obra:ga20:18
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| + | ===== §18. CONSTITUIÇÃO DO DASEIN ===== | ||
| + | §18. Obtenção das estruturas fundamentais da constituição básica do Dasein | ||
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| + | 1. As considerações seguintes não pretendem apresentar a análise temática do [[lx> | ||
| + | * apenas alguns fenômenos devem ser tornados manifestos nessa explicitação inicial, sendo precisamente esses os fenômenos a compreender como estruturas fundamentais do Dasein; | ||
| + | * o objetivo primeiro dessa análise não é tanto uma apreensão plenamente realizada de todas as estruturas específicas, | ||
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| + | 2. É importante, antes de tudo, ganhar a segurança da direção do olhar e ter claramente diante de si o tema da investigação, | ||
| + | * o que constantemente encobre o contexto fenomenal a ser desvelado nesse ente é o equívoco e a má interpretação inerentes à familiaridade íntima com o ente; | ||
| + | * justamente na medida em que esse ente é, sob certo aspecto, especialmente próximo do investigador, | ||
| + | * por permanecer a exigência imediata de assegurar a direção do olhar e afastar linhas de questionamento equivocadas, | ||
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| + | **a) O Dasein está no ser-o em cada vez** | ||
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| + | 3. A determinação fundamental do ente em questão já foi aludida: o Dasein é o ente que eu mesmo sou em cada caso, em cujo ser eu, enquanto ente, tenho interesse ou participo, ente que em cada caso há de sê-lo à sua própria maneira, determinação que indica a distintiva relação de ser que temos com esse ente, a saber, sê-lo ele mesmo, e não, à maneira de um ente da natureza, apenas apreendê-lo ou tê-lo disponível de algum modo. | ||
| + | * esse é o motivo fenomenal para chamar Dasein [literalmente ser-aí] o ente que nós mesmos somos; | ||
| + | * esse caráter fundamental peculiar, ainda manifestável apenas de modo muito formal, deverá ser considerado mais de perto no decorrer das reflexões seguintes. | ||
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| + | 4. A designação Dasein para o ente distintivo assim nomeado não significa um quê, não se distinguindo esse ente por seu quê, como uma cadeira em contraste com uma casa, exprimindo antes essa designação, | ||
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| + | 5. Essa relação de ser com o ente que eu mesmo sou caracteriza esse ser-o como o em-cada-caso-meu, | ||
| + | * o caráter fundamental do ser do Dasein só é adequadamente apreendido, portanto, na determinação de um ente que está no ser-o-em-cada-vez; | ||
| + | * esse em-cada-vez [je], a cada tempo [jeweilig], ou a estrutura da vez particular [ [[lx> | ||
| + | * esse caráter pertence inapagavelmente ao Dasein na medida em que ele é, o que implica que o Dasein, enquanto ser-aí um poder-ser, pode modificar-se conforme esse poder-ser, de um lado a outro, em relação ao Impessoal; | ||
| + | * o modo de ser dessa modificação, | ||
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| + | 6. A vez particular enquanto tal pertence à estrutura do ser desse Dasein, ficando com esse caráter fundamental do Dasein — que eu o sou no ser-o em cada vez particular — assegurada a determinação inicial do Dasein, sendo esta, ao mesmo tempo, também a determinação final, aquela à qual toda análise de ser sempre retorna, de modo que todo caráter do ser do Dasein é regido por essa determinação fundamental, | ||
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| + | 7. A indicação provisória desse caráter contém ao mesmo tempo diretrizes específicas para a análise subsequente, | ||
| + | * a aparência exterior, por mais amplamente que se a defina, nunca dá em princípio a resposta à questão do modo sê-lo; | ||
| + | * corpo, alma, espírito podem, sob certo aspecto, designar do que esse ente é composto, mas com esse composto e sua composição o modo de ser desse ente permanece desde o início indeterminado, | ||
| + | * permanece aqui inteiramente sem questionamento se esse ente é composto do físico, do psíquico e do espiritual, e como essas realidades devem ser determinadas, | ||
| + | * o que deve ser determinado não é uma aparência exterior desse ente, mas desde o início e sempre unicamente seu modo de ser, não o quê daquilo de que é composto, mas o como de seu ser e os caracteres desse como. | ||
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| + | **b) O Dasein no ser-o da cotidianidade para sua vez particular** | ||
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| + | 8. O Dasein deve ser compreendido em seu modo de ser, antes de mais nada, não em um tipo de ser de alguma forma enfático e excepcional, | ||
| + | * isso não significa oferecer uma espécie de relato biográfico de um determinado Dasein particular em sua vida cotidiana; | ||
| + | * não se relata nenhuma vida cotidiana particular, mas busca-se a cotidianidade da vida cotidiana, o fato em sua facticidade, | ||
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| + | 9. Essa tarefa de conceber o Dasein em sua cotidianidade não significa descrevê-lo em um estágio primitivo de seu ser, não sendo a cotidianidade de modo algum idêntica à primitividade, | ||
| + | * por outro lado, mesmo o Dasein primitivo possui à sua maneira possibilidades de ser excepcional, | ||
| + | * frequentemente a consideração de formas primitivas do Dasein pode fornecer mais facilmente diretrizes para ver e verificar certos fenômenos do Dasein, na medida em que aqui o perigo de encobrimento pela teoria, que o próprio Dasein caracteristicamente fornece antes que algo externo a ele, ainda não é tão poderoso; | ||
| + | * é precisamente aqui, contudo, que se faz necessária uma atitude especialmente crítica, pois o que se conhece dos estágios primitivos do Dasein é, de início, histórica, geográfica e culturalmente o mais distante e alheio à nossa cultura; | ||
| + | * o que assim nos é transmitido sobre a vida primitiva já está permeado por determinada interpretação, | ||
| + | * a análise fundamental do Dasein é justamente o pressuposto correto para a compreensão do primitivo, e não o inverso, não havendo razão para crer que o sentido desse ente possa de algum modo ser reunido a partir de fragmentos de informação sobre o Dasein primitivo; | ||
| + | * recorrer-se-á ocasionalmente, | ||
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| + | 10. O caráter fundamental desse ente, que ele é no meu sê-lo em cada vez particular, deve ser mantido, empregando-se doravante uma forma abreviada de expressão: o tema é o Dasein em seu modo de ser — o ser do Dasein — a constituição do ser do Dasein, falando-se abreviadamente da constituição do Dasein e entendendo-se sempre por ela em seu modo de ser. | ||
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| + | 11. O Dasein em sua cotidianidade, | ||
| + | * a cotidianidade persiste em toda parte e sempre, cada dia, sendo cada um testemunha de como o Dasein tem de ser e como ele é na cotidianidade, | ||
| + | * é fácil prever que a cotidianidade é um conceito específico de tempo. | ||
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| + | 12. Nessas considerações preliminares torna-se claro que, mesmo sem estarmos falsamente educados por preconceitos e teorias filosóficas sobre o sujeito e a consciência, | ||
| + | * a abordagem natural, embora não filosoficamente refletida nem conceitualmente definida, não se move realmente na direção de ver o Dasein enquanto tal, tendendo antes, na medida em que é ela mesma um modo de ser desse Dasein, a viver-se afastada de si mesma; | ||
| + | * mesmo o modo pelo qual o Dasein se conhece é determinado por essa peculiaridade de viver-se afastado de si mesmo; | ||
| + | * para obter uma orientação preliminar sobre o sentido em que todos os caracteres desse ser devem ser tomados, oferece-se a indicação de que esse ente é justamente o ente que nós mesmos somos. | ||
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| + | 13. Orientando-nos historiologicamente, | ||
| + | * a comparação é perigosa porque poderia sugerir que se pretende aqui intencionar o Dasein da mesma maneira como Descartes aborda o ego e o sujeito, isoladamente; | ||
| + | * ver-se-á, contudo, que essa abordagem de Descartes constitui um absurdo. | ||
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