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| + | ====== Espécies de intuição (1959) ====== | ||
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| + | //Júlio Fragata, A Fenomenologia de Husserl como Fundamento da Filosofia. Livraria Cruz, 1959// | ||
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| + | CAPITULO II A EVIDÊNCIA APODÍTICA | ||
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| + | 2.— ESPÉCIES DE INTUIÇÃO | ||
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| + | A intuição adquire para Husserl diferentes modalidades a partir da diversidade dos objetos a que se refere, em relação aos quais se pode dizer fundamentalmente especificada: | ||
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| + | No primeiro caso, apresenta-se «em pessoa», ou «na sua mesma corporeidade» (leibhaft), isto é, em si mesmo, ou imediatamente. Dá-se uma presença no sentido estrito que em português poderemos designar por «presentação» (Gegenwärtigung). A intuição tem um caráter peculiarmente fundamental, | ||
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| + | Quando o objeto é apenas imaginado ou recordado, a sua presença já não é plenamente «originária», | ||
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| + | Neste caso, a intuição refere-se ao objeto indiretamente, | ||
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| + | No objeto podemos, em segundo lugar, distinguir três espécies diversas: objetos sensíveis, — categoriais — e universais. | ||
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| + | Os primeiros, enquanto opostos aos universais, incluem apenas objetos singulares empíricos. Neste caso, a intuição denominada sensível no sentido mais estrito da palavra, pois, tratando-se duma «percepção», | ||
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| + | No temos contudo que esta «intuição sensível» é diversa da «intuição sensível» dos escolásticos, | ||
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| + | Mais típica na filosofia de Husserl é a «intuição categorial», | ||
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| + | «Objeto categorial» é portanto, primariamente, | ||
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| + | «Intuição categorial» é portanto, primariamente, | ||
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| + | Podemos pois falar de «intuição categorial» sempre que se dá uma «percepção» supra-sensível a qual se pode também insinuar mesmo em percepções de caráter fundamentalmente sensível. | ||
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| + | De fato, qualquer expressão, sugerida pela palavra -«categorial», | ||
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| + | Graças a «intuição categorial», | ||
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| + | Finalmente temos os «objetos universais», | ||
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| + | Para maior clareza, apresentemos um exemplo: Se penso a forma «homem», atendendo à sua mera significação, | ||
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| + | Salientamos anteriormente que, para que haja uma intuição, mesmo sensível, basta que o objeto seja uma imagem. Com maior razão no caso presente, pois, ao contrário do que acontece na «intuição categorial» em que as «intuições sensíveis» que a fundam são elementos intrínsecos da mesma, na «intuição eidética» o fato individual que se intui é apenas um fundamento extrínseco. A essência, como tal, é absoluta, prescinde do fato. Por isso a «intuição eidética», | ||
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| + | Uma essência pode porém estar diretamente fundada numa singularidade sensível ou categorial. No primeiro caso, temos «essências materiais», | ||
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| + | A intuição «sensível» e a «categorial» podem portanto referir-se não só a objetos singulares, como anteriormente consideramos, | ||
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| + | As diferentes modalidades de intuição ou evidência até agora consideradas poderemos resumi-las no seguinte esquema, em que a «intuição categorial» se toma no sentido estrito: | ||
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| + | INTENÇÃO (objeto meramente significativo | ||
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| + | INTUIÇÃO | ||
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| + | (preenchimento da intenção) | ||
| + | Apresentação | ||
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| + | (percepção) | ||
| + | De objetos sensíveis | ||
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| + | De objetos categoriais | ||
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| + | De objetos universais | ||
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| + | «re-presentação» | ||
| + | Pela imagem | ||
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| + | Pela memória | ||
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