obra:ga17:4
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| obra:ga17:4 [15/08/2026 14:57] – created - external edit 127.0.0.1 | obra:ga17:4 [11/09/2026 04:01] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ===== §4 ===== | ||
| + | **§ 4. A consciência como tema da fenomenologia atual** | ||
| + | |||
| + | 1. Impõe-se a questão de qual seja o tema ou o contexto de ser, pertinente à matéria, que constitui o objeto da investigação hoje designada fenomenologia, | ||
| + | * Essa determinação importa apenas como indicação de que a consciência é o tema examinado na fenomenologia, | ||
| + | * Pergunta-se se é possível tornar esse privilégio peculiar inteligível a partir daquilo com que já se travou conhecimento, | ||
| + | * Se se conseguir demonstrar isso, ver-se-á que essas transformações ([[lx> | ||
| + | |||
| + | 2. Por essa razão, a presente consideração não é uma narração histórica, mas um olhar concreto para possibilidades bastante determinadas da própria existência, | ||
| + | |||
| + | **a) A filosofia grega sem um conceito de consciência** | ||
| + | |||
| + | 3. Torna-se compreensível que algo como a consciência seja tema da filosofia a partir do momento em que se lembra que os gregos não conhecem a consciência nem nada semelhante a ela, não havendo na filosofia grega nenhum conceito de consciência. | ||
| + | * Ao mesmo tempo, é preciso dizer que aquilo que, entre outras coisas, é concebido sob os conceitos fenomenológicos específicos atuais de consciência já se encontra precisamente entre os gregos, tendo Aristóteles visto, no curso da análise do perceber, que co-percebemos um próprio ver como ente, tendo-se uma [[f> | ||
| + | * Ele se pergunta que tipo de perceber é aquele com que se percebe o ver e semelhantes, | ||
| + | * Do ponto de vista dos dados de fato específicos da pesquisa atual, pode-se chamar isso de uma visão muito mais fundamental desse contexto do que a decisão precipitada subjacente à orientação da psicologia moderna, a saber, a de que a percepção do ver, a do pensar e assim por diante seriam uma única e mesma coisa, a percepção interna. | ||
| + | * Seja como for que se decida essas questões, o perceber como alguém se conduz tornou-se um tema do exame, não devendo o que aqui é percebido ser interpretado como uma experiência ou existência mental em sentido moderno. | ||
| + | * Apesar disso, a filosofia grega tardia revela um conhecimento daquilo que hoje se designa " | ||
| + | * Assim, isso entra na consciência de vida cristã e sofre uma explicitação ulterior na teologia, não sendo, porém, de modo algum, aquilo assim designado um objeto de consideração, | ||
| + | |||
| + | **b) A irrupção da fenomenologia nas Investigações Lógicas de Husserl e sua tendência básica** | ||
| + | |||
| + | 4. Para compreender a reviravolta do campo temático, do ente que é o mundo para o ente que é consciência dele, é necessário esboçar os traços da estação terminal, isto é, da fenomenologia atual, na medida em que isso se torna necessário para o exame. | ||
| + | * A investigação que se designa " | ||
| + | * De um ponto de vista puramente pessoal, esses temas eram óbvios para Husserl, uma vez que ele foi conduzido das investigações matemáticas às considerações lógicas em um esforço por compreender a especificidade do pensamento matemático. | ||
| + | * As Investigações Lógicas não são motivadas pela ambição de elaborar algo como um novo manual de lógica, sendo antes seu propósito principal fazer dos objetos de que a lógica se ocupa, pela primeira vez, um tema de tal modo que a investigação a eles referente seja colocada em posição de efetivamente poder trabalhar as matérias — que os objetos específicos dessa disciplina sejam trazidos a uma intuição específica que os identifique. | ||
| + | * " | ||
| + | * Os " | ||
| + | * Todo o curso do exame parte da perspectiva de chegar às próprias coisas, abrindo caminho, através de um saber meramente verbal, até as próprias coisas. | ||
| + | |||
| + | **c) A orientação da filosofia grega e a questão de sua reviravolta** | ||
| + | |||
| + | 5. Coloca-se a questão de como se chega a que a consciência se estabeleça como o campo da investigação, | ||
| + | * A consciência não se torna um tema possível de investigação sem mais nem menos, colocando-se duas questões a responder: 1. como se chega a que a consciência seja instituída como tema? e 2. como se chega a que ela necessite de uma purificação? | ||
| + | |||
| + | 6. Para compreender a peculiaridade desse exame, é preciso ter constantemente em mente o que se reuniu em conexão com a interpretação de Aristóteles, | ||
| + | * Essas várias categorias de ser sofrem, no trabalho filosófico dos gregos, um exame distintivo e principal, aproximando-nos necessariamente da orientação da filosofia grega o tipo de análise do ser assim dirigido, querendo-se ver o que dela permanece em ação na filosofia posterior. | ||
| + | |||
| + | 7. A multiplicidade dos entes é primeiramente dividida pelos gregos entre o tipo de ente que sempre é e o tipo de ente que também pode ser de outro modo, sendo característico dessa divisão que ela diz respeito a todo o domínio dos entes. | ||
| + | * Essa divisão básica está, por sua vez, em ação nas quatro determinações básicas do ser, determinações que, para Aristóteles, | ||
| + | |||
| + | 8. Quanto à primeira, ela é transmitida pela perspectiva assumida em relação ao logos, sendo kategorein (provar) uma forma mais forte de legein (dizer): demonstrar algo com certeza a alguém, atuando a categoria em orientação constante para aquela possibilidade de existir que é caracterizada como fala, possibilidade na qual o mundo existente em torno está " | ||
| + | |||
| + | 9. Quanto à segunda, ela é extraída de uma compreensão específica da própria vida, na medida em que "estar vivo" significa ser-uma-possibilidade, | ||
| + | * A " | ||
| + | |||
| + | 10. Quanto à terceira, ela abrange ambos, a saber, a existência do mundo e a da vida, repousando o olhar dos gregos sobre aspectos circunstanciais na medida em que são precisamente esses aspectos que constituem o caráter peculiar do ser. | ||
| + | |||
| + | 11. Quanto à quarta, ela diz respeito a um fenômeno básico da existência que, para os gregos, não é caracterizado com maior precisão, tendo os gregos, apesar disso, se adiantado à epistemologia atual nesse ponto, surgindo essa determinação em vista do traço peculiar de que o mundo está " | ||
| + | |||
| + | 12. Vê-se, assim, que, no conjunto, todas as quatro direções são extraídas do dado de fato do ser-no-mundo, | ||
| + | * Coloca-se então a questão de como se chega a uma reviravolta tão radical que aquilo que se chama " | ||
| + | |||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
