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obra:ga83:agostinho

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 +====== Agostinho ======
  
 +//Seminare: Platon - Aristoteles - Augustinus [2012]//
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 +**EINLEITUNG - DIE ZEIT BEI ARISTOTELES**
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 +O tema da investigação é delimitado externamente seguindo o procedimento habitual, tomando como fio condutor os capítulos XI 14-30 das Confissões de Agostinho.
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 +A compreensão corrente das Confissões como autobiografia acompanhada de reflexões sobre o Gênesis é insuficiente, pois a obra se divide em livros dedicados ao "eu" (I-X) e à Escritura (XI-XIII).
 +
 +A delimitação arbitrária do tema deve ser superada mediante um esforço de penetração no conteúdo, de onde se pode obter esclarecimento sobre a conexão interna e, talvez, a compreensão autêntica da obra.
 +
 +Os escritos de Agostinho possuem caráter literário diverso, e as Confissões (400 d.C.) articulam-se em atos de acusar-se, louvar a Deus, expor as misérias próprias e as misericórdias divinas, num movimento de amor e busca.
 +
 +As investigações fundamentais sobre o tempo situam-se nas perspectivas de Aristóteles, Agostinho e Kant.
 +
 +A Física de Aristóteles estabelece a conexão entre tempo, movimento e o contínuo, sendo o tempo algo que pertence à natureza do movimento.
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 +O tempo não é movimento, mas algo do movimento, sendo definido como número do movimento segundo o antes e o depois, implicando as operações de contar e medir.
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 +**A TEMÁTICA DO TEMPO NAS CONFISSÕES**
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 +A pergunta "quid est enim tempus?" é extraída de seu contexto mais amplo, evidenciando a dificuldade da resposta e, ao mesmo tempo, a familiaridade do que está em questão.
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 +A familiaridade com o tempo se manifesta na linguagem de modo expresso (agora, então, antes, depois) e de modo implícito (verbos no pretérito, presente e futuro), além do trato cotidiano com o tempo (ter tempo, perder tempo, tomar tempo).
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 +A fórmula conhecida do que é o tempo não indica o que ela propriamente visa, e Agostinho afirma que sabe o que é o tempo, desde que ninguém lhe pergunte.
 +
 +A investigação apoia-se em três experiências fundamentais: o saber sobre o tempo, o dizer "longo" e "breve" apenas do passado e futuro, e o sentir e medir as durações.
 +
 +**AS TRÊS EXPERIÊNCIAS FUNDAMENTAIS SOBRE O TEMPO**
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 +O "scio" (sei) indica que sem o que passa não há tempo passado, e que o tempo presente não pode ser longo, pois se for sempre é eternidade, e se não é sempre, transcorre.
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 +O dizer "longum tempus" aplica-se apenas ao passado e ao futuro, e a investigação mostra que nem o passado, nem o futuro, nem o presente podem ser longos: os dois primeiros porque não são, o presente porque não tem extensão.
 +
 +O fato de medirmos o tempo, ainda que argumentativamente impossível, é uma experiência fundamental que nos remete ao primado do presente na abordagem do tempo a partir do medir.
 +
 +A percepção dos intervalos (sentimus intervalla) é uma experiência fundamental que concerne ao sentire, compreendido como perceber, sentir, tomar algo como dado.
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 +O tempo é apreendido como o que passa diante de nós (praetereuntia), e sua medição refere-se ao "quanto tempo" algo dura em comparação com outra coisa.
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 +**O PROBLEMA DO SER DO PASSADO E DO FUTURO**
 +
 +Contra o não-ser do passado e do futuro, argumenta-se que, de fato, nos voltamos para eles, narrando o passado (narrare) e prevendo o futuro (praedicere, praemeditari), o que indica que eles são, de algum modo.
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 +A nova experiência fundamental do capítulo 17 é o voltar-se para o passado como sendo, o que conduz à pergunta pelo "onde" (ubi) do passado e do futuro, que está "no oculto" (in occulto).
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 +A pergunta "quaero" (cap. 17) prepara um novo questionamento que busca fixar o que propriamente deve ser perguntado para interrogar retamente o tempo, em vez de apenas argumentar a partir do imediato.
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 +As experiências fundamentais mostram que o passado e o futuro são, e a pergunta passa a ser: se são, onde estão? O "onde" refere-se ao modo de ser do passado e do futuro.
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 +A ambiguidade da palavra "Vergangenheit" (passado) abrange tanto o que passou (a coisa passada) quanto o ter-passado (o passado como tal), e a pergunta dirige-se a este último.
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 +**A BUSCA POR UM NOVO ACESSO AO TEMPO**
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 +A questão do tempo conduz à pergunta pelo ato de representar (Vorstellen) e pela intencionalidade, bem como pela transcendência, que remetem à essência do homem.
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 +O problema agostiniano, enraizado nas Confissões, articula-se em torno do tríplice: esse (ser), nosse (conhecer), amare (amar).
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 +A investigação não se detém nas coisas intramundanas (res ipsae), mas visa o caráter temporal como tal, que se manifesta na memória (memoria) e na pré-meditação (praemeditatio) como modos de presença.
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 +O exemplo da aurora (intueor auroram) mostra que as coisas passadas são narradas verdadeiramente quando se contempla a imagem (imaginem intueri), não as próprias coisas.
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 +A imagem (imago, species, eidos) não é uma cópia, mas o aspecto do que é recordado ou antecipado, sendo o olhar para trás (Rückblick) ou para diante (Vorblick) constitutivo desses atos.
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 +**A MEMÓRIA COMO VER-GEGENWÄRTIGUNG**
 +
 +Recordar-se de uma caminhada não é apenas ter uma lembrança, mas implica que o próprio "eu" está co-recordado, e não como objeto ao lado de outros, mas como ter-estado-presente (Dabeigewesensein).
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 +O ter-estado-presente afeta o "eu" e é a partir dele que a coisa (a casa, a fonte) adquire sua condição de passada (Gewesenheit), pois a coisa "em si" ainda pode estar presente, mas sua passado só se dá no meu ter-estado-presente.
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 +A recordação é um modo de ver-gegenwärtigung (tornar presente novamente), não um mero presentificar, mas um trazer para a presença e reter, um "colocar-se" (sich versetzen) no que foi, o que já é uma maneira de estar fora de si (Transzendenz).
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 +As imagens (imagines, species) são o aspecto do lembrado, não como uma cópia presente diante de mim, mas como o próprio visado, que não é algo presente no agora, embora a imagem possa estar presente na memória como vestígio.
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 +A concepção agostiniana do presente (praesens) como algo que está presente de/sobre (imago, signum) visa apenas um meio presente, e não capta o ser-passado e o ser-futuro em si mesmos, permanecendo numa compreensão inadequada.
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 +A memória é produtiva (reprodutiva e produtiva) no sentido de que forma imagens, mas não arbitrariamente, pois está vinculada à intencionalidade e à transcendência, em oposição à doutrina das faculdades.
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 +**A MEMORIA COMO VER-GEGENWÄRTIGUNG EM AGOSTINHO**
 +
 +A memória (memoria) não está separada do reter (behalten), e tudo o que é passado, futuro e presente é trazido para uma unidade de presença (quasi praesentia) por meio da imaginação (Einbildungskraft), que não pode trazer as próprias coisas.
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 +Trata-se de um "colocar-se em situação" (Sichwersetzen) em que não se perde, mas se mantém consigo mesmo, pois o "si mesmo" (Selbst) é o tempo, ou está de tal modo relacionado com ele.
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 +O ato de lembrar (memini) está em confronto com as trevas do esquecimento (tenebrae oblivionis), que são tão constitutivas quanto a memória.
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 +A imagem (imago, signum) é ambígua: pode ser algo presente que remete a outra coisa (praesens de...), ou algo que, em si mesmo, remete e traz à presença (Gegenwärtig-Sein).
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 +O presente pode ser entendido como algo que está presente (Anwesendes) ou como um ato de presentificar (Gegenwärtigendes).
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 +Não se deve dizer que há três tempos (passado, presente, futuro), mas que há três modos do presente: o presente do passado (memória), o presente do futuro (expectativa) e o presente do presente (contuição).
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 +**A QUESTÃO DA MEDIÇÃO DO TEMPO E A DISTENTIO**
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 +A pergunta decisiva é: o que medimos quando medimos o tempo? (Kapitel 21). Medimos algo que passa (praeteriens), e isso requer um "espaço" (spatium) no qual o tempo que passa é medido.
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 +A pergunta "in quo spatio metimur tempus praeteriens?" só pode ser respondida após a compreensão da memória, expectativa e contuição (Kapitel 17-20), que revelam o modo de ser do tempo.
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 +A atitude de questionar (quaerere) é uma súplica a Deus ("da quod amo"), um pedido para que Ele seja o que é, num ato de amor que deixa o ente ser o que é (Seinlassen).
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 +A distinção entre o movimento (motus) e o tempo é fundamental: o tempo não é o movimento dos corpos, pois mesmo que o sol parasse, o tempo continuaria a passar.
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 +O tempo é o "em que" (quo) medimos o movimento, e não o movimento em si (quod), sendo o próprio "espaço" (spatium) do medir.
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 +A medição do tempo implica a fixação de pontos de referência (von-bis), e a datação (Datierung) primária não é apenas local, mas "eu-lica" (ichliche Datierung), constituindo-se na transcendência.
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 +A questão do "como" medimos, com o tempo (tempore metior), leva à "nossa dimensão" (nostra dimensio), que é o nosso próprio ato de estender e medir, e que revela a nossa condição de estendidos (distentio).
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 +**A DISTENTIO COMO CARÁTER FUNDAMENTAL**
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 +A distentio (dis-tensão) é o caráter fundamental do tempo e da vida (vita), que se manifesta como um estender-se disperso (zerstreutes Sicherstrecken) e, ao mesmo tempo, como a possibilidade de recolhimento (Sammlung).
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 +A distentio é o fundamento tanto da dispersão (Zerstreuung) quanto da recolha, e a medição do tempo, que implica comparação e cálculo, ocorre na dispersão, enquanto o recolhimento se dá na extensão para o que está diante (extentio in id quod ante est).
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 +A "afecção" (affectio) é ambígua: pode ser um estado presente ou o que é presentificado, e o que se mede é a afecção que permanece (affectionem manentem), ou seja, o que é retido (Behaltene).
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 +O tempo medido é, portanto, o retido num reter (Behalten), e isso ou é o tempo, ou não medimos o tempo quando o medimos.
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 +A distentio como abertura (Geöffnetheit) do ser-para-fora de si (ekstatisches Wesen) é o que torna possível a datação, pois o "agora" (Jetzt) é sempre um "agora, quando..." (jetzt, da...).
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 +A pergunta "quis tenebit?" (quem reterá?) remete à possibilidade de estabilidade (Stehen) e de recolhimento em Deus ("stabo in te"), que é o fundamento para a compreensão autêntica do tempo.
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 +**O RESULTADO DA INVESTIGAÇÃO: TEMPO E EXISTÊNCIA**
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 +O resultado da investigação não é apenas o que é o tempo, mas que o que o tempo é pertence ao modo de ser do próprio homem, à sua existência.
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 +A resposta à pergunta "quid est tempus?" é o desvelamento (patefacere) do próprio "eu", e isso é a confissão (confessio), que é o ato de abrir as misérias próprias e as misericórdias divinas.
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 +O tempo é a distentio, que mostra a possibilidade da extentio, do voltar-se para o que está diante (in ea quae ante), e essa é a essência da existência (Ex-sistenz) do homem: não porque está no tempo, mas porque o tempo é a sua própria essência.
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 +A essência do homem (quid est homo?) e a pergunta pelo tempo são idênticas, e a confissão é o modo de questionar que corresponde a essa identidade.
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 +O tempo é a condição de possibilidade tanto da dispersão (zerstreutes Sicherstrecken) quanto da recolha (Sammlung), e a medição do tempo é uma necessidade existencial, não um mero acidente.
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 +A tríplice estrutura da existência temporal (memória, atenção, expectativa) é a própria essência do Dasein (ser-aí) como distentio, e a pergunta pelo tempo é, em última instância, a pergunta pelo ser do homem.
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 +**CONFISSÃO E A PERGUNTA PELO TEMPO**
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 +A pergunta "quis tenebit?" não é uma indagação abstrata, mas a pergunta pelo modo como o homem se mantém (stet) diante do tempo e da eternidade.
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 +A confissão, como ato de "abrir" (patefacere), é o âmbito em que a pergunta pelo tempo se coloca, e o "quaerere" (perguntar) é, ao mesmo tempo, um "bittten" (suplicar), uma busca amorosa pela verdade.
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 +A pergunta "quid est homo?" (o que é o homem?) é a pergunta fundamental que subjaz à investigação sobre o tempo, e a resposta está na compreensão da distentio como o modo de ser da vida humana.
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 +A confissão não é um mero relato biográfico, mas o movimento de se abrir a si mesmo e a Deus, e a reflexão sobre o tempo é o momento culminante dessa abertura.
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 +O não-saber (nescio) é constitutivo da pergunta, pois o homem não sabe o que pergunta, e isso o impulsiona a um questionamento mais profundo (amplius quaerere), que é um ato de amor e entrega.
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 +**A SIGNIFICAÇÃO FUNDAMENTAL DA COMPREENSÃO AGOSTINIANA**
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 +A compreensão agostiniana do tempo supera a visão do tempo como uma sucessão de "agoras" que fluem (abfließende Jetztfolge), revelando seu caráter ekstático e sua relação com a finitude humana.
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 +O tempo é o que permite a datação (Datierung) e a indicação (Angebbarkeit), e isso é essencial ao homem, que sempre se relaciona com o tempo em sua existência.
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 +A pergunta "quando surgiu o tempo?" é proibida pelo próprio tempo, que é a condição para o "quando", e a criação do tempo não significa que ele seja coeterno com Deus.
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 +A relação entre tempo e eternidade é pensada a partir da distentio humana, e o "agora" (Augenblick) da eternidade é compreendido como um instante que não exclui o futuro e o passado, mas os retém (einbehalten).
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 +A essência do tempo só é apreendida quando há recolhimento (Sammlung), e a filosofia não é um negócio de agudeza sem essência, mas exige uma disposição fundamental (Grundstimmung) de deixar-ser (Seinlassen) e de uma serena e questionante entrega.
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 +O verdadeiro sentido da investigação agostiniana sobre o tempo é uma "instrução para a leitura silenciosa" (stille Lesung), onde a palavra fala na discrição do silêncio, e onde o essencial retorna como o mesmo, ou permanece ausente se nos desviarmos da essência.
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 +A disposição fundamental do filosofar, que brota da essência do homem, é a "deixar-ser" (Seinlassen), a "serena indagação" (fragende Gelassenheit) e a "recolhida contenção do coração" (gesammelte Verhaltenheit des Herzens), que não é agitada pelo mero perguntar e pelo falatório pronto.
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 +{{tag>GA83 Agostinho}}