===== ESCATOLOGIA DO SER (2007) ===== //DAVIS, Bret W. Heidegger and the will: on the way to Gelassenheit. Evanston, Ill: Northwestern Univ. Press, 2007.// * A atenção originária do pensar torna-se necessariamente pensamento genuíno como pensamento que estabelece fins, instituindo como fim singular da história o próprio buscar do Seyn e realizando esse buscar como achado mais profundo quando o homem se torna preservador da verdade do Seyn, guardião e cuidador da quietude, e nisso se decide. * Pensamento genuíno definido como pensamento que põe fins. * Fim singular: das Suchen des Seyns como meta única da história. * Achado mais profundo: tornar-se preservador da verdade do Seyn. * Guardião e cuidador da quietude como figura do preservar. * Entscheiden como decisão que fixa o homem nessa guarda. * Em Contributions to Philosophy permanece uma busca por uma vontade própria descrita como buscar que fixa um objetivo histórico supremo e único, para o qual a preservação do Volk é apenas condição, e cujo alvo é o outro começo pelo qual o homem entra num domínio inteiramente outro de história. * Vontade própria apresentada como seeking que estabelece um objetivo. * Objetivo supremo e histórico como singularidade normativa. * Preservação do Volk como condição e não como fim. * Outro começo como meta do buscar. * Entrada do homem em domínio histórico inteiramente outro. * O buscar que estabelece fins não é a voluntariedade de um sujeito egocêntrico e o objetivo visado é ele mesmo um buscar como cuidado, de tal modo que o fim querido é a realização da essência própria do homem como buscador, preservador, guardião e cuidador da verdade do ser, porque cuidado é o traço fundamental do Dasein. * Distinção entre vontade própria e vontade egocêntrica. * Objetivo como seeking qua care-taking. * Essência humana como seeker/preserver/guardian/caretaker. * Cuidado como traço fundamental do Dasein. * Mesmo assim, a estrutura escatológica de estabelecer/buscar/querer o objetivo supremo de um outro começo para todo o Ocidente, sob condução dos poucos e raros do Volk alemão, conserva resíduos de subjetividade voluntariosa ao mesmo tempo em que pretende superar a época da subjetividade. * Escatologia como forma de objetivo supremo para o Ocidente. * Liderança dos poucos e raros do Volk alemão como figura de condução. * Resíduos de vontade subjetiva no gesto de superar a subjetividade. * Estrutura de finalidade preservada apesar da crítica à subjetividade. * Mesmo quando deixa de se falar numa vontade para um fim, subsiste uma estrutura escatológica e com ela resíduos problemáticos de uma vontade de finalidade, interrogando-se se o gesto de ultrapassar a subjetividade não conserva uma orientação a resultados finais. * Persistência da escatologia após o abandono do vocabulário de vontade a um fim. * Vontade de finalidade como resíduo. * Problema de resultados definitivos como traço remanescente. * Superação da subjetividade sob suspeita de finalismo. * Haar identifica na escatologia do ser uma proximidade e uma distância máximas em relação a Hegel, pois o fim da história da metafísica permite pela primeira vez ver o todo da história, ao mesmo tempo em que Hegel é situado como fase interna da própria história do ser. * Proximidade: visão do todo ao final da história da metafísica. * Distância: inscrição de Hegel como etapa no interior da história do ser. * Escatologia do ser como chave comparativa. * Totalidade histórica como efeito do término. * Pensar a escatologia do ser de modo correspondente à Fenomenologia do Espírito significa pensar a partir da história do ser, onde a própria Fenomenologia constitui uma fase em que o ser se reúne na ultimidade de sua essência determinada pela metafísica como subjetidade absoluta da vontade incondicionada de querer, exigindo antecipar a aurora antiga na aurora vindoura e ponderar o antigo a partir do iminente. * Correspondência metodológica com a Fenomenologia do Espírito. * Hegel como fase na escatologia do ser. * Reunião do ser na ultimidade como subjetidade absoluta. * Vontade incondicionada de querer como determinação. * Anticipação do antigo começo na aurora por vir. * Iminente como via de ponderação do antigo. * O iminente é um giro na história do ser para além da vontade, tornado possível por uma reunião da história do ser na ultimidade de seu destino, onde a escatologia é definida como a reunião (logos) no ponto extremo (eschaton) da essência até então. * Turning além da vontade como iminência. * Reunião da história do ser na ultimidade do destino. * Logos como gathering em eschaton. * Escatologia como estrutura do reunir no extremo. * A reunião do essencial passado (Gewesenes) que atravessa a tradição sem ter sido pensado como o inicial (Anfangende) pode repetir o gesto de uma vontade metafísica de anamnesis retrospectiva análoga ao saber absoluto, ainda que o hegelianismo seja situado como marco da época moderna da subjetividade voluntariosa. * Gewesenes como passado essencial que prevalece na tradição. * Não-pensamento do inicial como traço da tradição. * Anamnesis retrospectiva como gesto totalizante possível. * Saber absoluto como paralelo formal. * Hegel como landmark da subjetividade moderna. * A abertura ao ainda-não-pensado na tradição e além dela, expressa como provisionalidade do próprio pensamento e como finitude do pensar e do pensável, distingue radicalmente esse caminho do querer totalizante do sistema hegeliano. * Abertura ao not-yet-thought dentro e fora da tradição. * Vorläufigkeit como condição do pensar. * Finitude do pensar e do pensável como tese. * Ruptura com a totalização do absoluto. * A referência simultânea à unidade da metafísica e a um outro começo complica qualquer inversão simples do hegelianismo, pois a apresentação da metafísica em sua unidade é atravessada pela menção a um começo outro. * Unidade da metafísica como apresentação. * Outro começo como complicação estrutural. * Inversão simples do hegelianismo como insuficiente. * Co-presença de unidade e abertura ao outro início. * Abandonar o modelo hegeliano ao afirmar o fim da História do Ser e a necessidade de deixar a metafísica a si mesma rompe com a sublação (Aufhebung) sistemática, mas precisamente ao apontar para um começo radicalmente outro por salto decisivo fora da tradição emerge a suspeita de uma vontade de ruptura limpa, isto é, uma vontade de finalidade. * Fim da História do Ser como ruptura com Hegel. * “Deixar a metafísica a si mesma” como gesto de não-sublar. * Salto decisivo para fora da tradição. * Vontade de ruptura limpa como forma de finalismo. * Vontade de finalidade como efeito colateral do anti-hegelianismo. * O resíduo de vontade de finalidade remete aos aspectos voluntaristas e fatalistas do decisionismo dos anos 1930, pois mesmo quando a decisão é enfatizada como evento de cisão entre épocas e não como feito humano, persiste o problema de querer soluções definitivas e de encerrar de uma vez por todas a tarefa vigilante de expor reinscrições no domínio da vontade. * Decisionismo dos anos 1930 como fonte de resíduos. * Decisão como evento de cisão epocal. * Desejo de soluções definitivas como problema persistente. * Tarefa vigilante de desvelar turnabouts e reinscrições. * Encerramento definitivo dessa vigilância como traço suspeito. * A vontade suspeita de finalidade aparece como vontade de varrer o domínio da vontade de uma vez por todas, configurando uma vontade não problematizada de não-querer. * Vontade de eliminação total do domínio da vontade. * Não-querer como alvo absolutizado. * Não-problematização como defeito estrutural. * Finalismo como forma de não-querer. * Interroga-se se o outro começo implica um tempo-espaço em que o não-querer estaria plenamente revelado e sua possibilidade finalmente atualizada, ou se tal projeção de superação final (Überwindung) reconduz a uma vontade de resultados finais, ao passo que a preferência por Verwindung sugere antes recuperar-se e lidar com o problema da vontade. * Outro começo como tempo-espaço além da metafísica da vontade. * Non-willing como possibilidade de plena desocultação. * Überwindung como risco de finalismo. * Verwindung como recuperar-se e suportar/administrar. * Problema da vontade como tarefa contínua. * Sustenta-se que nunca houve época totalmente separada da possibilidade não-histórica ou in-histórica do não-querer e que nunca poderia haver um lugar utópico totalmente livre de traços do problema do querer, de modo que o querer não se esgota nos períodos da metafísica e persiste como problema não erradicável, não-histórico e sempre apenas historicamente ocorrente, denominado ur-willing. * Não-querer como possibilidade in-histórica jamais ausente. * Impossibilidade de utopia sem traços de querer. * Querer não contido exaustivamente nas épocas da metafísica. * Problema não erradicável e não-histórico do querer. * Ur-willing como nome desse problema. * A possibilidade do não-querer como Wesen não é plenamente atualizável nem plenamente eliminável porque permanece em luta com o excesso dissonante não-histórico como Unwesen do ur-willing. * Non-willing como essência (Wesen) do homem. * Não-atualização definitiva do não-querer. * Não-erradicação definitiva do querer. * Strife entre Wesen do não-querer e Unwesen do ur-willing. * Excesso dissonante como fundo persistente. {{tag>"Bret Davis" ser}}