obra:ga20:cuatro-caracteristicas-de-la-conciencia-pura-11
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| + | ===== §11. AS QUATRO CARACTERÍSTICAS DA CONSCIÊNCIA PURA ===== | ||
| + | §11. Crítica imanente à investigação fenomenológica: | ||
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| + | 1. Coloca-se a questão de saber se a elaboração do campo temático da fenomenologia, | ||
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| + | 2. Permanece em aberto se essa questão é ou não fundamental, | ||
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| + | 3. A base para a consideração crítica do campo de objetos próprio da fenomenologia será estabelecida investigando-se se o ser do intencional enquanto tal é explorado em três horizontes: primeiro, o fundamento sobre o qual esse campo de objetos é assegurado; segundo, o modo de asseguramento desse campo temático; terceiro, as determinações desse campo recém-encontrado, | ||
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| + | 4. A determinação visa manifestamente uma determinação de ser, sendo a consciência identificada simplesmente como região de ser absoluto, região a partir da qual se demarca todo outro ente, a realidade, o transcendente, | ||
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| + | 5. Diante dessas determinações relativas à consciência pura, discutir-se-ão detalhadamente as quatro determinações de ser atribuídas por Husserl à consciência pura, peculiarmente entrelaçadas entre si, a ponto de a mesma designação ser frequentemente usada para duas determinações distintas. | ||
| + | * a consciência é ser imanente; | ||
| + | * o imanente é o ser absolutamente dado, doação absoluta também chamada de ser absoluto pura e simplesmente; | ||
| + | * esse ser, entendido como doação absoluta, é também absoluto no sentido de nulla re indiget ad existendum, retomando a antiga definição de substância como aquilo que não necessita de nenhuma res para ser, entendida res aqui como realidade, ser transcendente, | ||
| + | * o ser absoluto nessas duas significações, | ||
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| + | 6. Indaga-se, quanto a essas quatro determinações de ser, se são determinações extraídas de um olhar voltado para a coisa mesma, se são determinações de ser retiradas da consciência e do próprio ente intencionado por esse termo. | ||
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| + | **a) A consciência é ser imanente** | ||
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| + | 7. Formalmente, | ||
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| + | 8. Entre a vivência refletora e a refletida, o elemento objetivo da reflexão, há uma relação de inclusão real recíproca, sendo a imanência, o estar-em-um-no-outro, | ||
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| + | 9. Essa relação é caracterizada como um estar-em-um-no-outro real, sem que nada seja efetivamente dito sobre o ser desse estar-em-um-no-outro, | ||
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| + | **b) A consciência é ser absoluto no sentido de doação absoluta** | ||
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| + | 10. Quanto ao segundo caráter, a consciência é ser absoluto no sentido de doação absoluta, na medida em que a vivência refletida, objeto de uma reflexão, é originariamente dada em si mesma, estando as vivências aí em sentido absoluto, contrariamente ao transcendente, | ||
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| + | 11. Esse caráter de ser absoluto, ao ser atribuído às vivências nesse sentido, volta a implicar uma determinação da região das vivências com referência ao seu ser-apreendido, | ||
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| + | 12. Enquanto a primeira característica, | ||
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| + | **c) A consciência é absolutamente dada no sentido de nulla re indiget ad existendum** | ||
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| + | 13. A terceira determinação caracteriza igualmente a consciência como ser absoluto, tomando-se agora absoluto em sentido novo, esclarecido remetendo-se à primeira determinação, | ||
| + | * citação: uma continuidade de ser fechada em si mesma; | ||
| + | * citação: não afetada em sua própria existência por uma aniquilação do mundo das coisas — consideração já empregada por Descartes. | ||
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| + | 14. O ser real pode ser de outro modo ou até mesmo não ser de modo algum, enquanto a consciência é capaz de exibir em si mesma uma continuidade fechada de ser, o que significa que a consciência é absoluta no sentido de ser o pressuposto de ser sobre cuja base a realidade pode manifestar-se, | ||
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| + | 15. A consciência, | ||
| + | * citação: o modo comum de falar sobre o ser é assim invertido; o ser que para nós é o primeiro é em si o segundo, isto é, é o que é apenas em relação ao primeiro. | ||
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| + | 16. Esse primeiro, que deve ser pressuposto, | ||
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| + | 17. Essa determinação de absoluto é obtida com vista ao papel particular que a consciência desempenha como consciência constituinte, | ||
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| + | 18. Nesse sentido, a consciência é aquele tipo de ser que, por sua vez, não é novamente constituído em outra consciência, | ||
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| + | 19. A consciência nesse sentido do absoluto significa a prioridade da subjetividade sobre toda objetividade, | ||
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| + | 20. Essa determinação e concepção da consciência é também o ponto em que o idealismo e a investigação idealista, mais precisamente o idealismo sob a forma do neokantismo, | ||
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| + | **d) A consciência é ser puro** | ||
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| + | 21. A quarta determinação de ser, que considera a consciência como ser puro, é ainda menos que as três anteriores uma caracterização do ser do intencional, | ||
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| + | 22. Não se trata da consciência enquanto hic et nunc real e minha, mas puramente em seu conteúdo essencial, não estando em questão a individuação particular de uma relação intencional concreta, mas a estrutura intencional enquanto tal, não a concreção das vivências, mas sua estrutura essencial, não o ser real da vivência, mas o ser essencial ideal da própria consciência, | ||
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| + | 23. A consciência é chamada pura na medida em que toda realidade e realização nela são desconsideradas, | ||
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| + | 24. Esse caráter de ser, a consciência enquanto pura, mostra particularmente bem que o que está em jogo não são os caracteres ontológicos do intencional, | ||
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| + | 25. As quatro determinações do ser da região fenomenológica — ser imanente, ser absoluto no sentido de doação absoluta, ser absoluto no sentido do a priori na constituição e ser puro — não são de modo algum extraídas do próprio ente, constituindo-se, | ||
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| + | 26. As determinações de ser não são derivadas da consideração do intencional em seu próprio ser, mas na medida em que este é examinado enquanto apreendido, dado, constituinte e tomado idealmente como essência, perspectivas de início alheias à consciência a partir das quais tais determinações são derivadas. | ||
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| + | 27. Seria, contudo, precipitado concluir, da ausência da determinação do ser da consciência e da negligência da questão do ser ao caracterizar a consciência como região, que a questão do ser está sendo enquanto tal negligenciada, | ||
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| + | 28. De fato, todas essas determinações de ser são derivadas com vistas a elaborar o contexto da vivência como região para uma consideração científica absoluta, sendo talvez precisamente aqui que a questão do ser do ente não deva ser levantada, cabendo antes investigar se o sentido desse ente é determinado no processo de destacar essa região, ainda que apenas no sentido de ser posto entre parênteses como irrelevante para seu ser-região. | ||
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| + | 29. A questão primária de Husserl simplesmente não se ocupa do caráter do ser da consciência, | ||
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| + | 30. A elaboração da consciência pura como campo temático da fenomenologia não é derivada fenomenologicamente por um retorno às coisas mesmas, mas por um retorno a uma ideia tradicional de filosofia, de modo que nenhum dos caracteres que emergem como determinações do ser das vivências constitui caráter originário, | ||
| + | 31. Encerrada apenas a primeira etapa dessa reflexão crítica, resta indagar, em segundo lugar, se no caminho percorrido para elaborar a consciência pura não se chegará ainda a uma determinação genuína do ser da vivência, e, caso não aí, se ela não se encontrará no próprio ponto de partida de toda a reflexão, isto é, no asseguramento e preparação do campo exemplar, quando se afirma que a reflexão fenomenológica deve partir da atitude natural, do ente tal como primeiramente se dá, obtendo-se com isso uma antevisão da determinação do ser do ente concreto no qual consciência e razão se realizam concretamente, | ||
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