===== O INTRAMUNDANO (1999:56-57) ===== //BLATTNER, William D. Heidegger’s temporal idealism. Cambridge, U.K. ; New York: Cambridge University Press, 1999.// * O termo “queda” desloca-se na arquitetônica de Heidegger e deve ser tratado como ambíguo, sendo necessário distinguir os fenômenos a que se aplica, especialmente quando §41 reconstrói a estrutura do cuidado ao caracterizar a existencialidade como ser-adiante, a facticidade como já-ser-em e coordenar a ambos o ser-junto (Sein bei), entendido como o modo pelo qual Dasein está em meio aos entes intramundanos. * §41 redefine existencialidade como ser-adiante. * A facticidade é caracterizada como já-ser-em. * O ser-junto é coordenado com essas determinações. * A queda pertencente ao cuidado identifica-se com o ser-junto. * Dasein é descrito como estando em meio a entes que aparecem intramundanamente. * O ser-junto designa o comércio essencial de Dasein com entes que aparecem no interior do mundo, sendo inicialmente apresentado em §12 como familiaridade com o mundo, embora a distinção posterior em §14 entre mundo enquanto meio social concreto e “mundo” enquanto totalidade de entes intramundanos esclareça que se trata da familiaridade com os entes do “mundo” técnico. * Em §12, ser-junto conota familiaridade ambiental. * Em §14, distingue-se mundo como meio social e “mundo” como totalidade de entes. * O mundo é o âmbito em que Dasein vive. * O “mundo” é a totalidade de entes que podem ocorrer no mundo. * A formulação posterior especifica o ser-junto como familiaridade com entes intramundanos. * O ser-no designa a familiaridade básica de Dasein com o mundo. * Dasein está no mundo e em meio ao intramundano. * Fenomenologicamente, o ser-junto não constitui relação causal ou objetiva entre Dasein e entes intramundanos, mas modo existencial de familiaridade que distingue Dasein dos entes simplesmente localizados, pois “ser” enquanto infinitivo de “eu sou” significa residir e estar familiarizado com. * §12 distingue localização espacial de ser-junto existencial. * Dasein é familiar com seu mundo e com os entes nele. * A expressão “eu sou” implica residir e habitar. * Ser significa estar familiarizado. * O mundo não é estranho nem desconhecido a Dasein. * A familiaridade com o intramundano equivale a absorção no mundo da ocupação, fundada no ser-no-mundo e reiterada em §41 como o fato de que a existência fática é sempre já absorvida no mundo de sua preocupação. * O ser-junto é fundado no ser-no. * A absorção é caracterizada como Aufgehen na Welt. * A existência fática é lançada como poder-ser-no-mundo. * Essa existência é sempre já absorvida no mundo da ocupação. * A queda integra essa estrutura de absorção. * A absorção no intramundano manifesta-se no uso constante de utensílios e condições práticas em toda atividade, inclusive teórica, sem implicar necessariamente fixação temática nos instrumentos empregados. * Compras envolvem uso de carro, carrinho e dinheiro. * Toda atividade supõe comércio com entes intramundanos. * A pesquisa teórica possui sua própria práxis. * O disponível retira-se em sua disponibilidade. * A atenção concentra-se na tarefa, não nos utensílios. * A absorção não é necessariamente temática. * A absorção pode ser compreendida como ocupar-se com o intramundano, mesmo sem atenção explícita, o que se evidencia em descrições fenomenológicas do agir cotidiano e em análises desenvolvidas por Dreyfus (1979, 1991) e Dreyfus e Dreyfus (1986). * O ocupar-se pode ocorrer de modo habitual e não consciente. * No exemplo de Jones fazendo compras, há controle habitual do carrinho. * Ao assistir a um jogo de beisebol, Jones ajusta o corpo, bebe refrigerante e manipula objetos sem tematização. * Grande parte da interação com o ambiente ocorre de modo subliminar. * Nessas ações, Dasein ocupa-se continuamente com as coisas do entorno. {{tag>Blattner intramundano}}