====== GA71 Das Ereignis ====== //Das Ereignis (1941-1942) -Vorworte - Der erste Anfang - Der Anklang - Der Unterschied - Die Verwindung - Das Ereignis. Der Wortschatz seines Wesens - Das Ereignis - Das Ereignis und das Menschenwesen - Das Daseyn - Der andere Anfang - Weisungen in das Ereignis - as seynsgeschichtliche Denken (Dichten und Denken) [2009]// * Vorworte * Der erste Anfang * Der Anklang * Der Unterschied * Die Verwindung * Das Ereignis. Der Wortschatz seines Wesens * Das Ereignis * Das Ereignis und das Menschenwesen * Das Daseyn * Der andere Anfang * Weisungen in das Ereignis * Das seynsgeschichtliche Denken (Dichten und Denken) ---- **O acontecimento apropriativo (Ereignis)** **Palavras prévias** 1. A advertência de Sófocles em Édipo em Colona situa a questão da garantia diante daquele que não consegue ver adequadamente e associa a possibilidade de falar com lucidez à capacidade de apreender aquilo que se mostra, fazendo da visão uma condição para a sustentação do dizer. 2. A garantia (arkesis) designa aquilo que oferece um apoio capaz de sustentar, de modo que a segurança buscada não se reduz a uma certeza abstrata, mas remete àquilo em que o dizer e o compreender podem encontrar sustentação. 3. Visualizar ([[lx>termos:b:blepein|blepein]]) significa apreender o aspecto do ente, das coisas e das ações, embora aquele que permanece preso a essa forma de visão possa enganar-se justamente porque, apesar de captar os aspectos do ente, continua cego para o ente enquanto tal. 4. Ver ([[lx>termos:h:horan|horan]]) significa ter olhos para o ser ([[lx>termos:s:sein|Sein]]), isto é, para a verdade do ente em seu envio destinamental, sendo essa visão atravessada pela dor da experiência e por um padecimento que chega até o sofrimento provocado pelo completo velamento do curso do caminho. 5. A a-presentação não constitui descrição, relato, sistema ou aforismo, mas tentativa de uma palavra que responda ao que se funda como saga da exportação resolutora ([[lx>termos:a:austrag|Austrag]]), abrindo um curso de pensamento semelhante a um caminho na floresta, no qual a exposição deve corresponder ao movimento próprio daquilo que procura pensar. * A forma aparentemente expositiva não deve ser tomada como exposição doutrinária de conteúdos já estabelecidos, pois sua tarefa consiste em deixar que a palavra corresponda ao movimento pelo qual algo se resolve e se diferencia. * A saga não é acrescentada posteriormente ao pensamento, mas pertence ao próprio modo pelo qual o pensamento procura seguir o acontecimento apropriativo ([[lx>termos:e:ereignis|Ereignis]]). 6. Desde Contribuições à filosofia (Do acontecimento apropriativo), tudo se encontra transformado nessa saga, de modo que o pensamento posterior já não pode simplesmente repetir o caminho anteriormente percorrido, mas deve responder à transformação ocorrida na própria experiência do acontecimento apropriativo (Ereignis). 7. O destino do seer (Seyn) é transposto para junto dos pensadores, e sob cada uma das palavras fundamentais deve ressoar o mesmo acontecimento apropriativo (Ereignis), cuja consequência se determina a partir da essência da resolução ([[lx>termos:a:austrag|Austrag]]), à insistência da qual a saga talvez tenha permanecido até então apropriativamente entregue. * As diferentes palavras fundamentais não designam conteúdos independentes, mas procuram fazer ressoar, sob modos distintos, o mesmo acontecimento apropriativo (Ereignis). * A resolução (Austrag) não deve ser compreendida como solução conceitual externa, mas como movimento pelo qual a diferença se desdobra e alcança sua própria determinação. 8. Toda palavra responde à reivindicação da viragem ([[lx>termos:k:kehre|Kehre]]), porque a verdade do seer ([[lx>termos:s:seyn|Seyn]]) deve essenciar-se no seer (Seyn) da verdade, fazendo com que o dizer fundamental se mova no interior da pertença recíproca entre verdade e seer. 9. O anel da viragem (Kehre) assinala a transversão dos inícios, enquanto o pensamento da história do seer (Seyn) se funda no abismo ([[lx>termos:a:abgrund|Abgrund]]) na medida em que nele insiste na verdade e, a partir dessa insistência, transforma-se em palavra. 10. A junção do seer (Seyn) no acontecimento apropriativo (Ereignis) constitui uma junção que é simultaneamente conjunção e juntar-se, de modo que a junção fugidia do seer faz com que um e outro se partam da própria junta e se encaminhem para o início. * O juntar não significa simples reunião de elementos previamente separados, mas uma articulação na qual a própria separação pertence ao modo de sua conjunção. * A direção para o início não conduz a um começo cronológico, mas ao domínio originário a partir do qual a junção pode ser pensada. 11. O pensamento não se encaminha simplesmente através do universo nem permanece preso ao todo do seer (Seyn), mas se dirige, no acontecimento apropriativo (Ereignis), para o início sem jamais instalar-se definitivamente nele, juntando-se de maneira pensante e realizando, mediante esse juntar, a resolução (Austrag) da diferença na despedida. * O início não constitui um ponto de chegada no qual o pensamento pudesse repousar, pois permanece aquilo em direção ao qual se pensa sem jamais convertê-lo em posse. * O juntar pensante deixa acontecer a diferença em sua resolução (Austrag), de modo que a despedida pertence à própria consumação dessa articulação. 12. A a-presentação avança e retrocede segundo a viragem (Kehre), mostrando-se como o soar reiterado entre ressonância e consonância, razão pela qual seu movimento não pode ser reduzido à progressão linear de uma demonstração. **Sobre Contribuições à filosofia (Do acontecimento apropriativo)** 13. A a-presentação assume, por vezes, uma forma excessivamente doutrinária, circunstância que ameaça converter o movimento pensante do acontecimento apropriativo (Ereignis) em formulações aparentemente fixas e sistemáticas. 14. O pensamento conserva apoio doutrinariamente justificado na distinção entre a questão fundamental ([[lx>termos:g:grundfrage|Grundfrage]]) e a questão diretriz ([[lx>termos:l:leitfrage|Leitfrage]]) no interior da questão do ser ([[lx>termos:s:seinsfrage|Seinsfrage]]), mas essa própria questão ainda permanece concebida segundo o estilo da metafísica, em vez de ser pensada a partir do modo de ser próprio da história do seer (Seyn). 15. Mesmo o início precisa ser pensado a partir da realização dos pensadores e não segundo uma suposta unidade essencial com o acontecimento apropriativo (Ereignis), pois o caráter inicial do pensar somente se determina no efetivo cumprimento histórico de sua realização. 16. O acontecimento apropriativo (Ereignis) ainda não alcança uma essenciação ([[lx>termos:w:wesung|Wesung]]) puramente inicial do abismo ([[lx>termos:a:abgrund|Abgrund]]), no qual se prepara simultaneamente a chegada do ente e a decisão acerca dos deuses e do ser humano, permanecendo ainda impensável o pensamento do último deus (der letzte [[lx>termos:g:gott|Gott]]). * O abismo (Abgrund) não constitui uma simples ausência de fundamento, mas o domínio inicial no qual se prepara a abertura histórica para a chegada do ente. * A decisão acerca dos deuses e do ser humano pertence a essa preparação, na qual a possibilidade do último deus ainda permanece fora do alcance do pensamento realizado até então. 17. O ser-aí ([[lx>termos:d:da-sein|Da-sein]]) é pensado essencialmente a partir do acontecimento apropriativo (Ereignis), embora ainda de maneira excessivamente unilateral com vistas ao ser humano, de modo que sua pertença ao acontecimento ainda não alcança plenamente a determinação requerida. 18. O ser humano ainda não é pensado de maneira suficientemente histórica, pois sua essência não pode ser determinada adequadamente enquanto permanecer considerada fora da história do seer (Seyn) e da transformação que nela acontece. {{tag>GA71 Ereignis}}