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estudos:stambaugh:stambaugh-19698-12-identitat-identity

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 +===== Identität - Identidade (1969:8-12) =====
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 +Como observa Heidegger, a filosofia levou dois mil anos para formular o Problema da identidade em sua forma totalmente desenvolvida como mediação e síntese. Com Leibniz e Kant preparando o caminho, os idealistas alemães Fichte, Hegel e Schelling colocam a identidade no centro de seu pensamento, com base na reflexão transcendental. Esses pensadores não se preocupam com a simples unidade de uma coisa consigo mesma, mas com as sínteses mediadas do sujeito e do objeto, da subjetividade e da objetividade como tais. Se colocarmos a afirmação de Parmênides “O pensamento e o ser são a mesma coisa” no contexto do idealismo alemão, obteremos uma afirmação mais ou menos assim: O ser é pensamento, ou seja, todo “ser” é, em última instância, pensamento, a ideia absoluta (Hegel), e está destinado a se tornar pensamento. Qualquer ser que possa existir fora do pensamento simplesmente ainda não é pensado, ainda não foi mediado na atividade sintetizadora absoluta da Ideia. A afirmação mais simples disso pode ser encontrada no Prefácio à Filosofia do Direito, de Hegel: “O real é o racional e o racional é o real”. O princípio da identidade A = A é reformulado por Fichte como 1 = 1 e pela Filosofia da Identidade, de Schelling, como a identidade, mais precisamente como a indiferença entre sujeito e objeto. Talvez seja Schelling quem, à sua maneira, e ainda basicamente, embora não totalmente dentro da estrutura do idealismo, se aproxima mais da dimensão do problema da identidade de Heidegger quando afirma, em Da Liberdade Humana, que deve haver um ser antes de toda base (fundamento) e antes de toda existência, antes de qualquer dualidade. Como esse ser precede todas as antíteses, ele não pode constituir sua identidade; ele só pode ser a indiferença absoluta de ambos. A indiferença não é um produto das antíteses, nem as antíteses (10) estão implicitamente contidas nela. É muito mais um ser único, separado de todas as antíteses. É o sem fundamento. Com sua ideia do sem fundamento, Schelling está mais próximo da dimensão do pensamento de Heidegger do que do idealismo alemão. No entanto, ele ainda chama esse sem fundamento de “um ser”.
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 +Como Heidegger trata o problema da identidade e em que dimensão esse problema se situa agora, se não mais dentro da estrutura da metafísica como o problema da unidade de uma coisa consigo mesma ou como a unidade transcendentalmente mediada da reflexão absoluta? Heidegger concebe o problema da identidade de uma forma tão fundamental que o que é “idêntico”, o Ser e o Homem, só pode ser pensado a partir da natureza da própria identidade. Ele começa sua exposição questionando o princípio da identidade como um princípio do pensamento. Ele conclui que o princípio da identidade pressupõe o significado da própria identidade. Um princípio do pensamento também deve ser um princípio do Ser (esse “também” é, obviamente, enganoso), o princípio: a todo ser como tal pertence a identidade, a unidade consigo mesmo. Essa é uma característica fundamental do Ser dos seres.
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 +Heidegger então questiona a afirmação de Parmênides de que o pensamento e o Ser são a mesma coisa, interpretando essa afirmação como significando: o Ser pertence — junto com o pensamento — ao Mesmo. A = A tornou-se A é (transitivamente) A, e o “é” agora assume o significado de pertencer juntos. Heidegger entende o “é” na identidade como a relação de pertencer juntos, e é esse novo significado de (11) identidade que lhe interessa nesta palestra. O que há de novo nessa compreensão da identidade como uma relação é que a relação determina primeiro a maneira de ser do que deve ser relacionado e o como dessa relação. Talvez seja difícil para nós pensar em uma relação como sendo mais original do que o que está relacionado, mas é isso que Heidegger exige de nós. Essa relação não é, então, uma relação no sentido comum do termo. Não sabemos e não podemos prever o que está relacionado. O homem não tem a essência estática do animal racional ou do sujeito que pensa seu objeto. Uma das percepções mais básicas de Heidegger é que não sabemos o que é o homem, mesmo que ele possa ser entendido como um “o quê”. Dizer que a compreensão do Ser é “subjetiva” porque o homem está envolvido nessa compreensão é simplesmente irrefletido. O homem é, na linguagem de Ser e Tempo, o Ser-aí (Da-Sein), o homem é o “aí” do Ser. Isso não tem nada a ver com subjetividade e nada a ver com o conceito de existência humana do “existencialismo”.
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 +Identidade é pertencer juntos. Se o elemento de juntos em pertencer juntos for enfatizado, temos o conceito metafísico de identidade que ordena o múltiplo em uma unidade mediada pela síntese. Essa unidade forma uma totalidade sistemática do mundo com Deus ou o Ser como fundamento, como causa primeira e como ser supremo. Mas se o elemento pertencer no pertencer juntos for enfatizado, temos o pensamento e o Ser mantidos separados e, ao mesmo tempo, mantidos juntos (não encaixados) no Mesmo. Para nos aproximarmos de uma compreensão do pertencer juntos do homem e do Ser, devemos abandonar o pensamento metafísico que pensa o Ser exclusivamente como a causa dos seres e pensa os seres principalmente como o que é causado. Mas não podemos abandonar a metafísica por meio de uma série de conclusões racionais. Devemos simplesmente saltar para fora dela. Assim, o princípio (Satz) da identidade torna-se um salto (Satz) para fora da metafísica. (1969, p. 8-12)
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