husserliana:schnell:fenomenologia:filosofar
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| + | ====== FILOSOFAR ====== | ||
| + | //SCHNELL, Alexander. Was ist Phänomenologie? | ||
| + | **Introdução: | ||
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| + | * "[...] sem ter apreendido a peculiaridade da atitude transcendental e sem ter verdadeiramente se apropriado do solo puramente fenomenológico, | ||
| + | * A fenomenologia é uma filosofia particular que pode ser caracterizada como uma das correntes filosóficas mais influentes desde o início do século XX, produzindo ou influenciando numerosos pensadores notáveis -- entre os mais significativos: | ||
| + | * Uma das obras principais de Edmund Husserl, fundador da fenomenologia, | ||
| + | * Na Introdução à segunda parte das Investigações Lógicas (1900/ | ||
| + | * Para Husserl, desde as últimas décadas do século XIX a filosofia se extravia de modo duplo -- em sua relação com o mundo como totalidade do ente e do aparecente, e consigo mesma como discurso fundamental que deve esclarecer o sentido de ser do ente. | ||
| + | * Ou a filosofia se atém ao positivamente dado, ao empiricamente verificável, | ||
| + | * A tendência fundamental é sempre a mesma: a filosofia deixa de se voltar para a origem do ser e do sentido, dirigindo-se para suas " | ||
| + | * As " | ||
| + | * Os fenômenos são as " | ||
| + | * O ponto de partida da fenomenologia -- ao menos da de Husserl -- é fazer dessa referência o tema filosófico fundamental, | ||
| + | * A ideia de que no conhecimento lidamos com " | ||
| + | * Isso valeu para Kant apenas para fins epistemológicos, | ||
| + | * Em Husserl as coisas se passam de modo completamente diferente: a correlação que habita o fenômeno -- entre modo de doação subjetivo e doação objetiva, ou seja, o que Husserl denomina correlação de " | ||
| + | * O conceito fenomenológico de fenômeno é portanto marcado por uma estrutura correlativa que habita a fenomenalidade -- e essa correlatividade não é uma afirmação apodítica, mas um campo de pesquisa atribuído, sendo sua análise um projeto a ser sempre de novo esboçado. Marc Richir a caracteriza (em seu peculiar " | ||
| + | * O estilo peculiar da fenomenologia deve ser mencionado: ela se assegura em cada um de seus passos de que o evidenciado em sua evidenciação seja e permaneça " | ||
| + | * Este ensaio tem como tarefa reconduzir a fenomenologia àquelas pretensões de ser e de conhecimento que foram precisamente formuladas pela primeira vez no auge de seu surgimento (em Husserl), o que se exprime na exigência de que a fenomenologia seja concebida como " | ||
| + | * É decisivo que aqui ocorra uma mudança de direção do olhar -- que Husserl concebia como o " | ||
| + | * A posição da fenomenologia pode ser elucidada também de outro modo, recorrendo a um debate conhecido iniciado por Ernst Tugendhat, que permite iluminar as implicações epistemológicas e ontológicas significativas da fenomenologia. | ||
| + | * Nas Vorlesungen zur Einführung in die sprachanalytische Philosophie (Frankfurt am Main, Suhrkamp (stw), 1976), esse excelente conhecedor da obra de Husserl e Heidegger apresentou um notável estudo comparativo entre filosofia analítica da linguagem e fenomenologia, | ||
| + | * A crítica de Tugendhat vai ainda mais longe: nesse caso, deveria ser reconhecida à linguagem uma função mediadora entre o ente e a consciência. Mas a consciência declarada pela fenomenologia como campo originário de pesquisa -- como o modo pelo qual o ente é dado -- se referiria a algo extra-consciente, | ||
| + | * Tugendhat contrapõe a isso um modelo teórico que representa, ao menos segundo sua própria descrição, | ||
| + | * Na fenomenologia as coisas se apresentam exatamente ao contrário: quanto à primeira parte da argumentação de Tugendhat -- a equiparação de significação e regras de uso linguístico --, cabe perguntar pelo que torna as regras precisamente as regras para esta significação. Algo parece estar presente que torna possível esse uso regrado -- e a teoria da correspondência da verdade que Tugendhat invoca como resposta (segunda parte de sua argumentação) não é metafisicamente livre de pressuposições; | ||
| + | * Para concluir essas considerações introdutórias, | ||
| + | * Primeira tese: tese da dupla ausência de pressuposições. A fenomenologia é marcada por uma ausência de pressuposições ontológica e gnoseológica. " | ||
| + | * Segunda tese: tese da doação genetizada. À tese da absoluta não-pré-doação do ente (tanto subjetivo quanto objetivo) contrapõe-se a tese de que a fenomenologia visa uma doação experienciável no sentido mais amplo, mas a ser evidenciada em seu sentido constitutivo -- não fornecendo análises conceitual-gramaticais nem defendendo um ponto de vista argumentativo-lógico. Essa tese é compatível com a anterior na medida em que a doação aqui veiculada -- a genetizada -- deve ser radicalmente separada de qualquer pré-doação realista: o dado não é pré-dado porque sua própria doação se desdobra e se evidencia primeiramente no procedimento genetizante da fenomenologia. | ||
| + | * Terceira tese: tese da correlatividade. Só com base nas duas primeiras teses também a terceira -- a de que a fenomenologia tem sempre por tema a correlação fenomenológica -- pode ser compreendida. O correlacionismo não é metafisicamente pressuposto (como ocorre com o ser-em-si no realismo ou dogmatismo metafísico), | ||
| + | * Quarta tese: tese da inteligibilização. A fenomenologia visa esclarecimento e tornar-compreensível o sentido, e não determinação positiv(ist)a do ente e legitimação puramente lógica do conhecimento. O conceito de " | ||
