====== §2 ====== //Zur Bestimmung der Philosophie. 1. Die Idee der Philosophie und das Weltanschauungsproblem (post war semester 1919); 2. Phänomenologie und transzendentale Wertphilosophie (SS 1919); 3. Anhang: Über das Wesen der Universität und akademischen Studiums (SS 1919) [1987]// **§ 2. A ideia de ciência originária** **A) A ideia como determinidade determinada** A palavra "ideia" possui múltiplos sentidos no uso filosófico, variando conforme sistema e ponto de vista, mas é possível identificar na história do conceito um conteúdo comum que se mantém constante, sobretudo a partir do sentido kantiano assumido na Crítica da razão pura, segundo o qual a ideia comporta um momento negativo que a impede de fornecer seu objeto em plena determinação, embora ela mesma seja uma determinidade determinável de modo definitivo, o que torna a indeterminidade necessária do objeto uma indeterminidade determinada. * No emprego pré-filosófico, a palavra ideia pode designar tanto uma representação obscura ou um pressentimento nebuloso quanto um pensamento ainda não esclarecido, sem certeza ou saber fundado quanto ao seu conteúdo próprio. * A ideia jamais oferece seu objeto senão sob certa iluminação aforística, permitindo apenas presumir características contingentes que podem ser modificadas ou acrescidas por novos elementos, conforme o valor dos métodos cognitivos disponíveis. * A possibilidade de emergirem novos elementos essenciais não é vazia ou arbitrária, mas determinada e regida por leis de essência, de modo que não é o objeto, mas a própria ideia, que se deixa determinar de forma definitiva quanto ao seu sentido. * A determinidade determinável da ideia significa, assim, a conjunção visível e delimitável das motivações submetidas à legalidade essencial que caracteriza a determinabilidade do objeto, conjunção cujo grau de generalidade depende do caráter regional desse objeto. **B) A circularidade da ideia de ciência originária** A ideia da filosofia como ciência originária, por visar tornar visíveis a origem e as ramificações de seu próprio domínio problemático, deve ser ela mesma determinada por uma método científico-originário (urwissenschaftlich), o que revela um círculo inerente à tarefa — pois a ideia da filosofia já precisa estar de algum modo elaborada cientificamente para poder se autodeterminar —, círculo que não constitui dificuldade artificial, mas marca essencial da própria filosofia, à qual sua método deve fazer justiça mostrando-o como necessário e como lei de essência. * Toda método científica autêntica decorre, antes de tudo, da essência do objeto da ciência em questão, de sorte que não se pode derivar a método originário-científica de uma ciência derivada e não originária, sob pena de contrassenso evidente. * As origens últimas devem ser apreendidas apenas a partir de si mesmas e em si mesmas, o que impõe representar sem rodeios o círculo contido na própria ideia de ciência originária, sem recorrer a artifícios da razão que tornariam o problema ilusório. * Essa circularidade, que consiste em pressupor-se, fundar-se e erguer-se a si mesma pelos próprios cabelos — o problema do espírito de Münchhausen ao tentar sair do pântano —, não participa ainda, mesmo depois de identificada, do progresso metódico efetivo da investigação. * A clarificação já obtida sobre a essência da ideia pressupõe perspectivas provenientes da própria ideia de ciência originária a ser determinada, de modo que a pesquisa dessa ideia exige que ela já esteja, de algum modo, disponível como algo utilizável. {{>tag>GA56-57 ciência ideia}}