obra:ga65:temas:clareira
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| + | ===== CLAREIRA ===== | ||
| + | Lichtung | ||
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| + | Toda e qualquer denominação da tonalidade afetiva fundamental por meio de uma única palavra fixa-se sobre uma opiniáo equivocada. Toda e qualquer palavra é sempre retirada do que é legado pela tradição. O fato de a tonalidade afetiva fundamental do outro início precisar ser dotada de muitos nomes não contesta sua simplicidade, | ||
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| + | Até que ponto o deus se encontra afastado de nós, aquele que nos nomeia fundadores e criadores, porque sua essência precisa de tais homens? Ele está tão afastado que nós não conseguimos decidir, se ele se movimenta em nossa direção ou se ele está se distanciando de nós. E repensar plenamente essa distância mesma em sua essenciação como o tempo-espaço da suprema decisão significa questionar acerca da verdade do seer, acerca do próprio acontecimento apropriador, | ||
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| + | Na meditação e por meio dela acontece necessariamente o sempre-ainda-outro, | ||
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| + | O que e quem “é” o projetista é algo que só se torna tangível a partir da verdade do projeto; mas, ao mesmo tempo, também se torna velado a partir dai. Pois isto é o que há de mais essencial, o fato de que a abertura enquanto **CLAREIRA** faz com que o velar-se aconteça e só então o abrigo da verdade recebe o seu fundamento e seu aguilhão. (tr. Casanova; GA65: 21) | ||
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| + | Aquela essência da verdade, contudo, a **CLAREIRA** e o encobrimento extasiantes e fascinantes como origem do aí, se essencia em seu fundamento, que nós experimentamos como acontecimento da apropriação. A aproximação e a fuga, a chegada e a evasão, ou a simples elisão dos deuses; para nós, no ser senhor, isto é, no início e no ser dominante sobre esse acontecimento, | ||
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| + | Neste caso, aquilo que é aqui denominado de-cisão ganha o meio essencial mais íntimo do seer mesmo e passa a não ter mais nada em comum com aquilo que se chama a tomada de uma escolha e coisas do gênero, mas diz: a dissociação mesma, que cinde e, na cisão, deixa entrar em jogo pela primeira vez o acontecimento da apropriação justamente desse aberto no dissociado como a **CLAREIRA** para o que se encobre e ainda se mostra como in-decidido, | ||
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| + | O “tempo” como temporialidade, | ||
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| + | Toda a abertura de um fosso abissal do seer já está, com isso, codecidida na direção de sua manifestabilidade e de seu encobrimento iniciais. E pode ser que o outro início também não consiga senão reter o acontecimento apropriador uma vez mais em uma reluzência única, abrigando-a como **CLAREIRA**, | ||
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| + | O “tempo” deveria se tornar experimentável como o campo de jogo “ekstático” da verdade do seer. O arrebatamento extasiante em meio ao clareado deveria fundar a própria **CLAREIRA** como o aberto, no qual o seer se reúne em sua essência. Tal essência não pode ser comprovada como algo presente à vista, sua essenciação precisa ser esperada como um choque. O primeiro e longo permanece: poder esperar nessa **CLAREIRA** até que os acenos venham. Pois o pensar não tem mais o favor do “sistema”, | ||
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| + | (A abertura do fosso abissal) Essa abertura é o desdobramento que permanece em si da intimidade do seer mesmo, na medida em que nós o “experimentamos” como a recusa e como a recusa transvertora. Caso se quisesse tentar de qualquer modo o impossível e se buscasse apreender a essência do seer com o auxílio das “modalidades” metafísicas, | ||
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| + | O seer é o estremecimento dessa deização, o estremecimento como extensão do campo de jogo temporal, no qual ele mesmo apropria para si a sua **CLAREIRA** (o aí) em meio ao acontecimento como a recusa. (tr. Casanova; GA65: 127) | ||
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| + | A contenda do seer contra o ente, contudo, é esse encobrir-se da retenção de um pertencimento originário. Assim, o acontecimento da apropriação tem nesse subtrair-se doador por toda parte a essência do encobrir-se, | ||
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| + | O estremecimento dessa vibração na viragem do acontecimento apropriador é a essência velada do seer. Esse encobrimento se clareia como encobrimento apenas na mais profunda **CLAREIRA** dos sítios do instante. O seer “precisa”, | ||
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| + | O aí é o sítio acontecencial, | ||
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| + | Em termos de “visão de mundo”, o ser para a morte permanece inacessível; | ||
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| + | O ser-aí como a essenciação da **CLAREIRA** do que se encobre pertence a esse encobrir-se mesmo, que se essência como o acontecimento apropriador. (tr. Casanova; GA65: 173) | ||
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| + | O ser-aí é a suportabilidade insistente da **CLAREIRA**, | ||
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| + | Somente assim o seer entra em jogo plenamente como acontecimento apropriador e ainda não se mostra aí, tal como na metafísica, | ||
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| + | A “imaginação” como acontecimento da **CLAREIRA** mesma. Só que a “imaginação”, | ||
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| + | O quão pouco, porém, a representação diretriz da luz podia fixar aquele aberto e sua abertura e elevá-los ao nível do saber, é algo que se mostra no fato de precisamente a “**CLAREIRA**” e o “clareado” não terem sido apreendidos, | ||
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| + | O acontecimento da apropriação em sua viragem não está encerrado nem no clamor nem no pertencimento apenas. Ele não está em nenhum dos dois e, contudo, é acessível nos dois; e o estremecimento dessa acessibilidade na viragem do acontecimento apropriador é a essência mais velada do seer. Esse encobrimento carece da mais profunda **CLAREIRA**. O seer “precisa” do ser-aí. (tr. Casanova; GA65: 217) | ||
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| + | Só se nos encontramos na **CLAREIRA**, | ||
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| + | O encobrir-se atravessa de maneira soberana a **CLAREIRA**, | ||
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| + | Se é somente quando o encobrir-se impera sobre todas as regiões do gerado, do criado e do sacrificado, | ||
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| + | Em minhas tentativas até aqui para o projeto dessa essência da verdade, o esforço para me tornar compreensível se encaminhara sempre em primeiro lugar para deixar claro os modos da **CLAREIRA** e as modulações do encobrimento e sua copertinência essencial (cf, por exemplo, a conferência sobre a verdade de 1930). (tr. Casanova; GA65: 226) | ||
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| + | (A essência da verdade é a não-verdade) Por meio dessa sentença concebida conscientemente como autocontraditória deve ser expresso o fato de que pertence à verdade o caráter negativo, mas de modo algum apenas como falha, mas como algo que resiste, como aquele encobrir-se que surge na **CLAREIRA** enquanto tal. Com isso se apreende a ligação originária da verdade com o seer enquanto acontecimento apropriador. Apesar disso, essa sentença é duvidosa quando se tem a intenção de se aproximar da estranha essência da verdade por meio de tal estranhamento. Concebida de maneira completamente originária reside nela a intelecção essencial e ao mesmo tempo a indicação para a intimidade e para o caráter contencioso no seer mesmo enquanto acontecimento apropriador. (tr. Casanova; GA65: 228) | ||
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| + | Todo projeto toma aquilo que se volta para a sua **CLAREIRA** e que é assim liberado para a rearticulação com o projetista e vice-versa: o projetista só se torna ele mesmo, na medida em que ele assume aquela vinculação. (tr. Casanova; GA65: 229) | ||
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| + | Aquele que projeta precisa assumir a vinculação, | ||
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| + | O que sobrecarrega tanto e quase chega mesmo a bloquear o pensamento mais próprio de Nietzsche é a intelecção do fato de que a essenciação da verdade significa: ser-aí, isto é, encontrar-se em meio à **CLAREIRA** do que se encobre e haurir daí o fundamento e a força do ser humano. Pois, apesar das ressonâncias do “perspectivismo”, | ||
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| + | A-bismo é a renúncia hesitante do fundamento. Na renúncia abre-se o vazio originário, | ||
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| + | O a-bismo como o permanecer de fora do fundamento no sentido citado é a primeira **CLAREIRA** do aberto como o “vazio”. Mas que vazio se tem em vista aqui? Não aquele não ocupado das formas de ordenação e dos quadros para o ente presente à vista calculável fornecidos por espaço e tempo, não a ausência do ente presente à vista no interior desses, mas o vazio tempo-espacial, | ||
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| + | “Permanência de fora” como autorrenúncia (hesitante) do fundamento é essenciação do fundamento como a-bismo. O fundamento necessita do a-bismo. E a **CLAREIRA**, | ||
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| + | Buscar nunca é um mero ainda não ter, um prescindir. Visto assim, ele não é senão equivocadamente calculado a partir do resultado alcançado. Em primeiro lugar e propriamente, | ||
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| + | A diferença na questão acerca do ser pode ser retida formalmente por dois títulos; o primeiro diz: ser e pensar, o outro: ser e tempo. No primeiro título, o ser é compreendido como a entidade do ente; no outro, como o ser, cuja verdade é inquirida. No primeiro, “pensar” significa o fio condutor, ao longo do qual o ente é interrogado com vistas à sua entidade: o enunciar representativo. No outro, “tempo” designa a primeira indicação da essência da verdade no sentido da **CLAREIRA** aberta de acordo com o arrebatamento extasiante do campo de jogo, no qual o seer se oculta e, se ocultando, se doa pela primeira vez expressamente em sua verdade. Em sua relação, por conseguinte, | ||
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| + | Quem quer seguir algum dia a história do seer sob os seus olhos e experimentar como o seer permanece de fora em seu próprio espaço essencial, entregando esse espaço por um longo tempo à sua inessência, | ||
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| + | Em um caminho histórico, esse é um passo para alcançarmos a proximidade daquele pensar, que não compreende mais o projeto como condição da representação, | ||
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| + | A questão do seer enquanto questão fundamental não seria concebida de maneira alguma a partir de seu caráter mais digno de questão, se ela não fosse imediatamente impelida para a questão acerca da origem da “diferença ontológica”. A diferenciação entre “ser” e “ente”, o fato de o seer se destacar do ente, só pode ter sua origem, se é que o ente enquanto tal é fundado pelo seer, na essenciação do seer. A essência e o fundamento desse destaque é o obscuro, aquilo que reside cerrado em toda metafísica; | ||
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| + | O seer se essencia como o entre para o deus e o homem, mas de tal modo que esse espaço intermediário só arranja espacialmente para o deus e para o homem a possibilidade essencial, um entre que se choca contra sua margem e que a deixa ressurgir pela primeira vez a partir do choque como margem, sempre pertencendo à corrente do acontecimento apropriador, | ||
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| + | O des-locamento consiste no acontecimento da apropriação do ser-aí; e isso de tal modo, com efeito, que no aí que se clareia (no a-bismo do que não possui apoio nem proteção) o acontecimento da apropriação se subtrai. Des-locamento e retração se ligam ao seer enquanto acontecimento apropriador. Neste caso, não acontece nada no interior do ente, o seer permanece inaparente, mas pode acontecer com o ente enquanto tal de ele, voltado para a **CLAREIRA** do in-habitual, | ||
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| + | O entre é a implosão simples, que se apropria do seer em meio ao acontecimento naquele ente até então reservado para a sua própria essência que ainda não pode ser denominado assim. Essa implosão é a **CLAREIRA** para o velado. A implosão, contudo, não dispersa, e a **CLAREIRA** não é nenhum mero vazio. (tr. Casanova; GA65: 270) | ||
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| + | O seer é o acontecimento apropriador contestador, | ||
| + | A excedência dos deuses é o ocaso na fundação da verdade do seer. O seer, porém, se apropria do ser-aí em meio ao acontecimento para a fundação de sua verdade, isto é, de sua **CLAREIRA**, | ||
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