====== REVOLUÇÃO E LIBERDADE (FREE) ====== //ARENDT, Hannah. Liberdade para ser livre. Tr. Pedro Duarte. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2018// * A palavra revolução, antes das grandes revoluções do fim do século XVIII, possuía sentido astronômico de movimento circular e recorrente e foi empregada politicamente para designar restaurações de uma ordem preordenada, como em 1660 no restabelecimento da monarquia inglesa após Cromwell e o Parlamento Coto, bem como na Revolução Gloriosa e na inscrição do Grande Selo de 1651 que proclamava “liberdade pela graça de Deus restaurada”. * Uso genérico comparado à palavra guerra. * Origem astronômica como movimento eterno dos corpos celestes. * Emprego metafórico como retorno a um ponto anterior. * Cromwell e restauração monárquica de 1660. * Revolução Gloriosa concebida como restauração. * Inscrição de 1651 como expressão de restauração da liberdade. * O significado originário de revolução como restauração esclarece que as revoluções do século XVIII irromperam inicialmente com o propósito de restaurar a liberdade, conforme testemunhos de John Adams na América e de Tocqueville na França, e somente ao longo do processo adquiriram o sentido de início inteiramente novo, momento em que Thomas Paine chegou a propor que fossem chamadas de contrarrevoluções para afastar a suspeita e o ódio associados a um começo absoluto. * John Adams e a ausência de expectativa revolucionária prévia. * Tocqueville e a crença na restauração do antigo regime. * Transformação semântica da palavra revolução durante os eventos. * Proposta de Thomas Paine de denominá-las contrarrevoluções. * Temor diante da ideia de um início absolutamente novo. * A mentalidade dos primeiros revolucionários foi marcada por um horror quase instintivo diante do inteiramente novo, contraste que se evidencia quando comparado à familiaridade moderna com a busca científica e filosófica por novidades. * Ansiedade moderna por coisas nunca vistas. * Distância entre mentalidade revolucionária inicial e mentalidade científica posterior. * O pathos da nova era, expresso no novus ordo seclorum inscrito nas notas de dólar, emergiu apenas quando os atores das revoluções atingiram um ponto sem retorno e reconheceram a irreversibilidade do processo. * Insistência de atores e espectadores na novidade sem precedentes. * Novus ordo seclorum como símbolo da nova ordem. * Experiência histórica do ponto sem retorno. * No fim do século XVIII, a tentativa de restaurar antigos direitos converteu-se em abertura de um futuro não circular, transformando também o sentido de liberdade, que inicialmente significava apenas direitos civis restaurados e não participação política, até que se afirmasse a ideia revolucionária de direitos inalienáveis universais e se distinguisse libertação de liberdade, culminando na exigência de uma república conforme a reivindicação retrospectiva de Thomas Jefferson sobre a disputa entre governo republicano e realeza. * Direitos civis como liberdade negativa. * Ausência inicial do direito de participação política. * Universalização dos direitos inalienáveis. * Distinção entre libertação da opressão e liberdade política. * Possibilidade de libertação sob monarquia não tirânica. * Necessidade de forma republicana para liberdade política. * Declaração retrospectiva de Thomas Jefferson. * Paixão por nova liberdade política anterior à clara formulação institucional. * Nenhuma revolução foi iniciada pelas massas oprimidas nem por conspirações ou partidos revolucionários, sendo antes possível apenas onde a autoridade política já se desagregara, isto é, onde as Forças Armadas deixaram de sustentar o poder civil, de modo que revoluções são consequência e não causa da derrocada da autoridade e obtêm êxito inicial porque o poder é simplesmente recolhido das ruas por aqueles dispostos a assumi-lo. * Les malheureux, les misérables, les damnés de la terre como retórica posterior. * Ausência de revoluções iniciadas por sociedades secretas. * Desintegração prévia do regime como condição necessária. * Obediência das Forças Armadas como critério de estabilidade. * Revolução como consequência da perda de autoridade. * Sucesso inicial pela captura de poder abandonado. {{tag>Arendt liberdade}}