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obra:ga25:preliminares

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 +===== PRELIMINARES =====
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 +**Consideração Prévia**
 +
 +  * A intenção da preleção é alcançar uma compreensão filosófica da Crítica da Razão Pura de Kant, o que equivale a aprender a filosofar; dois requisitos são necessários para isso: saber o que significa compreender uma filosofia transmitida pela tradição, e conhecer os meios e caminhos para obter tal compreensão.
 +  * A observação de Kant de que chegou um século cedo demais com seus escritos não expressa vaidade nem ressentimento, mas a compreensão viva de como a filosofia se realiza e produz efeitos ao longo do tempo.
 +  * A filosofia pertence aos esforços humanos mais originários, que giram em círculo e retornam sempre ao mesmo ponto; sua permanência não reside no progresso contínuo, mas no fato de jamais abandonar sua questionabilidade e encontrar nela a única fonte de força.
 +  * O progresso existe apenas no domínio do que é em última análise irrelevante para a existência humana; a filosofia não se desenvolve como progresso, mas como esforço de desdobramento e esclarecimento dos mesmos poucos problemas, e toda iluminação abre apenas novos abismos.
 +  * Para Kant, uma ciência deve ser compreendida e determinada não pela descrição que seu fundador faz dela, mas pela ideia que se encontra fundada na própria razão a partir da unidade natural das partes reunidas, pois o fundador e seus seguidores frequentemente circulam em torno de uma ideia que não conseguem tornar clara para si mesmos.
 +  * Aplicado ao próprio Kant, isso significa que não se pode ater à descrição literal que ele dá de sua filosofia transcendental, mas é preciso recuar ao fundamento objetivo além do que a primeira descrição tornou visível, o que conduz à exigência de compreendê-lo melhor do que ele se compreendeu a si mesmo.
 +  * Compreender melhor não é arrogância nem rebaixamento do anterior, mas expressão da valorização daquilo que se quer compreender; apenas o que possui conteúdo que permite rastrear seus fundamentos pode ser melhor compreendido, e essa possibilidade é um privilégio, não sinal de inferioridade.
 +  * Todo aquele que compreende melhor está ele próprio sujeito a uma nova interpretação; nenhuma elaboração filosófica pode tomar-se por absoluta em sentido ruim, pois toda clarificação filosófica permanece essencialmente obscura e apenas se compreende de modo genuinamente absoluto quando se reconhece como finita.
 +  * Compreender corretamente não é rejeitar o compreendido, mas deixá-lo valer genuinamente; uma filosofia alcança sua verdadeira validade quando se libera sua força própria e se lhe dá a possibilidade de dizer o que quis dizer, e isso só ocorre pelo confronto interpretativo.
 +  * Para tornar visível o que Kant quis dizer, é preciso familiarizar-se com o texto em sua estrutura total, a conexão das partes, o entrelaçamento das demonstrações, os conceitos e princípios; não basta repetir termos kantianos, mas é necessário falar com ele a partir da mesma perspectiva de visão.
 +  * A introdução aos problemas fundamentais não precede a interpretação, mas cresce dentro dela; ao longo do trabalho interpretativo torna-se patente como Kant realizou um passo essencial na direção de um esclarecimento radical do conceito e do método da filosofia.
 +  * A intenção da preleção reúne múltiplas tarefas: conhecimento da Crítica da Razão Pura, introdução aos problemas fundamentais da filosofia, exercício da interpretação e da apropriação filosófica efetiva de investigações filosóficas.
 +  * Informações históricas sobre Kant, seu desenvolvimento intelectual e sua relação com a tradição e com a época posterior serão tratadas apenas quando o contexto da Crítica o exigir, a fim de apoiar e completar a interpretação; o único objetivo permanece trazer o todo unitário da obra à compreensão filosófica.
 +  * A qualificação da interpretação como fenomenológica indica apenas que o confronto interpretativo com Kant se realiza a partir da problemática filosófica hoje viva; o que é fenomenologia deve demonstrar-se na execução da própria interpretação.
 +  * Antes de passar à interpretação de conteúdo, menciona-se brevemente os instrumentos mais importantes: as edições das obras de Kant, as edições individuais da Crítica da Razão Pura e a literatura de apoio para a interpretação, com a ressalva de que o que importa não é a literatura sobre o texto, mas o texto mesmo.
 +{{tag>GA25 Kant}}