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| + | ====== O transcendental em Husserl ====== | ||
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| + | ==== Pensamento Ocidental Moderno ==== | ||
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| + | === Filósofos e Pensadores === | ||
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| + | //Excertos da tradução em português feita por Mary Amazonas Leite de Barros, do livro de Lyotard, "A Fenomenologia" | ||
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| + | //Excertos da tradução em português feita por Mary Amazonas Leite de Barros, do livro de Lyotard, "A Fenomenologia" | ||
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| + | **IV — A problemática do sujeito.** | ||
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| + | A fenomenologia tomava pois o sentido de uma propedêutica às " | ||
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| + | A preocupação de fundar radicalmente o saber havia levado Husserl à eidética formal, isto é, a uma espécie de logicismo. Mas, a partir do sistema das essências, duas orientações se abrem: ou desenvolver a ciência lógica em mathesis universalis, | ||
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| + | Deste modo no segundo tomo das Investigações Lógicas destinguimos dois movimentos entrelaçados, | ||
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| + | **V. — A redução** | ||
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| + | A inspiração cartesiana surge em A Ideia de Fenomenologia (1907) que se fará sentir nas Ideen I e, ainda, mas num grau menor, nas Méditations cartésiennes. | ||
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| + | O sujeito cartesiano resultante das operações da dúvida e do cogito é um sujeito concreto, vivencial, não um quadro abstrato. Simultaneamente, | ||
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| + | A atitude natural contém uma tese ou posição implícita pela qual eu encontro aqui o mundo e o aceito como existente. "As coisas corporais aí estão simplesmente para mim com uma distribuição espacial qualquer; elas estão " | ||
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| + | A tese natural, contida implicitamente na atitude natural, é aquilo que permite que eu " | ||
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| + | Esta alusão às duas primeiras meditações de Descartes exprime que nem bem o radicalismo cartesiano foi retomado e Husserl denuncia sua insuficiência: | ||
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| + | **VI. — O eu puro** | ||
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| + | Qual é o resultado dessa operação redutora? Na medida em que o eu concreto está entrelaçado com o mundo natural, é claro que está ele mesmo reduzido; em outros termos, eu devo me abster de toda tese a respeito do eu como existente; mas é igualmente claro que existe um eu, que justamente se abstém, e que é o próprio eu da redução. Esse eu é chamado eu puro e a epoche é o método universal pelo qual eu me apreendo como eu puro. Esse eu puro encerra um conteúdo? Não, no sentido em que ele não é um continente; sim, no sentido em que esse eu é alvo de alguma coisa; mas não se deverá aplicar a redução a esse conteúdo? Antes de responder a essa questão, convém constatar que à primeira vista a redução dissocia plenamente, de um lado o mundo como totalidade das coisas e de outro a consciência sujeito da redução. Procedamos à análise eidética da região coisa e da região consciência. | ||
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| + | A coisa natural, por exemplo aquela árvore, me é dada dentro e por um fluxo incessante de esboços, de silhuetas. (Abschattungen). Estas silhuetas, através das quais se perfila a coisa, são vivências que se relacionam à coisa pelo seu sentido de apreensão. A coisa é como um " | ||
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| + | A própria vivência, pelo contrário, é dada a si mesma numa " | ||
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| + | Por conseguinte, | ||
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| + | Indagamos anteriormente: | ||
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| + | Assim, a epoche tomada na etapa dos Ideen 1 tem uma significação dupla: de um lado negativa, porquanto isola a consciência como resíduo fenomenológico e é nesse nível que a análise eidética (isto é ainda natural) da consciência se opera; por outro lado, positiva porque faz emergir a consciência como radicalidade absoluta., Com a redução fenomenológica, | ||
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| + | **VII. — Eu puro, eu psicológico, | ||
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| + | Não se trata, portanto, de uma volta ao subjetivismo psicologista, | ||
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| + | 1) Não se pode confundir eu transcendental e eu psicológico e sobre este ponto insistem as Méditations cartésiennes. É certo que, diz Husserl, "eu, que permaneço na atitude natural, eu sou também e a todo instante eu transcendental. Mas (acrescenta) só o percebo efetuando a redução fenomenológica" | ||
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| + | 2) Estaremos, por conseguinte, | ||
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| + | Num artigo célebre (Die phanomenologische Philosophie E. Husserls inder gegenwartigen Kritik, Kantstudien, | ||
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| + | **VII. — A intencionalidade.** | ||
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| + | Se o objeto pode ter o sentido de transcendência no próprio seio da imanência do eu é, em resumo, porque não existe, para sermos exatos, imanência na consciência. A distinção, | ||
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| + | Vemos, pois, que podemos, com Husserl, falar de uma inclusão do mundo na consciência, | ||
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