===== VONTADE DE PODER (2007) ===== //DAVIS, Bret W. Heidegger and the will: on the way to Gelassenheit. Evanston, Ill: Northwestern Univ. Press, 2007.// Há um certo caráter de retroação da vontade de poder; é, finalmente, uma vontade própria, mesmo que esteja sempre a querer para além de si própria. Mas há também um movimento constante para o querer, uma insaciabilidade: "Todo o querer é um querer-ser-mais (ein Mehr-Sein-wollen). O poder só é poder na medida em que, e enquanto, permanecer um querer-ser-mais-poder" (N1 72/60). Assim, embora a vontade seja poder, a expressão "vontade de poder" não é simplesmente redundante. A vontade de poder é a vontade de poder: "Na vontade, enquanto vontade de ser mais, na vontade enquanto vontade de poder, está essencialmente implícito o aumento e a potenciação (die Steigerung, die Erhöhung)" (ibid,). A vontade é o insaciável, sempre em expansão, mas sempre essencialmente para mais do mesmo, "vontade de vontade". Mais tarde, Heidegger desenvolve estes pensamentos de uma forma cada vez mais crítica. ---- * A crítica de Heidegger ao caráter duplo da vontade, explicitada sobretudo nas leituras tardias de Nietzsche, apoia-se já na tese inicial de que a vontade é essencialmente vontade de vontade, isto é, comando e domínio que se estende para além de si mesma em direção ao poder, entendido como a própria essência da vontade. * Referência às leituras de Nietzsche. * Vontade como comando e domínio. * Poder definido como essência da vontade. * Fórmula vontade de poder como vontade de vontade. * Identidade entre vontade e poder. * A vontade de poder apresenta um movimento de retorno a si mesma, sendo auto-querer mesmo ao projetar-se para além de si, e manifesta-se como insaciável querer-ser-mais, implicando essencialmente intensificação e elevação contínuas, sempre como mais do mesmo. * Caráter de auto-retorno da vontade. * Movimento constante de querer mais. * Expressão ein Mehr-sein-wollen. * Implicação essencial de intensificação e elevação. * Expansão incessante como vontade de vontade. * Na formulação de 1943, a vontade é descrita como querer-ser-senhor, não como simples desejo ou esforço, mas como comando que já possui aquilo que quer, pois quer sua própria vontade, superando-se e ao mesmo tempo colocando-se sob si mesma, conforme a interpretação de Nietzsche em A Vontade de Poder. * Definição como Herr-sein-wollen. * Distinção entre vontade e mero desejar. * Comando como essência do querer. * A vontade quer sua própria vontade. * Movimento de ultrapassagem de si. * Citação de Nietzsche, seção 675. * A dinâmica da vontade de poder exige tanto a intensificação contínua quanto a preservação do nível alcançado, pois qualquer pausa na elevação já constitui início de declínio, ao mesmo tempo em que a conservação é condição necessária para novo aumento. * Impossibilidade de repouso na intensificação. * Pausa como início de declínio. * Necessidade de preservação do poder. * Relação recíproca entre aumentar e assegurar. * A vontade de poder implica a posição de condições para a conservação e para a intensificação do poder, momentos intrinsecamente ligados que pertencem estruturalmente ao próprio querer. * Machterhaltung e Machtsteigerung. * Posicionamento ativo de condições. * Unidade estrutural entre conservar e aumentar. {{tag>"Bret Davis" vontade-de-poder}}