===== POSSIBILIDADE DA NÃO-VONTADE (2007) ===== //DAVIS, Bret W. Heidegger and the will: on the way to Gelassenheit. Evanston, Ill: Northwestern Univ. Press, 2007.// * A suspeita nietzschiana de que toda tentativa de negar integralmente a vontade apenas a encobre sob formas sublimadas, como no caso do “sacerdote ascético”, sustenta que qualquer libertação aparente da vontade resulta em querer disfarçado e que a própria ideia de um Nicht-Wollen seria, segundo Nietzsche, uma fábula insensata. * Figura do sacerdote ascético como exemplo de sublimação da vontade. * Conceito de querer encoberto ou covert-willing. * Crítica à possibilidade de não-vontade como ilusão. * Embora consciente dessa crítica de Nietzsche, Heidegger recusa considerar a vontade como letzte Faktum universal, situando sua predominância na Seinsgeschichte como culminação epocal da metafísica e entendendo-a como essência histórica do homem moderno, inclusive como alienação em relação a uma essência não histórica de não-vontade. * Distinção entre verdade metafísica universal e determinação histórica. * Vontade como essência histórica no período moderno. * Alienação da essência não histórica de não-vontade. * Superação da crítica nietzschiana como tarefa de pensamento. * A reflexão final retorna à questão de saber se o outro começo da não-vontade estaria definitivamente além do problema da vontade, considerando que o pensamento heideggeriano oscila entre a desconstrução interna da tradição e a expectativa de ruptura abrupta, correspondendo a crítica da vontade e à insinuação de um modo totalmente outro de ser. * Dupla estratégia: desconstrução interna e ruptura externa. * Crítica incessante da vontade. * Insinuação de um modo de ser como não-vontade. * Interrogação sobre abandono definitivo da problematização da vontade. * A tensão no pensamento de Heidegger acerca de um tempo pós-epocal de não-vontade opõe a visão de uma superação total da história metafísica da vontade ao reconhecimento de um problema não histórico do querer, implicando que o outro começo pode significar não erradicação, mas vigilância permanente diante da finitude. * Ideia de tempo além da metafísica da vontade. * Crítica à “vontade de finalização”. * Possibilidade de problema não histórico do querer. * Manutenção da tensão entre crítica e ruptura. * A evocação de imagens apocalípticas do fim da história niilista da vontade, como o colapso do mundo e o Untergang que precede a jähe Weile des Anfangs, projeta um amanhecer de uma ganz andere Weise de ser onde não restaria sequer traço da vontade, nem mesmo vontade de negar a vontade. * Referência a VA 69/68. * Ideia de Frühe eines ganz anderen Weltalters. * Supressão até da vontade de não-vontade. * Gelassenheit como não-vontade pura. * A suspeita crítica diante de soluções apocalípticas e utopias de superação definitiva do conflito das vontades conduz à hipótese de que o outro começo não elimina o problema do querer, mas o mantém aberto em vigilância, permitindo que momentos de não-vontade emerjam no reconhecimento de uma finitude nunca totalmente superável. * Dúvida sobre dissolução total do problema da vontade. * Não-vontade como possibilidade em tensão com o querer. * Vigilância como condição da abertura. * Reconhecimento da finitude. * A compreensão heideggeriana da verdade como aletheia implica que o outro começo não suprime o ocultamento, mas supera o duplo ocultamento da metafísica, despertando para o jogo originário de revelar e ocultar que caracteriza a essência da verdade. * História da metafísica como esquecimento do revelar/ocultar. * Superação do duplo ocultamento. * Manutenção do jogo de revelação e retração. * Em Beiträge zur Philosophie (GA65), a essência do beyng é descrita como nunca plenamente dizível, mantendo-se como Abgrund que retém seu caráter abissal mesmo quando fundamentado no outro começo. * Referência a GA65:460. * Essência do beyng como não conclusivamente dizível. * Abismo como traço essencial. * Na conferência “Time and Being” (ZSD) e no seminário associado, Ereignis é pensado tanto como o não histórico que envia as épocas quanto como o evento histórico do despertar que põe fim à história da metafísica como esquecimento do ser. * Duplo sentido de Ereignis. * Ereignis como das Schickende. * Despertar como fim da história do esquecimento. * O despertar para Ereignis não elimina o ocultamento, mas faz com que ele não mais se oculte a si mesmo, distinguindo-se das épocas metafísicas e afastando concepções utópicas de superação total da negatividade, ao mesmo tempo em que afirma a finitude inclusive de Ereignis. * Enteignis como pertencente a Ereignis. * Concealment que não se oculta mais. * Rejeição de utopia pós-negativa. * Finitude de Ereignis. * A sugestão interpretativa propõe que o problema do querer permanece como traço ineradicável da finitude humana, exigindo pensar uma duplicidade do querer, tanto como determinação histórica da modernidade quanto como Unwesen não histórico que acompanha a não-vontade. * Distinção entre “a vontade” histórica e problema não histórico do querer. * Conceito de Unwesen. * Finitude como condição permanente. * O outro começo não extinguiria totalmente o problema da vontade, mas manteria uma abertura vigilante que permite a concessão e retração da não-vontade, evitando fundamentá-la como presença permanente e reconhecendo um excesso dissonante originário que pode ser denominado ur-willing. * Vigilância como modo de abertura. * Jogo de presenciar e ausentar. * Excesso dissonante originário. * Introdução do termo ur-willing. {{tag>"Bret Davis" vontade Ereignis Nicht-Wollen}}