====== 0 Introdução ====== **A conexão interna entre fundamento — ser — início** **§ 1. Esclarecimento do título da preleção «Conceitos fundamentais»** **a) Conceitos fundamentais são conceitos-fundamento** A expressão «conceitos fundamentais» ([[lx>termos:g:grundbegriffe|Grundbegriffe]]), tomada em seu sentido habitual como designação das representações gerais que delimitam domínios de objetos, deve ser reconduzida ao sentido mais originário de Grund-Begriffe, no qual não se trata de conceitos fundamentais de uma ciência particular nem simplesmente de conceitos próprios da filosofia, mas da disposição para alcançar e apreender o fundamento ([[lx>termos:g:grund|Grund]]) de tudo aquilo que é, isto é, aquilo que fundamenta (be-gründet) o ser humano e tudo quanto por ele é tomado como ser ([[lx>termos:s:sein|Sein]]). * A indeterminação aparentemente vazia do título impede que a investigação seja antecipadamente confinada a um domínio particular do ente, seja natureza, história, Estado, direito, arte, homem ou animal, e indica precisamente que aquilo a ser pensado antecede as delimitações científicas e mesmo a circunscrição tradicional da filosofia. * O caráter indeterminado do título encerra, porém, uma decisão: não se trata de coisas secundárias ou arbitrárias, mas daquilo que é necessário e essencial, cuja abordagem exige abandonar o habitual e o cômodo e dispor-se a colocar em jogo a própria essência do homem. * Escrever Grund-Begriffe explicita que o decisivo não reside nos «meros conceitos», entendidos como representações abstratas, mas no alcançar, apreender e sustentar o fundamento de tudo, antes mesmo de se poder determinar conceitualmente o que esse fundamento seja. **b) A exigência dos conceitos-fundamento** Pensar os Grund-Begriffe significa corresponder à exigência de alcançar o fundamento como aquele solo no qual se torna possível uma posição firme e onde se decidem as determinações essenciais, de modo que o saber do fundamento não consiste em mera tomada de conhecimento, mas numa posição e numa atitude que, sendo mais originárias que o conhecer habitual, o querer corrente e o sentimento ordinário, constituem elas mesmas o caráter essencial pelo qual o homem pode ser conduzido à meditação ([[lx>termos:b:besinnung|Besinnung]]). * Esse saber não necessita de um «caráter» adicional que lhe proporcione sustentação, pois ele próprio constitui o cunho essencial do homem, sem o qual a firmeza da vontade degenera em obstinação, os feitos permanecem sucessos passageiros, o agir converte-se em atividade que se consome a si mesma e as vivências se tornam formas de autoengano. * A exigência dos Grund-Begriffe põe o pensamento no caminho da meditação e o reconduz ao ente no todo (Seiendes im Ganzen), para que o essencial seja pensado antes de tudo e por último, mediante uma disposição capaz de amadurecer para aquilo que verdadeiramente solicita o homem. **c) A diferença entre as exigências dirigidas ao homem** **α) A exigência das necessidades: o precisar** Quando a atenção se orienta exclusivamente por aquilo de que se precisa, o homem permanece submetido à inquietação das necessidades, dos desejos, dos interesses e da utilidade, isto é, ao impulso incessantemente crescente da mera vida, cuja aparência de movimento e liberdade encobre uma servidão determinada pela contínua ampliação daquilo que se considera necessário. * A inquietação do precisar produz um «nunca suficiente» no interior do qual cada satisfação engendra uma nova necessidade, não porque exista simplesmente uma cobiça artificialmente cultivada, mas porque a própria cobiça já decorre da inquietação característica do avanço da mera vida. * Embora plantas e animais pareçam encontrar uma forma determinada no interior de seu próprio impulso, o homem pode elevar o vivente e seu impulso à medida diretora e ao princípio do «progresso», submetendo-se assim ao constrangimento dos interesses da vida. * A aparente liberdade daí resultante consiste apenas numa mobilidade dentro do domínio previamente determinado pela utilidade, pois mesmo quando o homem desloca segundo suas necessidades os limites de seus cálculos e planejamentos, continua submetido ao poder daquilo de que constantemente «precisa». * A servidão sob o domínio do útil assume, desse modo, a aparência de liberdade e de crescente fruição, embora permaneça circunscrita ao constrangimento dos «interesses da vida». **β) A exigência dirigida à essência do homem histórico** A atenção ao que pode ser dispensado rompe com o cálculo imposto pela utilidade e conduz à restrição ao essencial ([[lx>termos:w:wesenhafte|Wesenhafte]]), restrição que não constitui empobrecimento, mas libertação para a amplitude das exigências que alcançam a essência do homem histórico e lhe permitem permanecer aberto àquilo que não procede de suas necessidades nem se mede pelo bem-estar individual ou coletivo. * O que pode ser dispensado abre um domínio no qual o homem deixa de ser determinado pelo cálculo da utilidade e pode subordinar o necessário e o utilizável a uma relação mais originária com o essencial. * Somente nesse aberto pode fundar-se propriamente um «reino», pois somente aí o homem histórico se torna capaz de domínio em sentido essencial, em vez de permanecer servo do útil. * As exigências que alcançam a essência humana não podem ser apresentadas como fatos nem calculadas segundo graus de urgência; são interpelações (An-sprechungen) às quais o homem histórico somente pode corresponder quando se deixa atingir por elas. * O saber capaz de alcançar o fundamento não resulta da soma de conhecimentos da vida, resultados científicos ou doutrinas de fé, nem pode ser produzido arbitrariamente por um indivíduo, porque a relação libertadora com o essencial somente pode ter sua origem no próprio essencial. **d) A disponibilidade para o originário e o inicial e o pretenso saber superior da consciência histórica** A alternativa decisiva situa-se entre permanecer disponível para aquilo que é sempre originário e inicial ou entregar-se ao pretenso saber superior da consciência histórica, cuja atitude calculadora transforma a história em objeto de avaliação segundo as categorias de «novo» e «velho», encobrindo precisamente a história própria do essencial e impossibilitando que o início ([[lx>termos:a:anfang|Anfang]]) seja alcançado pela recordação ([[lx>termos:e:erinnerung|Erinnerung]]). * O predomínio da consciência histórica não se identifica simplesmente com o desenvolvimento tardio da ciência histórica, pois esta já constitui consequência de uma posição mais fundamental na qual a história é submetida ao cálculo. * Na interpretação histórica calculadora, «novo» passa a significar aquilo que continua e favorece o progresso corrente, enquanto «velho» designa aquilo que perdeu utilidade para esse progresso e, por isso, é tomado como ultrapassado. * A investigação histórica procura então justificar sua própria indispensabilidade conferindo ao passado a aparência do contemporâneo, enquanto o essencial, possuindo sua história própria, escapa às medidas ordinárias de novidade e antiguidade. * O anterior, quando é essencial, não se torna ultrapassado, pois permanece fora do processo de desgaste ao qual o pensamento calculador submete indistintamente tudo aquilo que classifica como novo ou velho. * A resistência à recordação do essencial nasce precisamente da identificação do anterior com o simplesmente antigo e ultrapassado, como se o início somente pudesse ser alcançado pela pesquisa histórica de algo passado. **e) A significação da meditação sobre o início da história** O mais antigo segundo a cronologia pode ser simultaneamente o primeiro segundo a posição, a riqueza, a originariedade e a força vinculante, razão pela qual o mundo grego constitui o inicial (Anfängliche) da história ocidental não como antiguidade ultrapassada, mas como início cuja exigência ainda alcança as decisões históricas futuras e somente pode ser recebida por uma recordação capaz de reconduzir ao essencial. * A exigência proveniente do início pode ser ignorada sem que o curso externo da história pareça imediatamente alterado, criando-se assim a ilusão de que a recordação do início seria praticamente dispensável. * O conhecimento da importância «cultural» dos gregos tampouco garante o saber acerca do caráter inicial do mundo grego, assim como a veneração da Antiguidade clássica ou a defesa da formação humanística podem permanecer simples tentativas de conservar um patrimônio educacional herdado. * O conhecimento da língua grega é indispensável para uma tarefa explicitamente assumida de despertar e fortalecer a recordação do inicial, mas o domínio linguístico não assegura por si só a capacidade de repensar o pensamento grego nem de experimentar o início da história ocidental. * A posse erudita da língua e da cultura clássicas pode inclusive converter-se em obstáculo quando serve de pretexto para evitar o questionamento decisivo e para pressupor antecipadamente a posse da verdade. * Mais essencial que todo conhecimento linguístico permanece a disponibilidade para a confrontação ([[lx>termos:a:auseinandersetzung|Auseinandersetzung]]) com o início, isto é, com aquilo que foi lançado antecipadamente como decisão essencial da história ocidental e colocado em seu fundamento. * Uma recordação autêntica do início somente nasce das necessidades históricas do presente e não de um interesse antiquário pela restauração da Antiguidade clássica, pois sua medida encontra-se na decisão por um saber essencial voltado para o vindouro. * Distinguir entre acumulação de conhecimentos, conservação de ideais educacionais passados e efetivo ingresso no caminho da meditação exige liberdade interior e a experiência concreta de como a própria meditação se realiza. **f) A finalidade da preleção: a meditação como preparação para uma confrontação com o início de nossa história** A preleção deve proporcionar a ocasião para exercitar a meditação (Besinnung) como preparação para uma confrontação com o início da história ocidental, mediante um pensar que não pertence a uma disciplina, não pode ser prescrito para exames, não serve à formação geral nem produz utilidade, mas entrega o homem à própria liberdade diante daquilo que, sem precisar «produzir efeitos» ou ser útil, permanece essencialmente sendo. * Conhecimentos profissionais e instrumentos necessários à formação podem ser posteriormente recuperados ou aperfeiçoados, enquanto os momentos nos quais se torna possível uma meditação essencial são raros e irrepetíveis, sobretudo na época da vida em que as forças fundamentais para o futuro podem ser despertadas, encobertas ou devastadas. * A disponibilidade para alcançar o fundamento de tudo somente deixa de ser curiosidade vazia quando começa imediatamente a exercitar aquilo para o qual se dispõe, isto é, a própria meditação. * Da meditação preparatória para a confrontação com o início pode surgir a suspeita de que a história caminha para decisões que ultrapassam as finalidades habituais do homem moderno e exigem uma transformação do modo pelo qual se compreende aquilo que historicamente está por vir. **Recapitulação** **1. Nossa compreensão dos «conceitos fundamentais» e nossa relação com eles como saber pressentidor** Os conceitos fundamentais (Grundbegriffe), compreendidos ordinariamente como representações diretoras pelas quais as ciências delimitam seus respectivos domínios, devem ser pensados mais originariamente como Grund-Begriffe, isto é, como exigência de alcançar ou ao menos pressentir o fundamento (Grund) de tudo aquilo que é e manter-se numa relação cognoscente com esse fundamento, relação na qual o pressentimento (Ahnen) do essencial já constitui um saber mais originário do que toda segurança calculadora acerca do inessencial. * Conceitos como força, cultura, lei e estilo funcionam nas ciências como fios condutores para perguntar, responder e expor os respectivos domínios, mas esse emprego científico não esgota o sentido aqui conferido aos Grund-Begriffe. * O decisivo não é adquirir «conceitos» como invólucros de representações, mas chegar ao próprio fundamento e à relação com ele, inclusive quando essa relação inicialmente assume a forma de um pressentimento essencial. * O pressentir não designa um sentimento vago destinado a substituir o rigor conceitual, mas a apreensão daquilo que vem ao encontro do homem e cuja vinda já vigora, embora permaneça despercebida devido à confusão da atitude geral do saber. * Pensar no horizonte do pressentimento exige rigor maior que a perspicácia conceitual meramente formal aplicada aos domínios calculáveis. * O exercício desse saber não pressupõe primordialmente conhecimentos filosóficos previamente adquiridos, mas a disponibilidade para liberar-se em direção ao essencial, sem que por isso o conhecimento cuidadosamente cultivado deva ser declarado supérfluo. **2. A decadência do saber no tempo atual: decisão pelo útil contra o dispensável** A crise moderna do saber não pode ser superada pelo simples aumento da quantidade e da velocidade da aprendizagem, pela introdução de manuais mais cômodos ou pelo retorno nostálgico às antigas formas escolares, pois exige reaprender o próprio aprender, recuperar medidas vinculantes e decidir interiormente entre submeter-se ao que é útil e necessário para as exigências imediatas ou abrir-se àquilo que, podendo ser dispensado no extremo, justamente revela o que permanece essencial. * A insuficiência do saber encontra-se numa desproporção entre a preparação recebida e a magnitude das tarefas históricas, de modo que a própria decadência assume dimensões correspondentes à grandeza daquilo que está em jogo. * Não cabe aguardar passivamente que exigências mais rigorosas sejam novamente impostas pelas instituições, pois pertence a uma juventude desperta produzir e sustentar por si mesma exigências de saber orientadas para a construção do futuro. * A mera leitura ocasional tampouco assegura formação efetiva quando o próprio sentido de ler se perde num modo de existência dominado por tabelas, curvas, jornais ilustrados, reportagens radiofônicas e espetáculos cinematográficos. * O retorno nostálgico ao antigo sistema educacional é insuficiente porque esse próprio sistema já havia perdido a capacidade de despertar a força vinculante do espírito e de obrigar à meditação sobre o essencial. * A decisão fundamental não se mede pela frequência a uma preleção filosófica nem por certificados exteriores, mas pela capacidade de cada um de decidir se permanecerá orientado exclusivamente pelo que precisa ou se atentará também para aquilo de que pode prescindir. * A crise do saber não deriva apenas das circunstâncias imediatas do presente, mas encontra-se fundada na essência da história moderna e, portanto, não pode ser resolvida mediante simples reforma organizacional ou novos planos de ensino. **3. O início como decisão sobre o essencial da história ocidental (na modernidade: vontade incondicionada e técnica)** O início (Anfang) deve ser compreendido como o conjunto de decisões originárias que sustentam e antecipam o essencial da história ocidental, sobretudo a decisão acerca da essência da verdade, razão pela qual ele não constitui um passado ultrapassado, mas permanece como aquilo que previamente decidiu o vindouro e cuja confrontação se torna particularmente difícil na modernidade, determinada pela posição fundamental técnica e pela vontade metafísica de domínio incondicionado. * O anterior somente perde sua força decisória quando é interpretado como simples passado disponível para explicar necessidades posteriores; experimentado como início, permanece essencialmente futuro porque contém decisões ainda não cumpridas. * História, em sentido essencial, não é a sucessão de acontecimentos nem o simples decurso da vida, mas somente se dá onde existe liberdade, isto é, onde uma humanidade se relaciona decisivamente com o ente ([[lx>termos:s:seiendes|Seiendes]]) e com sua verdade. * O mundo grego constitui o início da história ocidental não como «Antiguidade» ou patrimônio cultural a ser preservado, mas como âmbito de decisões essenciais ainda não realizadas. * A distância moderna em relação ao início não provém primordialmente da diferença linguística, mas da transformação da interpretação do mundo e da posição fundamental do homem em meio ao ente. * A técnica moderna não é primariamente um conjunto de instrumentos dos quais o homem possa tornar-se senhor ou escravo, mas uma interpretação do mundo já decidida, que predetermina as possibilidades das atitudes humanas e dispõe todas elas segundo sua capacidade de aparelhamento. * A pretensão de dominar praticamente a técnica em sua expansão incondicionada já pressupõe a submissão metafísica a ela, pois planejamento, cálculo e garantia deliberada da duração passam a determinar antecipadamente o modo de lidar com tudo. * A vontade de assegurar pelo maior tempo possível a maior ordenação de grandes massas constitui uma determinação metafísica da modernidade, na qual a permanência e a intensificação da vida tornam-se objetivos fundamentais. * Essa vontade não pode ser explicada adequadamente como simples produto da arbitrariedade individual de governantes ou de determinadas formas políticas, pois situações políticas, econômicas ou demográficas podem oferecer circunstâncias para sua realização, mas não constituem seu fundamento metafísico. * Em oposição à busca moderna de conservação e duração, o início grego comportava uma experiência segundo a qual o declínio podia constituir o único, o momentâneo, o grandioso e o digno de glória, distinguindo-se o declínio que ingressa no singular do mero perecimento produzido pela permanência no habitual. * A imperecibilidade do início não consiste na longa duração de seus efeitos, mas na raridade e unicidade do retorno sempre transformado daquilo que nele foi originariamente aberto, razão pela qual o início não pode ser experimentado pela simples aquisição histórica de conhecimentos sobre o passado. **4. Exercício da relação com o «digno de ser pensado», na meditação sobre o fundamento** O exercício do pensamento exige alcançar uma relação essencial com aquilo que é digno de ser pensado ([[lx>termos:d:denk-wurdige|Denk-würdige]]), não mediante uma «lógica» acadêmica que apenas pensa sobre o pensamento, mas deixando-se solicitar por aquilo que primeiro confere ao pensamento sua posição e dignidade, de modo que compreender os Grund-Begriffe significa ingressar numa relação com o fundamento de todo ente sem reduzi-lo antecipadamente a causa, causa primeira, objeto de representação ou recurso para uma explicação do mundo. * Escutar os antigos dizeres dos pensadores gregos exige primeiramente aprender a ser ouvinte e reconhecer que aquilo que neles se apresenta concerne essencialmente ao homem histórico. * O pensamento originário não é aprendido mediante teorias acerca do pensamento, mas pela tentativa de estabelecer uma relação autêntica com aquilo que solicita e põe o próprio pensamento a seu serviço. * O significado de fundamento (Grund), a natureza da relação com ele e o caráter de saber pertencente a essa relação somente podem esclarecer-se progressivamente. * Identificar antecipadamente o fundamento com uma causa e depois interpretar essa causa como criador segundo a doutrina bíblica ou a dogmática cristã eliminaria prematuramente a questão que deve permanecer aberta. * Também seria insuficiente compreender os «conceitos» como simples representação humana do fundamento, pois importa sobretudo pensar o modo como o próprio fundamento inclui o homem em sua essência. * Nem uma doutrina arbitrariamente inventada por um indivíduo nem a enumeração histórica das opiniões anteriores acerca do fundamento pode substituir a meditação pela qual se alcança a proximidade daquilo que essencialmente interpela. * O decisivo não consiste em discutir doutrinas, mas em tornar-se ciente do essencial no qual o homem já se encontra, mesmo quando nele ainda é arrastado sem posição firme nem compreensão. **5. O estar essencialmente inserido do homem histórico no início, na «essência» do fundamento** A meditação sobre o fundamento exige escutar aquilo a que o próprio homem histórico pertence e experimentar-se não segundo propriedades individuais, situações presentes ou determinações historicamente constatáveis, mas a partir daquilo que, sendo distinto dele, atravessa e determina sua essência — o início de sua história —, no qual história significa o acontecimento ([[lx>termos:e:ereignis|Ereignis]]) de uma decisão sobre a essência da verdade e compreender (Be-greifen) o fundamento significa estar incluído (Ein-begriffen-sein) pelo próprio fundamento em sua «essência». * A decisão sobre a essência da verdade funda e transforma o modo pelo qual o ente no todo se torna manifesto e pelo qual o homem permanece inserido nesse manifesto; um tal acontecimento é raro e, justamente por sua simplicidade, pode permanecer longamente encoberto pelo habitual. * A recordação (Erinnerung) do início desperta o saber acerca da decisão que ainda determina a humanidade ocidental e, por isso, não constitui fuga para o passado, mas disponibilidade para o vindouro. * O homem histórico somente adquire peso quando mantém relação com a essência da história e escuta a exigência proveniente dela, pela qual o que possui fundamento se separa daquilo que é destituído de fundamento. * Encontrar-se a si mesmo não significa seguir o egoísmo, os interesses próprios ou os impulsos que perseguem o indivíduo, mas afastar o olhar do meramente próprio para trazer à vista aquilo que permaneceu longamente desconsiderado. * Compreender o fundamento do ente no todo não significa simplesmente representá-lo e formular pensamentos a seu respeito, pois aquilo que verdadeiramente foi compreendido abre-se de tal modo que quem compreende é simultaneamente transposto para o aberto e passa a ser determinado por ele. * O compreender (Be-greifen) anuncia-se, assim, como estar-incluído (Ein-begriffen-sein) na «essência» do fundamento pelo próprio fundamento, relação que não se reduz exclusivamente a um saber, embora possua essencialmente o caráter de saber. * Esse saber do fundamento pode permanecer longamente oculto de si mesmo e obstruir seu próprio caminho, mas continua atravessando, mesmo sob encobrimento, a história das humanidades como sua camada originária. * O homem não produz esse saber por simples ocorrências do pensamento nem o força mediante perspicácia intelectual; cabe-lhe permanecer nele, esquecê-lo, tornar-se ciente dele mediante a recordação ou desviar-se dele. {{tag>GA51 Grundbegriffe}}