====== TEMPO EM DOGEN (1990) ====== //STAMBAUGH, Joan. Impermanence is Buddha-nature: Dōgen’s understanding of temporality. Honolulu: University of Hawaii Press, 1990.// * À sua maneira própria, Dōgen, pensador budista japonês do século XIII, ocupa-se da relação entre tempo e eternidade e das diferentes experiências do tempo, articulando a partir de uma concepção experiencial do tempo uma compreensão da relação entre o mundo e aquilo tradicionalmente concebido como transcendente, reformulando a tensão entre samsara e nirvana à luz do ser-tempo (uji) e deslocando o foco da identidade lógica proposta por Nāgārjuna para uma abordagem experiencial e fenomenológica. * Relação entre tempo e eternidade. * Experiências distintas do tempo. * Paralelo ocidental: mundo e Deus ou Absoluto. * Formulação budista tradicional: samsara e nirvana. * Nāgārjuna e a identidade entre ciclos e libertação. * Ênfase de Dōgen no ser-tempo (uji). * Diferença entre orientação lógica de Nāgārjuna e orientação experiencial de Dōgen. * A impermanência, enquanto expressão da experiência do mundo finito de nascimento e morte, fundamenta-se nos três enunciados budistas — tudo é impermanente, tudo é sofrimento, tudo é sem ego — e encontra desdobramento nas quatro nobres verdades proclamadas pelo Buda, culminando na percepção radical de Nāgārjuna de que a saída do samsara situa-se no interior dos próprios ciclos. * Três marcas da existência: impermanência, sofrimento, ausência de eu. * Experiência universal da transitoriedade. * Quatro nobres verdades: sofrimento, origem, cessação, caminho. * Insight de Nāgārjuna sobre a localização da libertação. * O estudo propõe examinar o princípio mahayana da identidade entre samsara e nirvana à luz da concepção de ser-tempo (uji) de Dōgen, destacando no percurso noções centrais como genjo, gūjin, gyōji, jūhōi, keige, kyōryaku e nikon, como chaves para compreender a radicalidade de sua posição. * Investigação da identidade entre samsara e nirvana. * Impacto do uji na compreensão dessa identidade. * Conceitos fundamentais selecionados: * genjo — apresentar. * gūjin — esforço total. * gyōji — prática contínua. * jūhōi — habitar em uma situação-dharma. * keige — impedir. * kyōryaku — ocorrer. * nikon — agora mesmo, agora absoluto. * O recurso ocasional a pensadores ocidentais visa funcionar como ponte hermenêutica para tornar inteligível a intenção soteriológica de Dōgen, cuja seriedade exclui qualquer propósito de mistificação ou jogo lógico desvinculado da experiência. * Uso comparativo não sistemático de referências ocidentais. * Finalidade pedagógica e não comparativista. * Ênfase na intenção soteriológica de Dōgen. * Recusa da obscuridade como fim em si. * A escolha do conceito de uji como eixo interpretativo, ainda que natureza búdica ou genjo possam reivindicar primazia, justifica-se pela necessidade de evitar a assimilação prematura de termos como natureza búdica ou Absoluto a categorias abstratas já familiares que bloqueiam o acesso à radicalidade do pensamento de Dōgen. * Reconhecimento da centralidade possível da natureza búdica. * Risco de reduzir natureza búdica a “Absoluto”. * Crítica à abstração excessiva. * Uji como via privilegiada de compreensão. * A investigação do tempo não pretende aderir a modismos filosóficos, mas esclarecer como algo acontece, entendendo tempo não como mera duração ou medição cronológica, mas como dimensão do acontecer que não exclui a espacialidade. * Distanciamento do fetichismo contemporâneo do tempo. * Referência à seriedade no sentido de Kierkegaard. * Tempo como questão do acontecer. * Inclusão implícita da dimensão espacial. {{tag>Stambaugh tempo budismo}}