obra:ga27:compreensao-de-ser-como-jogo-36
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| + | ===== TRANSCENDÊNCIA QUA COMPREENSÃO DE SER COMO JOGO (§36) ===== | ||
| + | Empregamos o termo “jogo” em um sentido originário e ao mesmo tempo amplo. Tomamos a transcendência como jogo: a transcendência mesma é considerada inicialmente em vista do momento da compreensão de ser. Com isso, essa compreensão de ser também tem o caráter de jogo. Ao falarmos de ser-no-mundo como jogar, não queremos dizer aqui um jogar um jogo no sentido vulgar, apenas transposto e como que ampliado para todo o ser-aí; nem visamos tampouco um jogar com o ente ou mesmo um jogar com o ser. Ao contrário, o que está em questão aqui é jogar o ser, pôr o ser em jogo, formá-lo nesse jogo. É muito mais importante tomar o acontecimento específico e sua mobilidade, a mobilidade que temos em vista em geral com o termo “jogar”. | ||
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| + | A interpretação do que significa o termo “mundo” exige que coloquemos o fenômeno mundo em uma conexão interna com o próprio ser-aí e visualizemos uma constituição ontológica do ser-aí, uma estrutura que denominamos previamente o ser-no-mundo. Todavia, essa constituição fundamental do ser-aí é ao mesmo tempo a estrutura fundamental da transcendência, | ||
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| + | A transcendência aproximou-se de nós por meio da clarificação da compreensão de ser, isto é, do fato fundamental de que no comportamento (336) com o ente já nos alçamos para além dele e somente nessa medida podemos compreendê-lo como ente. Caracterizamos essa compreensão de ser como transcendência, | ||
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| + | A fim de pôr em obra uma tal interpretação é necessário que, mais do que até aqui, nos desviemos do modo como até agora foi colocado o problema da história da metafísica e da filosofia; e, para tornar esse passo compreensível, | ||
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| + | O fato de considerarmos a vida, o ser-no-mundo, | ||
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| + | Podemos uma vez mais resumir em quatro pontos os caracteres fundamentais do que queremos expor como jogo, nomeadamente, | ||
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| + | 1. Jogar é um livre formar (Bilden) que sempre tem, a cada vez, a sua própria consonância (Einstimmigkeit) interna, na medida em que ele a forma para si em meio ao jogar. | ||
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| + | 2. Com isso, apesar de ser um livre formar, jogar é precisamente uma vinculação (Bindung). Não é uma estrutura (Gebilde) solta, mas constitui o ato formador de se vincular ao e no próprio formar que consiste em um jogo. | ||
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| + | 3. Desse modo, jogar nunca é um comportamento (Verhalten) em relação a um objeto. Jogar não é absolutamente um mero comportamento em relação a, mas jogar o jogo e o jogo do jogar são sobretudo um acontecimento (Geschehen) originário e mostram-se indissociáveis. | ||
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| + | 4. Nesse sentido, denominamos jogar o ser-no-mundo, | ||
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