estudos:sloterdijk:crc-365-368-o-cinismo-da-medicina
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| + | ====== O CINISMO DA MEDICINA ====== | ||
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| + | ==== CRÍTICA DA RAZÃO CÍNICA ==== | ||
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| + | === O CINISMO MÉDICO === | ||
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| + | //Excerto de SLOTERDIJK, Peter. [Crítica da Razão Cínica. Tr. Casanova, Soethe, Rego, Cardozo & Hiendlmayer. Rio de Janeiro: Estação Liberdade, 2012, p. 365-368]// | ||
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| + | O kynismos da medicina começa no instante em que, ao ajudar, na condição de quem toma o partido da vida contra as obnubilações de doentes e poderosos, alguém coloca em ação de uma maneira frívola e realista o seu saber sobre o corpo e sobre a morte. Com frequência, | ||
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| + | Apesar da ciência, apesar da pesquisa, apesar da grande cirurgia, o médico continua se mostrando para o realismo popular atual apenas como um partidário suspeito da vida, e vê-se com uma frequência enorme o quão facilmente ele pode passar para o lado da doença. Há muito tempo uma característica da medicina aristocrática é o fato de ela se interessar mais pelas doenças do que pelos doentes. Ela está inclinada a se estabelecer de maneira autossuficiente em um universo composto por patologia e terapia. A forma de vida clínica da medicina retira dos médicos cada vez mais a orientação pelo homem saudável e destrói em suas consciências aqueles enraizamentos em um realismo afirmador da vida, que no fundo preferiria ao máximo não ter nada em comum com a medicina. [...] Antigamente se dizia que os melhores médicos eram com frequência aqueles que também gostariam de ter sido algo além de médicos: músicos, escritores, capitães, pastores, filósofos ou vagabundos. Compreendeu-se bem: quem sabe tudo sobre doenças ainda está necessariamente longe de entender a arte de curar alguém. A inclinação para “gostar de ajudar” é tão humana e agradável quanto desagradável e suspeita, quando a ajuda está relacionada a males que emergem das tendências civilizatórias de autodestruição. [...] Quanto mais doenças são evocadas pelas relações político-civilizatórias, | ||
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