===== SER O QUE SE É (2015, 155-157) ===== //SHEEHAN, Thomas. Making Sense of Heidegger: A Paradigm Shift. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015// * A tarefa vital proposta por Heidegger divide-se em um momento analítico e um momento protréptico, sendo o primeiro estruturado em duas etapas — revelar a fonte da significatividade em geral (SZ I.1–3) e depois confirmar e ampliar essa análise mediante uma história da metafísica desde os pré-socráticos até sua culminação moderna — e o segundo orientado a conduzir o indivíduo a assumir pessoalmente sua abertura finita e mortal com consequências transformadoras. * Momento analítico: revelação da fonte da significatividade. * Ampliação histórica: dos pré-socráticos a Platão e à culminação metafísica. * Momento protréptico: transformação existencial da própria vida. * Permanência desse objetivo como finalidade última do projeto filosófico. * Desde o início de sua docência após a Primeira Guerra Mundial, Heidegger exortou seus alunos com Angelus Silesius — Mensch, werde wesentlich! — associando essa convocação ao desafio de Jesus, e reiterou posteriormente a mesma exigência com Píndaro em Ser e Tempo — Werde, was du bist! — insistindo ainda, em 1937–1938, que a questão da verdade implica uma transformação no modo de ser do homem. * Citação de Angelus Silesius (1624–1677). * Referência a Jesus como desafio existencial. * Reiteração com Píndaro em Ser e Tempo. * Afirmação de que a questão da verdade envolve transformação do modo de ser. * O momento analítico, que abrange quase toda a obra de Heidegger, é compreendido como preparação (Vorbereitung) para a entrada pessoal no Ereignis, isto é, para corresponder existencialmente à apropriação da abertura finita. * Analítica como preparação para o ato existencial. * Ereignis como entrada apropriadora. * Pensamento como condição preparatória para tal entrada. * A mera erudição nos textos da Gesamtausgabe, sem ouvir a dimensão protréptica e sem assumir o mergulho transformador, reduz o pensamento a discurso vazio, pois o núcleo da tarefa exige decisão existencial. * Distinção entre domínio textual e transformação pessoal. * Crítica à redução do pensamento a conversa transcendental. * Necessidade do ato transformador. * A primeira divisão de Ser e Tempo e partes significativas da segunda explicam a estrutura da existência como ser lançado adiante em possibilidades até a possibilidade extrema da morte, possibilitando que o homem reconheça e aceite sua mortalidade radical, evocada como θνητάτονον por Plotino e interpretável à luz da expressão agostiniana vivere moriendo. * Existência como ser lançado em possibilidades. * Confronto com a possibilidade última: a morte. * Referência a Plotino (θνητάτονον). * Referência a Agostinho: vivere moriendo. * O jovem Heidegger desenvolve esse programa perguntando o que ocorre quando o significado falha, mostrando que, como seres definidos pelo λόγος, somos destinados ao sentido mas também capazes de experimentar seu colapso em múltiplos níveis. * Condição humana como forma de vida do λόγος. * Possibilidade estrutural de falha do significado. * Investigação do colapso do sentido. * A falha do significado pode ocorrer no nível prático-ôntico quando uma ferramenta deixa de cumprir sua função, no nível lógico-epistemológico quando uma proposição apofântica não corresponde ao que pretende mostrar, no nível paradigmático quando um sistema explicativo como a cosmologia medieval cede lugar a outro, e finalmente no término da vida, quando a relação individual com o significado desaparece. * Exemplo prático: ferramenta inadequada ou quebrada. * Exemplo lógico: juízo falso sobre a localização de um objeto. * Exemplo histórico-paradigmático: substituição de cosmologias. * Extinção definitiva do sentido com a morte individual. * Antes da morte biológica, pode ocorrer uma falha decisiva do significado que se manifesta como angústia (Angst), na qual o colapso do sentido revela a falta de fundamento do engajamento humano com o significado e expõe o caráter “surdo” (surdus) do real frente às tentativas de fundamentação. * Angústia como colapso total do significado. * Revelação da ausência de fundamento. * Uso fenomenológico do termo “absurdo” a partir de surdus. * Nessa experiência, o homem se confronta com o Sein zum Tode não apenas como evento futuro inevitável, mas como modo de ser que já o define desde o nascimento, podendo ouvir o chamado da consciência para assumir a própria falta de fundamento e tornar-se autor de sua vida por meio da resolução. * Morte como modo de ser assumido desde a existência. * Fórmula: “assim que se nasce, já se tem idade suficiente para morrer”. * Chamado da consciência. * Transformação da abertura estrutural (erschlossen) em abertura resoluta (entschlossen). {{tag>Sheehan ser}}