====== GADAMER DIANTE DO PROJETO HERMENÊUTICO DE HEIDEGGER (2003) ====== //GRONDIN, Jean. Le tournant herméneutique de la phénoménologie. Paris: PUF, 2003.// * A filiação de Hans-Georg Gadamer ao projeto hermenêutico de Martin Heidegger revela-se indireta e seletiva, visto que aquele rejeita tanto o pathos expressionista da hermenêutica da facticidade quanto a estrutura existencial vinculada à questão do ser. * Recusa da inquietude radical e do despertar de si como fundamentos. * Distanciamento das estruturas fundamentais do Dasein presentes em Ser e Tempo. * Aceitação parcial do descentramento da subjetividade do segundo Heidegger. * Rejeição da hermenêutica da história da metafísica e da limitação das possibilidades de pensamento. * A influência difusa dos três momentos da hermenêutica heideggeriana sobre Hans-Georg Gadamer manifesta-se na apropriação pontual de conceitos da facticidade, do círculo da compreensão e da historicidade da verdade na arte, sem que haja uma adesão estrita a qualquer uma das fases. * Frequência aos cursos do jovem Martin Heidegger a partir de 1923. * Uso do círculo hermenêutico de Ser e Tempo em Verdade e Método. * Ressonâncias do último Heidegger na concepção da pretensão de verdade da obra de arte. * Dificuldade de classificar a obra gadameriana em uma única vertente heideggeriana. * O distanciamento crítico de Hans-Georg Gadamer em relação à história da metafísica fundamenta-se na recusa da existência de uma linguagem metafísica cerrada e impermeável, o que inviabiliza a proposta heideggeriana de um novo início do pensamento. * Dúvida expressa no ensaio de 1968 sobre a redução do discurso ao ente e ao cálculo. * Questionamento da possibilidade de um além da metafísica. * Caráter metafísico da própria ideia de um outro começo. * Concepção do diálogo como inserção em um processo sempre aberto de ampliação da linguagem. * A apropriação do círculo hermenêutico por Hans-Georg Gadamer ocorre desvinculada da ambição ontológica fundamental de Ser e Tempo de revelar o sentido do ser ou as estruturas do Dasein através de uma analítica existencial. * Redefinição da virada ontológica pela tese de que o ser compreensível é linguagem. * Ausência do projeto de anunciar o sentido verdadeiro do ser. * Rejeição da constituição de uma analítica da existencialidade. * Interpretação das fórmulas de Ser e Tempo como resquícios da filosofia transcendental de Edmund Husserl. * A hipótese de uma afinidade profunda com a hermenêutica da facticidade do jovem Martin Heidegger esbarra na constatação de que o projeto de Hans-Georg Gadamer não elege o Dasein individual e o combate à autoalienação como temas centrais de investigação. * Impacto da publicação tardia do volume GA 63 em 1988 na compreensão do tema. * Foco heideggeriano no despertar radical de si mesmo. * Incompatibilidade entre a luta contra a alienação existencial e a hermenêutica gadameriana. * Divergência constitutiva nos objetivos dos projetos filosóficos. {{tag>Grondin Gadamer hermenêutica}}