====== SER EM SI E POR SI MESMO (2015:16-20) ====== //SHEEHAN, Thomas. Making Sense of Heidegger: A Paradigm Shift. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015// * A investigação meta-metafísica de Heidegger retoma o ponto em que a metafísica encerrou sua tarefa ao transformar o resultado da Leitfrage no objeto material da Grundfrage, colocando sob exame a própria realidade das coisas — seja como εἶδος, ἐνέργεια ou outras formas históricas — e perguntando não mais por ὄν ᾗ ὄν, mas por οὐσία ᾗ οὐσία, Sein als Sein, isto é, pelo que explica que haja Sein enquanto tal. * Conversão do resultado da Leitfrage em objeto da Grundfrage. * Foco na realidade das coisas enquanto tal. * Formulação da questão como Sein als Sein. * Pergunta sobre como pode haver Anwesenheit enquanto tal. * Indicações textuais: GA14, GA15, GA65, GA88. * O problema decisivo consiste no fato de que muitos estudos tomam Sein como o objetivo final da investigação, quando a intenção de Heidegger é perguntar pelo que fundamenta a possibilidade e a necessidade internas da Offenbarkeit do Sein e sua relação com o homem. * Distinção entre Sein como objeto interrogado e o fundamento de sua Offenbarkeit. * Referências a GA16 sobre a possibilidade e necessidade da abertura do ser. * Ênfase na relação entre Offenbarkeit do Sein e o homem. * Embora Sein seja sempre o ser das coisas — Sein ist jeweils das Sein eines Seienden, conforme SZ — e a metafísica já tenha tematizado essa dimensão, a pergunta heideggeriana radicaliza a investigação ao indagar por que há Sein e como e por que ele se torna presente. * Afirmação de SZ de que o ser é sempre ser de um ente. * Superação da abordagem metafísica tradicional. * Formulação da questão como pergunta pelo porquê e pelo como do vir-a-presença do Sein. * A distinção entre Befragtes e Erfragtes esclarece que Sein, em qualquer de suas encarnações históricas, é o objeto interrogado da questão, ao passo que o Erfragtes, formalmente indicado por um X heurístico, corresponde ao que vier a responder por que há Sein e o que o torna necessário para o comportamento humano. * Sein como Befragtes. * X como indicação formal do Erfragtes. * Diferença entre indicação formal e conteúdo material da resposta. * A analogia da mãe e das crianças ilustra que, assim como a metafísica pergunta pelas crianças em direção à mãe, a questão de Heidegger toma a própria “mãe” — o Sein — como objeto e a interroga quanto à sua origem, deslocando o foco para aquilo que está “por trás” do Sein. * Metafísica: crianças como objeto, mãe como explicação. * Heidegger: o próprio Sein como objeto da nova pergunta. * Movimento regressivo em direção à origem do Sein. * Pensar o Sein prescindindo de sua fundamentação em termos de Seiendes significa interrogá-lo em si mesmo, não como uma Forma superior de ser, mas como aquilo cujo tornar-se-possível deve ser esclarecido. * Referência a GA14 sobre pensar o Sein sem fundamentá-lo nos entes. * Recusa da interpretação de Sein como Super-Sein. * Ênfase no caráter heurístico da expressão “ser em si”. * A expressão das Sein selbst é usada por Heidegger em dois sentidos distintos, ora como nome do Befragtes — o ser das coisas considerado em si — ora como indicação formal do Erfragtes, isto é, daquilo que constitui a essência do ser enquanto Lassen von Anwesen. * Primeiro sentido: Sein selbst como objeto interrogado. * Segundo sentido: Sein selbst como indicação formal da essência do ser. * Referências a GA73, GA14 sobre Wesen des Seins. * Indicação do Woher do Sein como aquilo a partir do qual ele vem a acontecer. * O Woher do Sein é identificado como Ereignis, entendido como a apropriação estrutural da ex-sistência à sua condição própria de clareira aberta, na qual a presença significativa pode perdurar. * Ereignis como Vereignung do homem. * Clareira (Lichtung) como abertura produzida pelo Ereignis. * Referências a GA12, GA14, GA65, GA94. * Fórmula: das Ereignis gibt die Lichtung. * O retorno do Anwesen ao Ereignen constitui o movimento fundamental da questão heideggeriana, no qual a presença significativa é reconduzida à sua origem, e no qual, ao atingir esse nível, não há mais espaço nem mesmo para a palavra Sein. * Expressão do Rückgang vom Anwesen zum Ereignen. * Afirmação de GA15 sobre a ausência de espaço para a palavra Sein. * Superação da linguagem tradicional do ser. * A formulação ambígua “das Sein selbst in dessen Wesen” reúne os dois sentidos de Sein selbst — como Befragtes e como Erfragtes — e explica a confusão recorrente na recepção da obra, confusão que Heidegger reconhece no diálogo com Tezuka. * Primeiras palavras: referência ao objeto interrogado. * Últimas palavras: referência ao resultado buscado. * Diálogo com Tezuka sobre o uso ambíguo de Sein. * Reconhecimento da inevitabilidade da confusão. {{tag>Sheehan ser}}