===== "SER" EM LEVINAS (2000:175-177) ===== //ZARADER, Marlène. A Dívida Impensada. Heidegger e a Herança Hebraica. Lisboa: Instituto Piaget, 2000// * Lévinas situa Heidegger o mais distante possível de seu próprio pensamento e dos ensinamentos bíblicos, propondo uma leitura singular que apaga o salto crítico realizado por Heidegger e o insere no vaguear da tradição ontológica, ao considerá-lo não como destruidor, mas como aquele que resume e até exalta toda a corrente da filosofia ocidental. * Distanciamento de Heidegger em relação ao pensamento de Lévinas e à tradição bíblica. * Recusa de distinguir entre tradição ontológica e crítica heideggeriana. * Heidegger apresentado como resumo e exaltação da filosofia ocidental. * Supressão do “salto” heideggeriano. * Inserção de Heidegger no vaguear da tradição que ele próprio denunciou. * No que diz respeito ao termo central ser, Lévinas não o reconhece como o esquecido da tradição ontológica, mas como recapitulação do que a filosofia pensou sob esse nome, razão pela qual insiste em falar de ontologia heideggeriana. * Ser não visto como esquecido da tradição. * Recusa do caráter impensado e retirado do ser. * Identificação do ser heideggeriano com o ser tradicional. * Insistência na designação de ontologia. * A leitura proposta por Lévinas exige riscar ou negligenciar todos os traços pelos quais o ser em Heidegger se distingue do ser da ontologia, interpretando como identidade ou presença constante aquilo que em Heidegger se apresenta como diferença, retirada, resistência à fenomenalidade e vinco separador em relação ao ente. * Redução do ser à presença constante. * Negação da retirada do ser da história. * Afirmação de domínio manifesto na história. * Supressão da resistência à fenomenalidade. * Interpretação da diferença entre ser e ente como anfibiologia. * Reversibilidade entre ser e ente como identificação. * A assimilação do ser heideggeriano à tradição ontológica culmina na tradução levinasiana do ser pela palavra essência, declarada como equivalente ao Sein distinto do Seiendes, mas que ao mesmo tempo carrega toda a herança da ontologia da presença constante que Heidegger havia problematizado. * Uso da palavra essência ou essance. * Identificação explícita com o Sein heideggeriano. * Inclusão da tradição ontológica na noção de essência. * Reintrodução da temática da presença constante. * Ao amputar do ser heideggeriano os traços que o tornavam Outro em relação a todo ente, Lévinas pode opor-lhe um Outro radicalmente distinto, apresentando o “assim ser” não apenas como além do ser da ontologia, mas como diferente do próprio ser heideggeriano previamente reduzido ao Mesmo, isto é, ao ser entendido como identidade do ente. * Supressão da alteridade do ser heideggeriano. * Redução do ser ao Mesmo. * Oposição entre ser reduzido e Outro radical. * “Assim ser” apresentado como além do ser ontológico. * Redução final do ser ao não-diferente do ente. {{tag>Levinas ser}}