====== EREIGNIS (2006) ====== //POLT, Richard F. H. The emergency of being: on Heidegger’s contributions to philosophy. Ithaca, NY: Cornell Univ. Press, 2006.// * A etimologia de Ereignis deriva de eräugen (trazer à vista), e não de eigen (próprio), mas a semelhança sonora permite a Heidegger fundir os sentidos de "acontecer", "desocultamento" e "pertencimento". * Combinação única de luz (visão) e direito (propriedade/autenticidade). * Transformação dos conceitos para além do uso cotidiano. * Necessidade de não subsumir o termo a categorias rasas de eventos. * Risco de perda de sentido se o termo permanecer isolado sem pontes conceituais. [1, 2] * A classificação de Ereignis como um "evento" é controversa, com tradutores como Emad e Maly evitando o termo para escapar da metafísica linear, embora o próprio Heidegger utilize verbos de movimento e ocorrência nas Contribuições. * Distinção feita por Heidegger em ensaios do pós-guerra. * Argumento de que "evento" implica uma cadeia causal linear (causa sui). * Uso de termos como Zeitigung (maturação/temporalização) e Räumung (espacialização). * Hipótese de que o tempo-espaço ele mesmo "acontece". [3-5] * A fenomenologia dos eventos revela uma hierarquia onde os "eventos reinterpretativos" alteram o modo de ser do agente e sua compreensão de mundo, servindo como analogia para o evento de apropriação. * Nível aristotélico de alteração de acidentes e substâncias. * Eventos de geração e corrupção (nascer e morrer). * Eventos reinterpretativos como crises ou pontos de virada na existência (ex: a menina tímida no teatro). * Irredutibilidade desses eventos à descrição físico-matemática. [6-8] * O Ereignis pode ser compreendido como o evento reinterpretativo supremo e radical, que não ocorre dentro de um mundo, mas funda a própria inteligibilidade, o tempo e o espaço de uma época histórica. * Origem do "como" hermenêutico. * Estabelecimento das condições de verdade para um povo. * Caráter de crise ou emergência onde o sentido emerge. * Anterioridade ontológica sobre qualquer evento na linha do tempo. [9-11] * As Contribuições descrevem a apropriação como um acontecimento histórico inceptivo (Anfang) que envolve o "passar do último deus" e a decisão sobre a proximidade ou distância do divino. * Natureza histórica do ser (Seyn) como envio (Schickung). * Ereignis como o acontecer da verdade e da propriedade. * Recusa da eternidade supratemporal em favor dos "choques do tempo". * O ser "é" apenas em momentos raros e únicos. [12-14] * A dinâmica da apropriação envolve uma reciprocidade ou "virada" (Kehre) onde o ser necessita do ser humano para acontecer, e o ser humano só se torna si mesmo ao ser apropriado por essa necessidade. * Conceito de Gegenschwung (oscilação recíproca). * O ser precisa (braucht) do Dasein como guardião. * Apropriação do ser pelo humano através do questionamento. * Fundação simultânea do ser e do ser-aí. [15] * O evento de apropriação inclui intrinsecamente a expropriação (Enteignung) e o estranhamento, pois a autenticidade exige o confronto com o não-pertencimento e a contingência do mundo. * Papel da angústia e da morte como o "estar fora". * Necessidade do estranhamento para evitar a redução à animalidade. * Tensão entre pertencer e não pertencer como constitutiva. * Crítica à complacência cotidiana. [16] * A emergência (Not) da ausência de emergência (Notlosigkeit) define a crise da época atual, onde o evento de apropriação deve ocorrer como um raio que rompe a indiferença e institui a urgência do ser. * Necessidade enraizada na urgência. * O evento como tempestade do ser. * Decisão que envolve o destino do ser e a escolha humana. [17, 18] * A singularidade do Ereignis não permite contagem numérica, podendo ser entendido como uma possibilidade ampla que abarca uma época ou como picos únicos de tempo que não se repetem identicamente. * Ambiguidade entre evento único e ocorrências plurais. * Conceito de unicidade histórica (Einmaligkeit). * Interplay (Zuspiel) entre o primeiro e o outro início. * Impossibilidade de reduzir o evento a categorias universais ou particulares tradicionais. [19-21] * A incerteza sobre se a apropriação já aconteceu ou é futura situa o discurso de Heidegger entre a filosofia e a profecia, aguardando um momento em que a doação do ser seja ativamente recebida como uma questão vital. * O ser nunca foi, até agora, puramente histórico. * Apropriação oculta versus apropriação experimentada como crise. * O texto como tentativa de pensar o evento para que ele aconteça. [22, 23] {{tag>Polt Ereignis GA65}}