmente levados a ver nesse desenvolvimento da modernidade consumada algo "negativo", uma "decadência" e um "declínio". * Experimentada de modo apropriador, essa época desvela-se, porém, como a história nunca mais apropriada desde o primeiro começo, na qual o destino essencializa a partir do começo, e justamente agora à maneira da viravolta do primeiro para o outro começo, trazendo consigo a época da consumação da metafísica, calculando segundo seus próprios critérios, um saber obscuro de que, frente aos tempos anteriores da metafísica, se apropria algo insólito, embora isso seja visto apenas em suas dimensões e historicamente absolutizado à maneira de toda autoavaliação histórica que um "presente" realiza quanto à sua essência, permanecendo os pontos de vista das épocas anteriores aquém do insólito. {{tag>GA73 aletheia verdade}}