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| + | ====== Fenomeologia e História (2002) ====== | ||
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| + | //Data: 2025-10-30 12:49// | ||
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| + | ==== Phénoménologie: | ||
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| + | === Pascal Dupnd et Laurent Cournarie (orgs.) === | ||
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| + | * A vastidão do tema " | ||
| + | * A impossibilidade de elaborar um inventário, | ||
| + | * A proposta de limitar o exame às duas figuras emblemáticas de Husserl e Heidegger | ||
| + | * O tratamento sucessivo destas duas figuras sob o título " | ||
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| + | * O utilidade de evocar duas abordagens filosóficas da história anteriores à fenomenologia | ||
| + | * As duas abordagens filosóficas da história sendo anteriores ao movimento fenomenológico propriamente dito | ||
| + | * O propósito de mostrar que estas abordagens antecipam, ou mesmo inspiram, em medida não negligenciável, | ||
| + | |||
| + | * A filosofia da história de Georg Wilhelm Friedrich Hegel: a razão (Vernunft) na história | ||
| + | * A noção central em torno da qual Hegel articula sua filosofia da história: a razão (Vernunft) | ||
| + | * A razão figurando no título da introdução às suas lições de filosofia da história: Die Vernunft in der Geschichte | ||
| + | * A razão sendo, segundo ele, a lei do mundo e, por conseguinte, | ||
| + | * A tese de Hegel estando em acordo com a convicção na raiz da tradição filosófica inaugurada pelos Gregos (Anaxagoras dizia que o nous rege o mundo) e com a convicção que anima a fé cristã (o mundo regido pela Providência) | ||
| + | * A transformação do princípio abstrato de Anaxagoras e do registro da crença da fé cristã em uma questão de demonstração rigorosa e sistemática por Hegel | ||
| + | * Anaxagoras estando muito longe de aperceber que a natureza forma um verdadeiro sistema racional, no seu campo privilegiado de investigação (a physis), e mais longe ainda de aperceber que o mundo histórico forma sistema | ||
| + | * O nous de Anaxagoras sendo apenas um voto metodológico e formal que não investia em nada os conteúdos da sua busca | ||
| + | * A " | ||
| + | * O curso mesmo do processo histórico sendo intrinsecamente penetrado de razão | ||
| + | * A impossibilidade de haver razão na historia rerum gestarum senão porque a racionalidade está à obra nas res gestae | ||
| + | * A providência do cristianismo sendo um princípio não menos abstrato aos olhos de Hegel do que o nous de Anaxagoras, pois as vias desta providência permanecem subtraídas ao saber para o crente | ||
| + | * A objeção de Hegel de que Deus, se se revelou, concedeu não somente a possibilidade mas a obrigação de o conhecer | ||
| + | * A refutação da distinção de Santo Agostinho na Cidade de Deus entre o procursus (o achegamento secreto do mundo para a beatitude celeste) e o excursus (o curso aparente dos assuntos humanos) | ||
| + | * A demonstração de Hegel de que a razão absoluta se revela plenamente no curso do processo histórico mesmo, em lugar de preservar seu segredo | ||
| + | * O curso da história sendo uma verdadeira teodiceia, a demonstração progressiva do absoluto | ||
| + | * A filosofia da história sendo uma teleo-logia, | ||
| + | * O telos, definido como razão absoluta, não podendo ser senão um reino onde a razão não é mais relativa em nada a qualquer coisa outra que ela mesma | ||
| + | * O telos sendo a identidade do racional e do real, da Ideia e do ser, do poder e do em si | ||
| + | * A identidade do racional e do real sendo especulativa no sentido primeiro especular da palavra | ||
| + | * A razão absoluta, dita também Espírito absoluto, contemplando-se a si mesma, reconhecendo a sua própria produção na totalidade do real — natureza e história reunidas | ||
| + | * A filosofia da história sendo o exposto de um processo universal de gestação do telos, dado que esta teleologia é universalmente englobante | ||
| + | * O curso da Weltgeschichte sendo um processo de produção, no sentido de um trabalho de elaboração, | ||
| + | * O processo de elaboração como uma sucessão de etapas | ||
| + | * Cada etapa atestando ao mesmo tempo a antecipação do telos e uma defeituosidade em relação ao cumprimento deste telos | ||
| + | * Cada etapa sendo já a identidade do real e do racional, e no entanto não o sendo ainda | ||
| + | * A harmonia reinando na medida em que a etapa já é a identidade do real e do racional | ||
| + | * A etapa intrinsecamente marcada por uma crise na medida em que ainda não é a identidade do real e do racional | ||
| + | * A crise consistindo, | ||
| + | * A história sendo todo o resto que não uma sequência de eventos que marcaram a interação de indivíduos e que requereriam a crônica | ||
| + | * As intenções, | ||
| + | * A astúcia da razão se servindo da violência para assegurar o seu reino harmonioso | ||
| + | * O reino culminando em um cumprimento ao mesmo tempo teórico e prático | ||
| + | * A figura do cumprimento teórico sendo a ciência | ||
| + | * A figura do cumprimento prático sendo o Estado moderno, no sentido em que Hegel o entende: instituição ao mesmo tempo orgânica e burocrática | ||
| + | * O Estado moderno superando a imediatidade que foi a da Cidade grega pelas mediações que ela instaura | ||
| + | * O Estado moderno superando o formalismo jurídico do mundo romano pelo seu caráter orgânico | ||
| + | * A geografia deste cursus indo do Oriente ao Ocidente, de sorte que a Europa, citando, é "das Ende der Weltgeschichte" | ||
| + | |||
| + | * A sombra de Hegel nos textos tardios de Edmund Husserl sobre a história | ||
| + | * O esquematismo desta descrição justificado na medida em que a sombra de Hegel é detectável no plano de fundo dos textos de Husserl sobre a história | ||
| + | * Os textos de Husserl sobre a história sendo tardios, datando do meio dos anos 30, ou seja, de uma época dramática | ||
| + | * A maioria dos textos de Husserl gravitando em torno da preparação do opus inacabado publicado a título póstumo sob o título A Crise das ciências europeias e a Fenomenologia transcendental | ||
| + | * O adjetivo " | ||
| + | * A fenomenologia tendo sido praticada na abordagem ao mesmo tempo crítica e descritiva das Investigações Lógicas, antes da caracterização reflexiva | ||
| + | * O termo transcendental sendo de origem kantiana | ||
| + | * O transcendental visando em Kant, por oposição a toda busca simplesmente empírica, a busca de condições necessárias e universais de possibilidade tanto para o conhecimento quanto para a ação | ||
| + | * O dizer que a fenomenologia é transcendental sendo o dizer que o seu campo de investigação, | ||
| + | * A diferença maior com Kant consistindo no fato de estas condições serem pensadas ser acessíveis a uma vista, a uma intuição, ao termo de uma variação eidética, enquanto em Kant só o espaço e o tempo podem ser intuicionados | ||
| + | * A pesquisa de Husserl não tendo considerado que a história caía, em que quer que seja, no campo da fenomenologia durante três décadas | ||
| + | * A anedota significativa segundo a qual Husserl, expondo a Heidegger a forma em que concebia o artigo " | ||
| + | * A abordagem de Husserl à história se dando no campo da fenomenologia transcendental no momento em que a história começa a preocupá-lo | ||
| + | * A preocupação pela história sendo imposta exteriormente pela irrupção maciça de uma ideologia nacionalista e racista que o concernia em sua própria pessoa | ||
| + | * A preocupação pela história também motivada por questões internas à fenomenologia mesma | ||
| + | * A fenomenologia tendo descoberto a consistência intrínseca da ordem das idealidades e tendo mostrado que estas não podiam em nenhum caso ser consideradas como simples emanações de fatos psicológicos, | ||
| + | * A fenomenologia, | ||
| + | * A necessidade de a fenomenologia reconhecer que a relação intencional à ordem das idealidades — por exemplo, as idealidades matemáticas — não era de sempre, que tinha nascido em certo momento, que tinha uma gênese histórica | ||
| + | * A determinação da forma em que Husserl responde à questão transcendental de saber quais são as condições de possibilidade do " | ||
| + | |||
| + | * A historicidade individual e o conceito husserliano: | ||
| + | * O que é preciso para que o curso de uma existência individual seja o objeto de uma História sob a forma simples de uma biografia | ||
| + | * A resposta de Husserl citando um manuscrito do grupo K III: "Só pode haver historicidade no sentido próprio para um homem que tenha pré-desenhado o sentido unificado de sua vida, como aquele que se decidiu livremente a consagrar sua vida a um Beruf e prescreveu por isso a todas as suas vontades e as suas ações futuras uma regra, uma norma; mantendo-a através de todas as vicissitudes, | ||
| + | * A historicidade sendo entendida como uma teleologia, ou seja, mais precisamente como um processo que começa por um pré-desenho, | ||
| + | * O diverso eventual, com o elemento de surpresa que aí se prende, sendo considerado como exterior à história, como o contra o que a unidade da norma se afirma e se mantém | ||
| + | * A preponderância do um sobre o diverso, e a preponderância da identidade sobre a diferença, da mesmidade sobre a alteridade | ||
| + | * O que é histórico permanecendo fiel a si, e dependendo o sentido deste processo exclusivamente da manutenção de si, sendo o processo dito autosuficiente | ||
| + | * A recorrência, | ||
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| + | * A historicidade coletiva e a crise europeia no pensamento de Husserl: o sentido teleológico do Espírito (Geist) | ||
| + | * A confirmação e o aparecimento mais nítido da recorrência dos traços hegelianos quando se presta atenção ao que Husserl diz da historicidade coletiva | ||
| + | * A Concentração na conferência de Viena de 1935 intitulada Die Krisis des Europaischen Menschentums und die Philosophie (A Crise da Humanidade Europeia e a Filosofia) | ||
| + | * O tema da crise europeia abordado por Husserl em relação ao " | ||
| + | * A estipulação de que a crise em questão é espiritual (geistig) e é, portanto, "um problema tributário de uma ciência pura do Espírito, portanto primeiro de uma história do Espírito" | ||
| + | * A Geistesgeschichte sendo, diz ele, uma " | ||
| + | * A humanidade europeia guarda uma entelequia que lhe é inata, que domina de lado a lado todas as mudanças afetando a forma da Europa e lhes confere o sentido de um desenvolvimento orientado para um polo eterno | ||
| + | * O dizer que a Europa, e ela só, é depositária de um sentido teleológico, | ||
| + | * A irrupção — o Urphanomen (o Urfenômeno) da Europa espiritual — sendo a irrupção da filosofia ela mesma, nascida na Grécia | ||
| + | * A filosofia, em relação às outras produções espirituais, | ||
| + | * A filosofia sendo " | ||
| + | * A Europa sendo dotada de uma historicidade toda a feita específica pela irrupção da filosofia, ciência universal | ||
| + | * A Europa se elevando a um nível de historicidade ao qual as culturas extra-europeias – isto é, " | ||
| + | * As outras culturas se limitando a tarefas e prestações relativas a um Umwelt quotidiano estritamente finito, exclusivamente empírico e recebido ingenuamente à maneira de uma tradição que vai de si | ||
| + | * A Europa, desde a irrupção da filosofia, sendo animada de um interesse para uma " | ||
| + | * O interesse prescrevendo-lhe " | ||
| + | * A vida se universalizando, | ||
| + | * A theoria, funcionando como uma norma infinita, não acarretando no entanto ruptura com a prática, mas transformando-a profundamente | ||
| + | * A theoria universalizando a prática, subordinando-a a um trabalho dos uns com os outros e dos uns para os outros (um Miteinanderarbeit) focado na pesquisa, a compreensão, | ||
| + | * A theoria conduzindo a existência a se compreender sub specie aeterni (69) | ||
| + | * A objeção de Husserl a si mesmo sobre se este quadro não trai um retorno ilusório a uma Aufklarung suspeita, grosso modo ao racionalismo dos séculos XVII e XVIII | ||
| + | * A resposta negativa de que este racionalismo estava a extraviar-se: | ||
| + | * O extravio do racionalismo sendo a raiz da crise de que ele trata, segundo ele | ||
| + | * O extravio se devendo a uma ingenuidade fundamental cujo nome o mais geral é o de objetivismo ou ainda de naturalismo | ||
| + | * A lacuna essencial do objetivismo e do naturalismo sendo a ausência de reflexão, de Selbstbesinnung | ||
| + | * O reconhecimento de Husserl de ser herdeiro do idealismo alemão: "der deutsche Idealismus ist uns in dieser Einsicht langst vorausgegangen" | ||
| + | * O idealismo alemão, segundo ele, já se tendo " | ||
| + | * A ingenuidade objetivista, | ||
| + | * O absurdo de " | ||
| + | * "A subjetividade que cria (leistende) a ciência não tem o seu lugar legítimo em nenhuma ciência objetiva" | ||
| + | * A ignorância obstinada do objetivismo ou do naturalismo de que a " | ||
| + | * As formulações quase hegelianas sob a pena de Husserl, já que o idealismo alemão lutou apaixonadamente contra este desconhecimento | ||
| + | * "O Espírito, e mesmo só o Espírito, existe em si e para si; só, ele repousa sobre si e pode, no quadro desta autonomia e somente neste quadro, ser tratado de uma maneira verdadeiramente racional, verdadeira e radicalmente científica" | ||
| + | * A suficiência do Espírito a si mesmo só se dando quando o Espírito, cessando de se virar ingenuamente para o exterior, retorna a si e permanece em casa e puramente em casa (bei sich) | ||
| + | * A universalidade do Espírito absoluto abraçando tudo em uma historicidade absoluta onde a natureza se incorpora enquanto é uma obra do espírito | ||
| + | * A não coincidência das formulações com a terminologia de Hegel | ||
| + | * A concepção de historicidade autêntica em Husserl sendo o processo de realização de um plano racional a despeito das vicissitudes e para além do diverso eventencial, | ||
| + | * A concepção deste processo como um trabalho, como em Hegel | ||
| + | * O concurso dos indivíduos sendo suposto por este trabalho, mas estes não sendo senão os agentes ou os funcionários de uma entidade que os ultrapassa, como em Hegel: o Espírito em si e para si, só verdadeiro depositário ou titular da historicidade | ||
| + | * O sentido do processo só se revelando à ciência das ciências, ou seja, à filosofia, como em Hegel | ||
| + | * A diferença maior, quanto à história, consistindo em que em Hegel a filosofia se detém no registro pacífico da comemoração, | ||
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| + | //DUPOND, Pascal; COURNARIE, Laurent (ORGS.). Phénoménologie, | ||
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