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estudos:zarader:zarader-2000221-wahrnis

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estudos:zarader:zarader-2000221-wahrnis [16/01/2026 14:40] – created - external edit 127.0.0.1estudos:zarader:zarader-2000221-wahrnis [26/01/2026 13:01] (current) mccastro
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 +===== Wahrnis (2000:221) =====
 +A primeira destas figuras é a da verdade. Primeira, não no tempo da obra (apanhada na sua configuração de conjunto, é pelo contrário uma das mais tardia), mas por ser a única onde Heidegger não se limita em cumprir o movimento em questão: pensa nele e explicita-o, enuncia a sua lei. É a razão pela qual, sem estudar aqui só por si a questão da verdade, tinha-a utilizado como modelo para actualizar a estrutura que teria de servir de fio condutor no exame das outras questões.
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 +Esta estrutura, tal como se incarna na questão da verdade, comporta dois momentos principais. Se num primeiro tempo, Heidegger retrocede da veritas (entendida metafisicamente como concordância) para o revelar (que estaria indicado na aletheia) — reconhece, no fim da sua obra, que a aletheia «surge logo na perspectiva da homoiosis». Não renuncia então à necessidade de pensar na verdade enquanto revelação, mas reconhece que essa essência original nunca pertenceu à experiência grega, nem sequer na forma de impensável — e que em consequência não pertence ao horizonte de nominação da palavra grega. Isso quer dizer, que é levado a ultrapassar a própria aletheia no sentido de um sítio mais originário: a abertura onde se abriga a própria possibilidade de qualquer presença e cuja essência está indicada no alemão Wahrnis . Nesta palavra, mais do que em qualquer outra, a própria verdade está dita na sua essencial proximidade com a salvaguarda. A passagem para além da palavra grega é então tematizada aqui (é aliás o único sítio onde o é), mas o recurso ao alemão, apesar de estar presente, permanece extremamente discreto: funciona quanto muito como pontuação do caminho.
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 +[ZARADER, Marlène. A Dívida Impensada. Heidegger e a Herança Hebraica. Lisboa: Instituto Piaget, 2000]
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