obra:ga78:8
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| obra:ga78:8 [27/06/2026 10:22] – created - external edit 127.0.0.1 | obra:ga78:8 [09/09/2026 05:46] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== §8 ====== | ||
| + | //Der Spruch Anaximander (1946) [2010]// | ||
| + | |||
| + | **§ 8. Excurso: A V Ode Ístmica de Píndaro** | ||
| + | |||
| + | **a) O ouro como περιούσιος ἄλλων (" | ||
| + | |||
| + | **α) A experiência do Sein (ser) no brilho do ouro. " | ||
| + | |||
| + | * O termo περιούσιος é empregado para o ouro, e busca-se pensar o contexto no qual o χρυσός (ouro) é dito como περιούσιος em um dizer poético que porta a compulsão sagrada de trazer ao dizer o que precisa ser dito. | ||
| + | * Interroga-se o que há no ouro ao ser aproximado da palavra mais própria do " | ||
| + | * A expressão corrente "nem tudo que reluz é ouro" porta a indicação de que o ouro é o genuinamente reluzente, de modo que o que mais reluz pode passar por ouro, embora esse aparecer seja mero Schein (aparência/ | ||
| + | * Permanece indeterminado na expressão corrente se o brilho do ouro é apenas uma propriedade particular do metal -- ausente no ouro fosco -- ou se o ser-ouro repousa em um resplandecer tal que nele até o ouro não-brilhante, | ||
| + | |||
| + | * O Glanz (brilho/ | ||
| + | * " | ||
| + | * O " | ||
| + | |||
| + | * Se ὄν significa Anwesendes (o que se presenta) em seu Anwesen (presentar-se), | ||
| + | * Inversamente e em contato puro com a coisa experimentada de modo grego: se o ouro é mais-essente do que todo o resto, então o Seiendsein (ser-ente) repousa em seu puro Leuchten, que se dá no resplandecer do ouro. | ||
| + | * O Leuchten é trazer-se ao Anwesung (presentação) como aquilo que, vindo de si, repousa em si; o Scheinen é Anwesen -- isso é o εἶναι do ὄν. | ||
| + | |||
| + | * O Glänzen (resplandecer) repousa no Leuchten, que de modo duplo e uno deixa vir à tona o luminoso -- isto é, deixa-o an- e her-wesen (apresentar-se e advir) -- mas ao mesmo tempo retém o que chega em seu próprio que brota como fonte. | ||
| + | * No ouro fosco luzem, isto é, resplandecem e se presentam o que em si se recolheu; o brilho é brilho, mas velado. | ||
| + | * Apenas por isso o que relampeja tem uma distinção que não repousa no ofuscamento do apreender, mas no modo do Anwesen (presentar-se) a seu tempo e exatamente nesse tempo. | ||
| + | |||
| + | * O περί que caracteriza o Anwesen do ouro não significa apenas que o brilho do ouro supera outros brilhantes em grau de iluminação, | ||
| + | * Seu Scheinen tem nisso o nobre: que se retém no Glänzen que repousa em si e, com toda a magnificência a partir da qual se traz ao aparecer, permanece um resplandecer sereno. | ||
| + | * Esse " | ||
| + | |||
| + | **β) Distinção da experiência grega do ouro em face da representação atual do ouro como " | ||
| + | |||
| + | * Ao pensar o ouro como o Seiende que é em sua relação ao outro Seiende, impõem-se representações inadequadas ao estado de coisas experimentado de modo grego, facilmente induzindo ao equívoco do que Píndaro diz poeticamente, | ||
| + | |||
| + | * Para os modernos, o ouro ainda aparece em seu brilho, mas o Goldsein (ser-ouro) não mais repousa em seu Glänzen; o Glanz como essência do próprio Sein se apagou; o resplandecer à maneira do brilho do ouro tornou-se uma mera propriedade do Seiende. | ||
| + | * O ouro, para os modernos, é ouro como metal valioso, e mesmo esse " | ||
| + | * O Sein do ouro é Wirklichkeit (realidade/ | ||
| + | * O Goldsein (ser-ouro) do ouro dissolveu-se em uma eficácia no interior da circulação do tráfico de pagamentos, de modo que o ouro ele mesmo não mais precisa estar presente; o ser-ouro consiste no que ele produz no interior dos " | ||
| + | |||
| + | * Píndaro diz no segundo verso que o ouro é, na opinião dos homens, μεγασθενής (" | ||
| + | * Coloca-se a questão: é o ouro περιούσιος, | ||
| + | * Interpretar no sentido da primeira possibilidade é fundar as palavras gregas nas representações modernas do ouro e na compreensão do Sein como Wirklichkeit e Wirksamkeit: | ||
| + | |||
| + | * Tanto Píndaro quanto os gregos sabem que "o dinheiro faz o homem", | ||
| + | * Píndaro menciona na Ístmica II, 11 a expressão χρήματα χρήματ' | ||
| + | * O " | ||
| + | |||
| + | * Sendo estas ainda palavras gregas de um dizer grego -- e de um poético, que presumivelmente pertence a uma relação privilegiada com o Seiende como tal -- devem ser pensadas de modo grego. | ||
| + | * Se o primeiro pensamento é correto para os modernos, mas inteiramente inadequado à experiência do Sein dos gregos, resta apenas a possibilidade de pensar o περιούσιος ἄλλων como fundamento do μεγασθενής. | ||
| + | * Essa possibilidade torna-se necessidade ao atentar cuidadosamente para a estrutura interna dos três versos: seu dizer só se arredonda com as palavras περιώσιον ἄλλων e com elas ao mesmo tempo retorna à primeira palavra Μᾶτερ Ἁλίου -- "Mãe de Hélio" | ||
| + | * O ouro é περιούσιος ἄλλων -- em seu Glänzen tão aparecente que supera em brilho tudo o mais, ao circundar-lhe com seu brilho, retendo no seu, do ouro, aparecer o outro em torno e assim deixando-o primeiro co-resplandecer e assim aparecer, isto é, presentar-se. | ||
| + | * Ao mencionar o ouro no contexto do " | ||
| + | * O ouro reluz em estátuas e templos, em utensílios e armas, em carros e vasos, em diadema e arreios; assim aparecendo, sobrebritha, | ||
| + | * O enfeite e o adorno em sua essência própria não são o que apenas brilha por si e atrai o olhar para si e para longe do outro; são antes aquilo em que o enfeitado primeiro é " | ||
| + | * O ouro em seu Leuchten é " | ||
| + | |||
| + | * Pensando a partir do Anwesen próprio como esse Scheinen, pensa-se também o significado de μεγασθενής de modo grego pela primeira vez: μέγας significa antes de tudo o " | ||
| + | * σθένος significa a força, mas não como força de impacto que produz pressão em um nexo causal de efeitos, e sim como Ge-Walt (poder/ | ||
| + | * O ouro não é de modo algum apenas nomeado como uma coisa reluzente entre outras que as supera gradualmente em intensidade de brilho; antes é nomeado porque, pensado de modo grego, a essência do Sein repousa no Scheinen, de modo que esse Seiende que se chama " | ||
| + | * No ouro, a essência do Sein se reuniu de modo peculiar tal que o Sein pode aparecer no ser desse Seiende como ele mesmo; experimentar isso, os modernos são pouco exercitados, | ||
| + | * Mesmo onde os modernos ainda " | ||
| + | |||
| + | * (Ainda que essa conexão essencial entre Glänzen, Scheinen e Anwesen exista de algum modo e possa mostrar-se no " | ||
| + | * As palavras de Píndaro são: μεγασθενῆ νόμισαν χρυσὸν ἄνθρωποι περιώσιον ἄλλων -- e se traduz νόμισαν ἄνθρωποι por "os homens apenas creem" que o ouro é " | ||
| + | * Segundo essa interpretação, | ||
| + | |||
| + | * νομίζειν significa também crer, ter por, parecer, mas significa propriamente: | ||
| + | * O " | ||
| + | * Ἄνθρωποι νόμισαν não quer dizer: os homens apenas opinam que o ouro é mais-essente, | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
