===== EPOCAL / CLAREIRA (1982:264-267) ===== //SCHÜRMANN, Reiner. Le principe d’anarchie. Heidegger et la question de l’agir. Paris: Seuil, 1982.// * O legein como segunda categoria prospectiva e o “eterno retorno” como segunda categoria retrospectiva exprimem a auto-estruturação, Selbstauslegung, de um campo de presença que, no interior da onto-teologia, se articula em “épocas” marcadas por epéchein como retenção e “esquecimento do ser”, mas que, com as categorias de “mundo”, “coisa”, “favor” e “evento”, exige a substituição da epoché pela Selbstlichtung. * Legein e eterno retorno como auto-interpretação da presença. * Epéchein como retenção da presença ao longo da metafísica. * Tecnologia como intensificação do perigo. * Superação da hipótese de clausura metafísica. * Substituição da época pela auto-iluminação. * A transgressão da clausura metafísica não implica doação plena da presença, pois “mundo”, “favor” e “evento” permanecem atravessados por recusa e retenção, mas a finitude pós-epocal difere da finitude das épocas, exigindo pensar o eon como duplo legesthai que reúne dois “lugares” separados pela clausura. * Permanência de finitude e retenção. * Diferença entre finitude epocal e pós-epocal. * Eon pensado pós-tecnologicamente. * Primeiro lugar: culminação na tecnologia. * Segundo lugar: Lichtung como reunião de espaço e tempo. * No primeiro sentido de reunião, a tecnologia marca o fim da filosofia, enquanto a Lichtung como segundo sentido de reunião opera além do círculo filosófico, permanecendo desconhecida para a própria filosofia. * Tecnologia como culminação da metafísica. * Filosofia “toma fim” na tecnologia. * Lichtung além do traçado filosófico. * Ignorância filosófica da Lichtung. * A Lichtung, aparentada à epoché mas distinta dela, designa não um espaço luminoso estabelecido, mas um evento fulgurante de abertura que une apresentação e ausência, reunindo presença e exclusão sem negar o velamento. * Fulguração e abertura de campo. * Evento de herausstehen. * União de apresentação e ausência. * Diferença em relação à negação epocal. * Presença repartindo lugar aos presentes e ausentes. * A categoria prospectiva de λόγος já operava como assignação de lugar e diferenciação epocal, mas não bastava para pensar o fim das “marcas do ser”, tarefa que cabe à Lichtung, enquanto o “eterno retorno” permanecia preso ao círculo tecnológico de disponibilidade. * λόγος como adução à presença. * Diferenciação das reversões destinais. * Insuficiência do λόγος para pensar a ultrapassagem. * Círculo de disponibilidade do eterno retorno. * Tempo como Lichtung do próprio ser. * A possibilidade de transgredir o regime epocal nasce paradoxalmente do perigo tecnológico, no qual o Ereignis e a Lichtung se tornam pensáveis e as épocas deperecem, deslocando a tarefa do pensamento de “Ser e Tempo” para “Lichtung e presença”. * Essência do perigo como possibilidade de viragem. * Verdade da essência do ser estabelecendo-se no ente. * Deperecimento das épocas. * Abandono da filosofia principial. * Substituição do fundamento pelo precário fenomenal. {{tag>Schürmann legein Lichtung clareira epocal}}