===== A.6 Esta coisa aqui ===== **A. DIVERSAS MANEIRAS DE INTERROGAR EM DIREÇÃO À COISA** **VI. A COISA ENQUANTO ESTA COISA AQUI** O caráter de cada coisa como «esta coisa aqui» não deve ser compreendido imediatamente como uma propriedade objetiva que simplesmente adere à coisa, pois o «isto» pertence originariamente ao mostrar e ao indicar próprios da linguagem e da nomeação, de modo que a determinação da coisa enquanto «esta» conduz à questão de saber se sua [[lx>termos:h:hecceidade|hecceidade]] pertence à própria coisa ou se resulta do modo como ela é mostrada e referida no falar humano. * A questão acerca da origem do caráter das coisas como um «esta coisa aqui» permanece inicialmente suspensa para que se possa formular uma pergunta ainda mais prévia, já implicada naquela determinação. * Ao afirmar que as coisas singulares circundantes são «estas», torna-se necessário perguntar se com esse «isto» já se diz efetivamente algo acerca da própria coisa. * O «isto» contém essencialmente um mostrar e um indicar: dizer «isto» significa remeter a algo presente no âmbito do «aí», oferecendo aos outros que compartilham a situação uma indicação acerca daquilo para o qual se aponta. * «Isto» tende a indicar aquilo que está na proximidade imediata, enquanto «aquilo» designa algo mais distante, embora ainda situado no mesmo domínio do «aí» e do «lá». * A língua latina distingue com maior precisão essas modalidades mediante hic, para «este aqui», iste, para «esse aí», e ille, para «aquele lá longe», enquanto o grego ekei pode designar aquilo que se encontra do outro lado (das [[lx>termos:j:jenseitige|Jenseitige]]), isto é, no além. * Palavras como «este» e «aquele» são classificadas pela gramática como demonstrativos porque mostram e indicam em direção a algo; ao mesmo tempo, são designadas como pronomes, Für-Wörter, correspondendo ao grego antonymiai deiktikai. * A interpretação gramatical tradicional segundo a qual tais palavras seriam essencialmente substitutos de substantivos permanece insuficiente, embora tenha marcado profundamente toda a gramática ocidental até o presente. * É verdade que expressões como «isto» podem substituir o nome de uma coisa já mencionada, como quando se deixa de repetir «giz» e se passa a dizer «isto», mas essa função substitutiva é apenas uma possibilidade derivada e não constitui a essência originária do pronome demonstrativo. * Mais originária é sua função nominativa, perceptível também no fato de os artigos alemães der, die, das procederem historicamente de palavras demonstrativas e conservarem, portanto, uma dimensão de indicação. * Quando o artigo antecede o substantivo, a nomeação demonstrativa por ele realizada ultrapassa a simples nomeação substantiva e insere aquilo que é nomeado num campo de mostração. * Toda nomeação substantiva realiza-se, nesse sentido, sobre o fundamento de uma mostração prévia, isto é, de um fazer-ver aquilo que chega e está aí enquanto subsistente ou simplesmente presente (das [[lx>termos:v:vorhanden|Vorhandene]]). * A nomeação realizada pelo demonstrativo pertence, por isso, às estruturas mais originárias do próprio dizer e não pode ser reduzida a uma função secundária de substituição. * A compreensão adequada do «isto» exige reconhecer que essa dimensão demonstrativa se encontra, de alguma maneira, em toda nomeação enquanto tal. * Na medida em que as coisas vêm ao encontro, elas entram no caráter do «isto», isto é, aparecem enquanto esta coisa determinada que pode ser mostrada e indicada. * Surge então a dificuldade decisiva: embora as coisas sejam encontradas como «estas», o caráter de «isto» parece não pertencer simplesmente à própria coisa, mas apenas apreendê-la enquanto objeto de uma referência demonstrativa. * Como aqueles que falam, significam e empregam as palavras demonstrativas são seres humanos singulares, pode-se concluir inicialmente que o «isto» não constitui uma determinação da própria coisa, mas apenas um acréscimo subjetivo proveniente do modo humano de referir-se a ela. {{tag>GA41 coisalidade determinação singularidade individualidade}}