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estudos:wojtyla:wojtyla-subida-unio

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-====== Wojtyla Subida Unio ====== 
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-3. O QUE É A UNIÃO DA ALMA COM DEUS (SUBIDA II 5). 
-De ponta a ponta, a obra de São João da Cruz trata primordialmente da união da alma com Deus: que é, quais são seus meios próprios, como e por que vias se consegue esta união, qual é sua forma definitiva. Em torno destes pontos se desenvolve materialmente sua tetralogia. E percebe-se com clareza desde o prólogo de Subida até a última página de Chama. 
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-Pois bem, se a fé está subordinada à união , como o meio ao fim, podemos ver quão importante é para nosso intento fixar a idéia de união com a maior precisão possível, pois sabemos que os meios devem ser proporcionais aos fins que pretendem alcançar. Por sua ordenação intrínseca ao fim, é obvio que a índole específica da fé aparecerá mais claramente através da noção de união. 
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-São João da Cruz distingue em Subida II 5,3 duas espécies de união da alma com Deus: uma natural, que chama também substancial ou essencial; outra sobrenatural, e esta é, propriamente falando, a ‘união de semelhança’. 
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-A primeira consiste na presença substancial de Deus em qualquer alma, inclusive na do maior pecador: 
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-"Deus, mora em qualquer alma e a assiste substancialmente, ainda que seja a do maior pecador do mundo". 
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-Esta primeira união, que consiste no fato mesmo da presença substancial de Deus na alma, resulta da comunhão no ser natural, e está, portanto, vinculada à criação e conservação: 
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-"Deus está sempre na alma dando-lhe e conservando-lhe o ser natural com sua assistência". 
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-Porem não é esta a união que São João da Cruz quer explicar em suas obras. Ele se ocupa com a segunda, ou seja, a união sobrenatural. Por isso, depois da necessária e passageira alusão à união natural, esboça, com esplêndida visão de conjunto, o que é e como deve ser entendida a união sobrenatural. 
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-O elemento primordial para distinguir estritamente a união sobrenatural de qualquer união natural é a diferente espécie de comunicação; não se trata já de uma comunicação no ser natural, mas de uma comunicação sobrenatural: 
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-"embora seja verdade que [...] Deus está sempre na alma dando a ela e conservando-lhe o ser natural com sua assistência, contudo, não lhe comunica sempre o ser sobrenatural". 
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-Este segundo tipo de comunicação se realiza mediante a graça e a caridade (mediante o amor): 
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-"porque este não se comunica senão por amor e graça, na qual nem todas as almas estão". 
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-Mais ainda: esta comunicação sobrenatural se verifica em almas distintas segundo diferentes graus, que correspondem à diferença de intensidade da graça e do amor. 
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-Mais abaixo se verá melhor a importância própria do amor para a realização da união. No momento basta assinalar que o Doutor Místico insiste, no texto que estamos analisando, no papel decisivo do amor para conseguir e aumentar a união. Assim resulta também assinalada a índole dinâmica da união de que trata: a união consiste na comunicação sobrenatural do ser de Deus mediante a graça e o amor. E o amor torna possível seu crescimento. 
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-Esta união sobrenatural através da comunicação da graça e do amor é designada pelo Doutor Místico como uma ‘nova geração’, como um ‘nascimento’ dos filhos de Deus. São João da Cruz aplica aqui as passagens típicas de Jo 1, 13 e 2, 15. Sem dúvida, nos damos conta imediatamente que nesta breve panorâmica da união já se escuta uma nota verbal de máximo valor na teologia sanjoanista da graça e do amor: a transformação. Sua característica peculiar é um efeito do amor, que é o que produz a união sobrenatural, como veremos mais detidamente analisando Subida I 4: o amor é o que produz o aumento da união, e é também o que torna possível os diferentes graus de transformação. Pelo amor, ademais, a função unitiva e transformadora redunda na vontade. A seguir, São João da Cruz recorrerá a uma espécie de axioma, com o qual topamos em Subida II 5 e logo em muitas passagens mais: 
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-"Deus se comunica mais àquela alma que está mais adiantada no amor, isto é, àquela que tem sua vontade mais conforme à vontade de Deus. E a que a tem totalmente conforme e semelhante, está totalmente unida e transformada em Deus sobrenaturalmente". 
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-Deste modo vemos que, por intervenção do amor, a união psicológica se reduz à conformidade da vontade humana com a vontade divina. 
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-Acrescentamos ainda que esta conformidade é considerada de um ponto de vista objetivo, e assim, São João da Cruz repetirá insistentemente: 
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-"a união sobrenatural se dá quando as duas vontades - a saber, a da alma e a de Deus - estão de tal modo conformes, não havendo em uma nada que contrarie a outra". 
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-Portanto, esta união é uma comunicação que consiste na conformidade de vontades, progride pelo amor e pelo amor expressa seu aspecto psicológico. Tal amor possui, simultaneamente, capacidade transformadora. 
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-Que entenderemos por "transformação"? São João da Cruz afasta imediatamente a possibilidade de uma interpretação panteísta: não se trata de uma transformação substancial ou essencial, mas de uma transformação participada. O poeta São João da Cruz nos esclarece seu pensamento primeiramente com uma imagem brilhante: a do vidro investido pelos raios do sol, analogia famosa e muito conhecida. Observa o Doutor Místico que se os raios solares encontram um vidro limpo e transparente, tanto melhor lhe comunicará sua claridade, seu influxo luminoso, suas qualidades específicas; e se o vidro estiver absolutamente puro, absolutamente transparente, então o sol se comunicará com ele em tal grau que o fará ‘transluminoso’, brilhante com a mesma luz que brilha o sol, de forma que o confundiríamos com ele, embora não se tenha transformado essencialmente no sol, uma vez que não perdeu sua natureza de vidro, evidentemente distinta da natureza do sol. O que ocorre é que está participando em altíssimo grau da claridade solar: "embora se pareça com o raio, tem sua natureza distinta do mesmo raio; mas podemos dizer que aquele vidro é raio ou luz por participação". 
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-Eis aqui, através de uma esplêndida analogia, toda a teologia da comunicação sobrenatural pela graça e amor e da transformação participada. De maneira análoga, pois, a alma participa da comunicação sobrenatural pela graça e pelo amor e, em virtude deles acaba por transformar-se, por participação, na mesma luz de Divindade. 
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-"A alma [...] logo fica esclarecida e transformada em Deus, e Deus lhe comunica seu ser sobrenatural, de tal maneira que parece o mesmo Deus e tem o que o mesmo Deus tem. E esta união se realiza quando Deus faz à alma esta sobrenatural mercê, pela qual todas as coisas de Deus e da alma são unificadas por transformação participante; e a alma mais parece Deus que alma, e ainda é Deus por participação. Embora seja verdade que conserve seu ser naturalmente tão distinto de Deus quanto antes, ainda assim está transformada". 
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-Portanto, a transformação mais profunda não ultrapassa nunca os limites da participação. E, posto isto, já pode o Doutor Místico afirmar da alma: "é Deus por participação". 
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-Todas estas explicações põem em relevo, unicamente, como as realidades sobrenaturais, que na teologia teórica são expostas a nível de pura especulação, são expressas de maneira muito mais plástica e viva no mundo e na linguagem da experiência mística. 
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-Vemos que o Doutor Místico apresenta a união como o fim de todos os desejos da alma, como uma participação sobrenatural com Deus, como uma participação da Divindade por graça e amor. E que a força inata desta é capaz de crescer até a transformação, isto é, até a união transformadora com Deus. 
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-No amor também se inclui o aspecto especificamente psicológico: a conformidade da vontade humana com a vontade divina, que é conformidade objetiva: "não havendo em uma , nada que contrarie a outra". Daí deriva a conformidade ou união moral: o mesmo querer, o mesmo não querer. 
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-Os grandes fundamentos que sustêm o edifício sistemático da doutrina do Doutor Místico sobre a união podem ser condensados em três palavras: 
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-Comunicação - participação - transformação. 
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-A participação corresponde à comunicação, explica sua íntima natureza e dá sua medida, e, ao mesmo tempo, tende à transformação, dentro dos limites da participação, em forma de amor e por sua força. Isto é, à transformação participada de amor. 
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-A doutrina de São João da Cruz sobre a união se encontra em germe nesta passagem de Subida II 5; logo, ao longo de toda sua obra, o germe irá se desenvolvendo e frutificando. 
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-Para nosso intento, ou seja, para indagar seu pensamento sobre a natureza da fé, este capítulo é fundamental. Nele podemos, ademais, verificar a interpretação que fizemos acima de Subida II 8: a distinção do natural e do sobrenatural ali exposta corresponde aqui à doutrina do Doutor Místico sobre a dupla união da alma com Deus: união natural, união sobrenatural. 
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-Pela primeira, qualquer criatura se ‘comunica’ com Deus pela razão de ser, e, pela maior ou menor perfeição de ser, toda criatura constitui um vestígio de Deus. Sem dúvida, o ser natural, por maior vestígio ou pegada de Deus que seja, por muita perfeição entitativa que tenha, não é capaz em absoluto de chegar por si mesmo à união sobrenatural com Deus, não pode ultrapassar seus próprios limites e adentrar no âmbito da essência divina, nem penetrar na intimidade vital da Divindade. Nenhuma perfeição natural é suficiente para tão subida união, já que a todas e a cada uma das criaturas falta a "semelhança essencial" que é condição requerida para remontar-se à ordem da Divindade. 
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-Ao contrário, a fé possui essa "semelhança essencial". Portanto, é apta para levar à união. O que eqüivale a dizer que a fé ultrapassa a fronteira da ordem sobrenatural e penetra a Divindade mesma, cooperando, de certa forma, ativamente na transformação participada da alma, que se realiza sucessiva e gradualmente por obra da graça e do amor. Tal capacidade se enraíza em si mesma de onde brota sua função unitiva. 
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-Tudo isto, embora não de maneira expressa, se percebe muito claramente nos textos sanjoanistas analisados. 
  
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