obra:ga65:temas:abrigo
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| + | ===== ABRIGO (BERGUNG) ===== | ||
| + | Bergung | ||
| + | Por vezes, aqueles fundadores do abismo precisam ser consumidos no fogo do que se guarda, para que o ser-aí venha a ser possível para o homem e, assim, seja salva a constância em meio ao ente, para que o ente mesmo experimente a restauração no aberto da contenda entre terra e mundo. Consequentemente, | ||
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| + | A longa cristianização de deus e a crescente publicização de toda e qualquer ligação afinada com o ente soterraram de maneira igualmente tenaz e velada as condições prévias, graças às quais algo se encontra na distância da indecidibilidade sobre a fuga ou a chegada do deus, indecidibilidade essa cuja essenciação, | ||
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| + | O acontecimento apropriador é o entre no que concerne ao passar ao largo do deus e à história do homem. Mas não o campo intermediário indiferente. Ao contrário, a referência ao passar ao largo é a abertura usada por deus do dilaceramento em meio a um fosso abissal; por outro lado, a referência ao homem é o deixar emergir que se apropria em meio ao acontecimento da fundação do ser-aí e, com isto, da necessidade do **ABRIGO** da verdade do seer no ente como de uma restituição do ente. (tr. Casanova; GA65: 7) | ||
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| + | O seer como acontecimento apropriador – renúncia hesitante como (recusa). Maturidade: fruto e doação. O elemento nulo no seer e o impulso contrário; querelante (seer ou não-ser). O seer se essencia na verdade; clareira para o encobrir-se. A verdade como essência do fundamento: fundamento – o em que fundado (não o de onde enquanto causa). O fundamento funda como a-bismo: a indigência como o aberto do encobrir-se (não o “vazio”, | ||
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| + | O seer se essencia como acontecimento apropriador. A essenciação tem o meio e a amplitude na viragem. A exportação resolutora de contenda e réplica. A essenciação é garantida e abrigada na verdade. A verdade acontece como o encobrimento clareador. A estrutura fundamental desse acontecimento é o tempo-espaço que emerge dele. O tempo-espaço é o que desponta para as mensurações da abertura do fosso abissal do seer. O tempo-espaço é, enquanto junção da verdade, originariamente o sítio instantâneo do acontecimento apropriador. O sítio instantâneo essencia-se a partir desse acontecimento como a contenda de terra e mundo. A contestação da contenda é o ser-aí. O ser-aí acontece nos modos do **ABRIGO** da verdade a partir da garantia do acontecimento apropriador clareado e velado. O **ABRIGO** da verdade deixa que o verdadeiro se abra e se dissimule como o ente. O ente se encontra pela primeira vez assim no seer. O ente é. O seer se essencia. O seer (como acontecimento apropriador) precisa do ente, para que ele, o seer, se essencie. O ente pode “ser” ainda no abandono do ser, sob cujo domínio a tangibilidade e a utilidade imediata, assim como a funcionalidade de todo e qualquer tipo (tudo precisa servir ao povo, por exemplo) constituem obviamente o que é sendo e o que não é. A autonomia aparente do ente em face do seer, como se este fosse apenas um suplemento do pensamento “abstrato” representacional, | ||
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| + | Retenção afina o respectivo instante fundante de um **ABRIGO** da verdade no ser-aí futuro do homem. Essa história fundada no ser-aí é a história velada da grande tranquilidade. É nela apenas que é ainda possível um povo. Só a retenção consegue reunir a essência do homem e levar a termo a reunião do homem nele mesmo, isto é, na determinação de seu encargo: a insistência do último deus. (tr. Casanova; GA65: 13) | ||
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| + | Será que está determinada para nós futuramente uma história totalmente diversa daquilo que parece ser hoje considerado como história: a turva caçada às ocorrências que devoram a si mesmas e que só se deixam fixar ainda por meio do mais estridente barulho? Se é que uma história, ou seja, um estilo do ser-aí, ainda nos deve ser doado, então isto só pode ser a história velada da grande tranquilidade, | ||
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| + | Retenção como a origem da tranquilidade e como lei da reunião. A reunião na tranquilidade e o **ABRIGO** da verdade. **ABRIGO** da verdade e seu desdobramento na ocupação e na lida. (tr. Casanova; GA65: 13) | ||
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| + | Porque a filosofia é tal meditação, | ||
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| + | O que e quem “é” o projetista é algo que só se torna tangível a partir da verdade do projeto; mas, ao mesmo tempo, também se torna velado a partir dai. Pois isto é o que há de mais essencial, o fato de que a abertura enquanto clareira faz com que o velar-se aconteça e só então o **ABRIGO** da verdade recebe o seu fundamento e seu aguilhão. (tr. Casanova; GA65: 21) | ||
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| + | Se o saber como resguardo da verdade do verdadeiro (da essência da verdade no ser-aí) distingue o homem (em face do animal racional até aqui) e o eleva ao nível da vigilância do seer, então o saber mais elevado é aquele que é suficientemente forte para ser a origem de uma abdicação. A renúncia é naturalmente considerada por nós como fraqueza e como transigência, | ||
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| + | Enquanto certeza crescida, o estilo é a lei de realização da verdade no sentido do **ABRIGO** no ente. E isto porque a arte, por exemplo, é o pôr-em-obra da verdade e porque, na obra, o **ABRIGO** em si mesmo chega a se aprumar em relação a si mesmo. Por isto, o “estilo”, | ||
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| + | Verdade é encobrimento clareador, que acontece como deslocamento extasiante e fascinante. Esses dois deslocamentos, | ||
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| + | Aquela essência da verdade, contudo, a clareira e o encobrimento extasiantes e fascinantes como origem do aí, se essencia em seu fundamento, que nós experimentamos como acontecimento da apropriação. A aproximação e a fuga, a chegada e a evasão, ou a simples elisão dos deuses; para nós, no ser senhor, isto é, no início e no ser dominante sobre esse acontecimento, | ||
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| + | Aquilo que sobre a verdade foi vez por outra insinuado em relação ao ensaio sobre a obra de arte e concebido como “instituição” já é a consequência do **ABRIGO**, que guarda propriamente o que é clareado e velado. Essa guarda precisamente deixa que o ente pela primeira vez seja e, em verdade, o ente que ele é e pode ser na verdade do ser ainda não elevado e no modo como essa verdade é desdobrada. (O que é considerado como ente, o que se presenta, o efetivamente real, só com isso é ligado primeiramente algo necessário e possível, o exemplo corrente a partir da história do primeiro início). (tr. Casanova; GA65: 32) | ||
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| + | O **ABRIGO** mesmo realiza-se no e como ser-aí. E isto acontece, conquista e perde a história na o-cupação insistente, que pertence de antemão ao acontecimento apropriador, | ||
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| + | O **ABRIGO**, porém, não se mantém apenas sob os modos da produção, mas de maneira igualmente originária também sob o modo da assunção do encontro do inanimado e do vivente: pedra, planta, animal, homem. Aqui acontece a retomada na terra que se fecha. A questão é que esse acontecimento do ser-aí nunca é por si, mas pertence ao atiçamento da contenda entre terra e mundo, à insistência no acontecimento apropriador. (tr. Casanova; GA65: 32) | ||
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| + | Para a questão fundamental, | ||
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| + | Busca pelo seer? A descoberta originária na busca originária. Buscar – já o manter-se-na-verdade, | ||
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| + | A missão, porém, à luz e na via da decisão: o **ABRIGO** da verdade do acontecimento apropriador a partir da retenção do ser-aí na grande tranquilidade do seer. (tr. Casanova; GA65: 45) | ||
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| + | No que o abandono do ser se anuncia: 1) A completa insensibilidade em relação ao múltiplo naquilo que é considerado essencial; plurissignificância provoca a perda de força e a má vontade em relação à decisão real e efetiva. Por exemplo, tudo o que significa a palavra “povo”: o elemento comunitário, | ||
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| + | O salto é o re-saltar da prontidão para o pertencimento ao acontecimento apropriador. Acometimento e permanência de fora da chegada e da fuga dos deuses, o acontecimento apropriador, | ||
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| + | O salto mais próprio e mais amplo é o salto do pensar. Não como se a partir do pensar (enunciado) a essência do seer fosse determinável, | ||
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| + | O salto é um salto sapiente para o interior da instantaneidade dos sítios do acometimento, | ||
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| + | O acontecimento apropriador, | ||
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| + | Em que figura o acometimento do seer é colocado e preservado pela primeira vez fornece o sinal prévio do âmbito para o **ABRIGO** da verdade do deus que está chegando e fugindo. (tr. Casanova; GA65: 139) | ||
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| + | O estremecimento da vibração na viragem, a apropriação do ser-aí pertinente-fundador-acolhedor para o aceno; essa essenciação do seer não é ela mesma o último deus. Ao contrário, a essenciação do seer funda o **ABRIGO** e, com isso, o resguardo criador do deus, que sempre apenas deiza inteiramente o seer em obra e sacrifício, | ||
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| + | A partir de um ente apanhado qualquer querer destacar o seer é impossível, | ||
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| + | Ou será que aqui, enquanto “o ente” permanecer assim, sendo tomado na representação em geral, não pode ser dito nada sobre ele, uma vez que ele, “sendo”, | ||
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| + | Esta diferenciação foi realizada em primeiro lugar a partir da questão diretriz acerca da entidade e ficou presa aí. Mas mesmo no outro início essa diferenciação tem sua verdade, sim, agora pela primeira vez ela conquista essa verdade. Pois agora, quando não se tem mais a pergunta a partir do “pensar” acerca da entidade (não entidade e pensamento, mas “ser e tempo”, transitoriamente compreendido), | ||
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| + | Há em geral, questionado a partir da verdade do ser enquanto acontecimento apropriador, | ||
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| + | Essencial é a força histórica, fundadora do ser-aí, do **ABRIGO** e da decisão em relação a ela e à sua amplitude para a constância do acontecimento apropriador. (tr. Casanova; GA65: 152) | ||
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| + | Não resta, porém, apesar disso um caminho para criar ao menos provisoriamente, | ||
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| + | O mundo é “terreno” (terroso), a terra é mundana. A terra é em um aspecto mais originária do que a natureza porque ligada à história. O mundo é mais elevado do que o apenas “criado”, | ||
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| + | O que deve ser a técnica? Não no sentido de um ideal, mas como ela se encontra no interior da necessidade de superar o abandono do ser ou de colocá-lo em decisão de maneira fundamental? | ||
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| + | A “essência” não é mais o koinon e o genos da ousia e do tode ti (ekaston), mas essenciação como o acontecimento da verdade do seer e, em verdade, em sua história plena, que abarca respectivamente o **ABRIGO** da verdade no ente. Como, porém, a verdade precisa estar fundada no ser-aí, a essenciação do seer só pode ser conquistada na constância, | ||
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| + | Insuficientemente indicado na impropriedade, | ||
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| + | Somente na sondagem do solo do acontecimento apropriador é que tem sucesso a jurisdicionalidade do ser-aí nos modos e nos caminhos do **ABRIGO** da verdade no ente. (tr. Casanova; GA65: 188) | ||
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| + | A essência do ser-aí e, com isso, da história fundada nele é o **ABRIGO** da verdade do ser, do último deus, no ente. (tr. Casanova; GA65: 188) | ||
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| + | O ser-aí não conduz para fora do ente e não evapora o ente em uma espiritualidade, | ||
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| + | Somente aquilo que nós, insistentemente no ser-aí, fundamos e criamos, e, criando, deixamos vir ao nosso encontro como o que nos toma de assalto, somente isso pode ser algo verdadeiro, manifesto e, consequentemente, | ||
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| + | Ser-aí se encontra inicialmente na fundação do acontecimento apropriador, | ||
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| + | O aí “é” o homem apenas como homem histórico, isto é, fundador de história, que insiste no aí sob o modo do **ABRIGO** da verdade no ente. (tr. Casanova; GA65: 202) | ||
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| + | A indicação da essência, contudo, precisa saber que a clareira para o encobrimento precisa se desdobrar tanto com vistas ao tempo-espaço (abismo), quanto com vistas à contenda e ao **ABRIGO**. (tr. Casanova; GA65: 218) | ||
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| + | A fundação do ser-aí acontece como **ABRIGO** da verdade no verdadeiro, que só assim vem a ser. (tr. Casanova; GA65: 219) | ||
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| + | Fundamento aqui: 1) Aquilo em que se dá **ABRIGO**, no que algo é retido; 2) Aquilo por intermédio de que algo é coagido; 3) Aquilo que se impõe soberanamente. (tr. Casanova; GA65: 220) | ||
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| + | O primeiro (inicial) **ABRIGO**, a questão e a decisão. A pergunta acerca da verdade (meditação), | ||
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| + | A verdade é o primeiro verdadeiro do seer, e, com efeito, na medida em que clareia e oculta. A essência da verdade reside no fato de se essenciar como o verdadeiro do seer e de se tornar, assim, origem para o **ABRIGO** do verdadeiro no ente, por meio do que esse ente se torna pela primeira vez essente. (tr. Casanova; GA65: 224) | ||
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| + | 1) A verdade se essencia e por quê? Porque só assim se tem a essenciação do seer. Por que seer? 2) A essência da verdade funda a necessidade do porquê e, com isso, da questão. A questão acerca da verdade acontece por causa do seer, que precisa do nosso pertencimento como o que funda o ser-aí. 3) A primeira questão (1) é em si a determinação essencial da verdade. 4) Como precisa ser estabelecida a questão acerca da verdade. Partir da ambiguidade essencial: a “verdade” visada como “o verdadeiro”; | ||
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| + | Verdade, aletheia, quase não ressoando aí, poderosa, com efeito, mas infundada e mesmo não propriamente fundante. A correção leva a psyche a alcançar o primado, assim como acontece com a relação sujeito-objeto. Como o domínio da correção já tem a sua longa história, é só muito lenta e dificilmente que a sua origem e a possibilidade de algo diverso são visualizadas. Com a psyche também se dá originariamente o logos como reunião e, em seguida, como discurso e como saga. O fato de o enunciado se tornar o lugar para a “verdade” é concomitantemente o que há de mais estranho em sua história, apesar de isso ser considerado por nós como corrente. Por isto, porém, abstraindo-se da concepção da própria essenciação, | ||
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| + | O tempo-espaço como emergente da e pertencente à essência da verdade, como a estrutura extasiantemente arrebatadora e fascinante (junção fugidia) assim fundada do aí. (Ainda não o “quadro” da representação da coisa, ainda não um mero fluir em si do que se sucede). Os sítios instantâneos e a contenda entre mundo e terra. A contenda e o **ABRIGO** da verdade do acontecimento apropriador. O tempo-espaço e a “facticidade” do ser-aí (cf observações correntes a Ser e tempo I, capítulo 5!). O entrementes da viragem e, com efeito, como algo histórica e expressamente jurisdicional! Ele se determina como o aqui e agora! A unicidade do ser-aí. Por isso, unicidade da existência sapiente do que é dado como tarefa e do que é concomitantemente dado. Tempo – eternidade – instante. O eterno não é o que per-dura, mas aquilo que pode se subtrair no instante, a fim de retornar uma vez mais. O que pode retornar não como o igual, mas como o novamente transformador, | ||
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| + | Em relação a essa “subjetivação”, | ||
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| + | O abrir-se para o encobrimento é originariamente a distância da indecibilidade em relação a se o deus se movimenta se afastando de nós ou vindo em nossa direção. Isso quer dizer: nessa distância e em sua indecibilidade se mostra o encobrimento daquilo que, de acordo com essa reabertura, nós denominamos o deus. Essa “distância” da indecidibilidade é anterior a todo “espaço” isolado e a todo tempo que transcorre de maneira destacada. Ela também se essencia antes de toda dimensionalidade. Algo desse gênero só emerge do **ABRIGO** da verdade e, com isso, do tempo-espaço no ente e, com efeito, de saída, no ente presente à vista como coisa que se transforma. Somente onde algo presente à vista é retido e fixado, emerge o fluxo que flui ao lado dele do “tempo” e o “espaço” que o envolve. O a-bismo como primeira essenciação do fundamento funda (deixa o fundamento se essenciar como fundamento) sob o modo da temporalização e da espacialização. Mas aqui está a passagem crítica para o conceito correto de a-bismo. Temporalização e espacialização não podem ser concebidas a partir da representação corrente de espaço e tempo, mas essas representações precisam receber, inversamente, | ||
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| + | A a-bissalização do fundamento não é, com isso, esgotada em sua essência, mas se torna apenas clara como fundação do aí. O tempo-espaço é o repouso que reúne de maneira arrebatadoramente extasiante e fascinante, o a-bismo assim reunido e correspondentemente afinado, cuja essenciação se torna histórica na fundação do “aí” por meio do ser-aí (suas vias essenciais do **ABRIGO** da verdade). (tr. Casanova; GA65: 242) | ||
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| + | O tempo-espaço nessa essência originária ainda não tem nada em si do “tempo” e do “espaço”, | ||
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| + | O contramovimento a partir do “espaço ” e do “tempo”. O contramovimento precisa ser tomado da maneira mais segura possível, de tal modo que espacialidade e temporalidade da coisa, do utensílio, da obra, da maquinação e do todo do ente possam se tornar visíveis como **ABRIGO** da verdade em uma interpretação. O projeto dessa interpretação é inexpressamente determinado pelo saber em torno do tempo-espaço como abismo. Mas a própria interpretação precisa despertar a partir da saída da coisa novas experiências. A aparência de que se trataria aqui de uma descrição óbvia em si não é perigosa porque esse caminho de interpretação quer expor espaço e tempo na direção do tempo-espaço. O caminho a partir daqui e o caminho a partir do ente precisam se encontrar. Perseguindo o caminho a partir do “ente” (mas já inserido no aberto da contenda entre terra e mundo), surge, então, a ocasião para inserir a discussão até aqui de espaço e tempo na confrontação inicial (cf A conexão de jogo). (tr. Casanova; GA65: 242) | ||
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| + | O **ABRIGO** não é a acomodação ulterior da verdade em si presente à vista no ente, abstraindo-se completamente do fato de que a verdade nunca se acha presente à vista. **ABRIGO** pertence à essenciação da verdade. Essa não é essenciação, | ||
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| + | O **ABRIGO** volta do mesmo modo determinadamente a cada vez o encobrir-se para o aberto, tal como ele mesmo é atravessado de maneira soberana pela clareira do encobrir-se. Por isso, junto a esse projeto da essência da verdade não há, por isso, nenhum lugar para uma interpretação inequívoca que é sempre uma vez mais sugerida da relação platônica. Pois o **ABRIGO** da verdade no ente não nos lembra demais a configuração da “ideia”, | ||
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| + | (Verdade e **ABRIGO**) De onde o **ABRIGO** tem a sua indigência e a sua necessidade? | ||
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| + | (Verdade e **ABRIGO**) Pertence a todo **ABRIGO** da verdade no ente, de uma maneira a cada vez diversa, projeto e execução. Cada projeto é tempestade, agraciamento, | ||
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| + | **ABRIGO** da verdade como crescimento de volta para o cerramento da terra. Esse crescimento de volta nunca se realiza em meras re-presentações e sentimentos, | ||
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| + | **ABRIGO** é, no fundo, a guarda do acontecimento apropriador por meio da contestação da contenda. Guarda do encobrir-se (da renúncia hesitante) não é nenhuma mera conservação de algo dado, mas o laço projetivo com o aberto, a contenda, em cuja constância é recombatido, | ||
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| + | (Fundação do ser-aí e as vias do **ABRIGO** da verdade) Deduzida desse âmbito e, por isso, pertencente a ele, a questão isolada acerca da “origem da obra de arte”. A máquina e a maquinação (técnica). A máquina, sua essência. O serviço, que ela exige, o desenraizamento que ela traz. “Indústria” (funcionamento); | ||
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| + | Retenção e silêncio serão os festejos mais íntimos do último deus, e o próprio modo do confiar na simplicidade das coisas e a própria corrente da intimidade se apoderarão do arrebatamento extasiante e fascinante de suas obras, deixando o **ABRIGO** da verdade se tornar o que há de mais velado e emprestando-lhe o presente único. (tr. Casanova; GA65: 252) | ||
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| + | Os que estão por vir, os responsáveis no ser-aí fundado pelo ânimo da retenção, à qual apenas cabe o ser (salto) como acontecimento apropriador, | ||
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| + | O que é essa viragem originária no acontecimento apropriador? | ||
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| + | Na essência do aceno reside o mistério da unidade da mais íntima aproximação no distanciamento extremo, a mensuração do mais amplo campo de jogo temporal do seer. Esse extremo da essenciação do seer exige o mais íntimo da indigência do abandono do ser. Essa indigência precisa pertencer ao clamor do domínio daquele aceno. O que ressoa em tal servidão e prepara a amplitude só consegue preparar para a contenda entre mundo e terra, para a verdade do aí, por meio desse aí mesmo, o sítio instantâneo da decisão e, assim, a contestação e o **ABRIGO** no ente. (tr. Casanova; GA65: 255) | ||
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| + | No âmbito de domínio do aceno encontram-se novamente, para a mais simples contenda, terra e mundo: o mais puro fechamento e a transfiguração suprema, o mais temo arrebatamento fascinante e o mais temível arrebatamento extasiante. E isso novamente a cada vez apenas historicamente nos níveis e âmbitos e graus do **ABRIGO** da verdade no ente, através do qual somente este se torna novamente mais ente, em meio a todo o extinguir-se no não ente, um extinguir-se que é sem medida, mas dissimulado. Em tal essenciação do aceno, o próprio seer chega à sua maturidade. Maturidade é prontidão para tornar-se um fruto e uma doação. Nisso se essencia o último, o fim essencial, exigido a partir do início, mas não trazido com ele. Aqui se desentranha a finitude mais íntima do seer: no aceno do último deus. Na maturidade, na potência do fruto e na grandeza da doação, encontra-se ao mesmo tempo a essência mais velada do não, enquanto ainda-não e não-mais. A partir daqui é que é preciso pressentir a intimidade da intraessenciação do negativo no seer. De acordo com a essenciação do seer, porém, no jogo do acometimento e do ficar de fora, o não mesmo possui figuras diversas de sua verdade e, de acordo com isso, também o nada. Se isso só for calculado “logicamente” por meio da negação do ente no sentido do ente presente à vista (cf as observações no manuscrito de “O que é metafísica? | ||
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| + | O último deus tem a sua mais única unicidade e se encontra fora daquela determinação calculadora exacerbada, daquilo que têm em vista os títulos “mono-teísmo”, | ||
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| + | Nós precisamos preparar a fundação da verdade, e isso dá a impressão de que a dignificação e, com isso, a guarda do último deus já estariam previamente determinadas. Nós precisamos ao mesmo tempo saber e nos manter junto ao fato de o **ABRIGO** da verdade em meio ao ente e, com isso, de a história da guarda do deus serem exigidos pela primeira vez pelo próprio deus e do modo como ele precisa de nós como fundadores do ser-aí; o que é exigido não é apenas uma tábua de mandamentos, | ||
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| + | Para a experiência do ente e para o **ABRIGO** de sua verdade, o “projeto” é apenas o elemento provisório, | ||
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| + | Linguagem e acontecimento apropriador. Esclarecimento da terra, ressonância do mundo. Contenda, o **ABRIGO** originário da abertura de um fosso abissal, porque o rasgo mais íntimo. A posição aberta. (tr. Casanova; GA65: 281) | ||
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