====== §4 ====== //Zur Bestimmung der Philosophie. 1. Die Idee der Philosophie und das Weltanschauungsproblem (post war semester 1919); 2. Phänomenologie und transzendentale Wertphilosophie (SS 1919); 3. Anhang: Über das Wesen der Universität und akademischen Studiums (SS 1919) [1987]// **§ 4. O recurso à atitude científica do filósofo** O problema da ideia de filosofia como ciência originária exige antes a busca de um caminho metódico que garanta acesso seguro aos seus elementos essenciais, e poder-se-ia supor que o recurso à história falha justamente porque a diversidade contraditória dos sistemas filosóficos impede toda indução comparativa, a menos que, em vez dos conteúdos doutrinais concretos, se volte a atenção ao modo de ser essencial de seu criador, isto é, à unidade da atitude filosófica enquanto forma típica de pensamento, independentemente da individualidade histórica e humana do filósofo como pessoa. * A investigação, ao deslocar-se dos sistemas para a espiritualidade ([[lx>termos:g:geistigkeit|Geistigkeit]]) filosófica típica, não visa o filósofo em sua individualidade concreta, mas sim o modo pelo qual nele se expressa uma forma determinada de espiritualidade filosófica. * Simmel realizou essa tentativa invertendo a caracterização da arte: enquanto esta seria imagem do mundo vista através de um temperamento, a filosofia consistiria antes em temperamento visto através de uma imagem do mundo, isto é, na elaboração de uma posição característica e de uma forma de vivência do espírito. * Dessa concepção decorre que uma obra filosófica significativa não pode mais ser avaliada pelo conceito científico de verdade nem pela conformidade de sua doutrina ao objeto e ao ser, possuindo antes valor originário em si mesma como formação objetivada de uma consciência humana de tipo dado. * A verdade de uma filosofia torna-se, assim, independente do conteúdo efetivo de suas hipóteses, o que evidencia o quanto essa abordagem se afasta do conceito científico de verdade próprio à ideia de ciência originária. Além de reproduzir a mesma dificuldade metódica quanto ao critério de seleção das personalidades a considerar como filósofos, essa tentativa de extrair a ideia da filosofia a partir da espiritualidade típica de seu representante autêntico ultrapassa os limites da presente problemática, pois nela o conceito de filosofia coincide com o de criador de uma visão de mundo original, de modo que, mesmo se estendida ao filósofo científico, implicaria recorrer a um conceito não científico de verdade, válido talvez em certas esferas da vida, mas estranho à ideia da filosofia como ciência originária. * A ideia de ciência originária não pode, portanto, ser determinada a partir da atitude espiritual de tipo científico, ainda que isso não implique negar que à filosofia como ciência originária corresponda também, em sentido eminente, uma disposição espiritual típica e uma relação de vida singular como correlato do sujeito. * Tal disposição espiritual e tal relação de vida só poderão ser estudadas legitimamente a partir da constituição da própria ideia da filosofia e da efetivação viva das motivações que esta exige, e não como via de acesso independente a essa ideia. {{>tag>GA56-57 ciência filosofia}}