===== MARCAS DO CAMINHO (GA9) ===== //VOLPI, Franco; GNOLI, Antonio. La selvaggia chiarezza: scritti su Heidegger. Milano: Adelphi, 2011.// * A obra Wegmarken reúne doze escritos compostos entre o final dos anos vinte e o início dos sessenta, distinguindo-se das coletâneas anteriores pela sua abrangência cronológica e pelo caráter de marcos em um caminho especulativo. * Definição de Wegmarken como sinais ou marcas em uma trilha. * Comparação com Holzwege e Vorträge und Aufsätze. * Publicação original em 1967 pela editora Vittorio Klostermann. * A coleção inclui conferências e escritos do período imediatamente posterior a Ser e Tempo, onde amadurece a mudança de perspectiva conhecida como a volta, destacando-se textos fundamentais sobre metafísica, fundamento e verdade. * Textos datados entre 1927 e 1930. * Interpretação de Leibniz oriunda do curso de 1928. * Presença de ensaios seminais sobre a essência da verdade e do fundamento. * A década seguinte é representada pelas interpretações de Platão e Aristóteles, autores nos quais ocorre a decisão metafísica do pensamento ocidental, sendo estes os únicos estudos dedicados expressamente a eles publicados pelo próprio filósofo. * A Doutrina Platônica da Verdade concebida no início dos anos trinta. * Estudo sobre a physis na Física de Aristóteles escrito em 1939. * Identificação do local histórico da decisão metafísica. * Os textos das décadas posteriores documentam a consolidação da virada no pensamento, incluindo a famosa Carta sobre o Humanismo e correspondências sobre o problema do niilismo e seu superamento. * Carta sobre o Humanismo de 1946 como marco público da virada. * Adições e posfácios à conferência sobre metafísica. * Diálogo com Ernst Jünger na Questão do Ser. * A importância da coletânea reside na possibilidade de acompanhar a evolução contínua do pensamento do autor ao longo de três décadas, tendo sido ampliada na edição das obras completas com a inclusão de dois novos textos. * Edição de 1976 curada por Friedrich Wilhelm von Herrmann. * Inclusão de notas sobre Karl Jaspers e sobre Fenomenologia e Teologia. * Visualização do percurso sem interrupções desde 1927. * A maior novidade da nova edição consiste na incorporação de numerosas notas marginais manuscritas pelo autor em suas cópias pessoais, as quais variam entre esclarecimentos terminológicos e revisões autocríticas significativas. * Identificação das notas por letras no texto. * Caráter de reformulação a partir da perspectiva da maturidade. * Esclarecimentos linguísticos e conceituais. * Algumas anotações possuem valor histórico crucial por permitirem datar etapas fundamentais do caminho especulativo, situando a volta por volta de 1930 e a emergência da problemática do evento em 1936. * Nota no ensaio sobre a verdade localizando a virada. * Nota na Carta sobre o Humanismo datando o conceito de Ereignis. * Importância para a cronologia do desenvolvimento filosófico. * As notas manuscritas desafiam a distinção rígida entre um primeiro e um segundo período do pensamento heideggeriano, demonstrando que a evolução filosófica continuou marcada por escansões decisivas mesmo após a suposta virada. * Crítica à divisão simplista da obra do autor. * Relevância do ano de 1936 e da escrita das Contribuições à Filosofia. * Continuidade e aprofundamento constante do pensamento. * A decisão editorial de deslocar a recensão crítica sobre Karl Jaspers para o apêndice justifica-se pelo fato de este texto pertencer a uma fase anterior à problemática de Ser e Tempo, diferindo em estilo e horizonte conceitual dos demais ensaios. * Texto original de 1919-1921 focado na ermenêutica da facticidade. * Divergência em relação ao critério puramente cronológico da edição alemã. * Pertencimento ao período do primeiro ensino em Friburgo. * A tradução enfrentou as dificuldades inerentes à linguagem heideggeriana, buscando evitar o esoterismo linguístico excessivo e manter uma uniformidade terminológica coerente para os quatorze ensaios que abrangem trinta anos. * Desafios com etimologias e polissemias do alemão. * Objetivo de produzir um texto legível sem abusar de termos entre parênteses. * Necessidade de consistência vocabular através das décadas. * A opção por uma tradução totalmente nova permitiu afastar-se de versões anteriores e propor soluções terminológicas mais adequadas para conceitos-chave, mesmo que divergentes do uso corrente consagrado. * Tradução ex novo sem dependência de trabalhos prévios. * Nova proposta para o termo Befindlichkeit (sentir-se situado). * Justificativas terminológicas remetidas ao glossário. * A tradução das citações de autores clássicos seguiu rigorosamente a interpretação alemã do autor em vez dos originais gregos ou latinos, visando preservar as singularidades da leitura heideggeriana e suas sutilezas filosóficas. * Prioridade do texto alemão sobre o original grego de Platão ou Aristóteles. * Inclusão do texto original em nota para comparação. * Aplicação do mesmo método para Descartes, Kant e Hegel. * As notas de rodapé classificam-se em três categorias distintas que diferenciam o texto original, as anotações marginais manuscritas do autor e os comentários adicionados pelo curador da edição. * Notas numéricas para o texto original. * Notas com letras para as marginálias do autor. * Notas com asterisco para as observações do editor. {{tag>Volpi}}