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estudos:schuback:schuback-200620-23-dasein-e-temporalidade

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estudos:schuback:schuback-200620-23-dasein-e-temporalidade [16/01/2026 14:40] – created - external edit 127.0.0.1estudos:schuback:schuback-200620-23-dasein-e-temporalidade [26/01/2026 06:28] (current) mccastro
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-===== SCHUBACK (2006:20-23) – Dasein E temporalidade =====+===== Dasein E temporalidade (2006:20-23) =====
 Como acontecimento temporal e verbal, Dasein não corresponde a um acontecimento no tempo, mas à temporalidade do acontecer. Este é o sentido da temporalidade para Heidegger. Temporalidade não é um termo mais elaborado para insistir na sucessão das ekstases do tempo - passado, presente e futuro. Temporalidade, diz Heidegger, temporaliza-se como "porvir atualizante do vigor do ter-sido" . Distintamente dos acontecimentos no tempo, a temporalidade do acontecer fala em um tempo que é porvindouro, mas não (20) futuro, que é vigência mas não passado, que se faz presença para uma atualidade. Ao afirmar que "o porvir é o fenômeno primário da temporalidade originária e própria" , Heidegger não fala do futuro de um tempo que virá depois, mas de um tempo que está advindo, expondo-se na concretude do real como temporalidade de uma realização inteira. As dificuldades linguísticas que caracterizam a segunda parte de Ser e tempo devem-se a que o tempo não apenas se verbaliza, mas o tempo se verbaliza em se dessubstantivando. É preciso mostrar que o tempo se conjuga enquanto modo, enquanto um como e não enquanto um quando ou um quê. Grande parte das dificuldades linguísticas de Ser e tempo surgem da tentativa feita por Heidegger de exprimir a característica do sistema verbal grego, presente de forma mais intensa nas línguas eslavas e mesmo no português, que os gramáticos costumam designar de "aspecto", de "modo ou temporalidade interna da ação". Heidegger fala sobre isso de maneira sucinta no § 68 de Ser e tempo e também na Introdução à metafísica , ressaltando com clareza a necessidade de se distinguir o tempo cronológico da temporalidade intrínseca ou interna do verbo. Fundamental para se entender o que Heidegger chama de temporalidade é a distinção de base entre o sentido cronológico do tempo e a temporalidade interna da ação, a temporalidade dos aspectos. O caráter aspectual da verbalidade do tempo apresenta-se, como explica Schwyzer, um dos grandes teóricos da gramática grega, em formas que são indiferentes ao tempo cronológico . Exemplos disso são o uso do presente para exprimir o futuro, quando dizemos "eu venho", ou então quando dizemos "isso seria possível" para dizer "isso é possível", ou ainda o aoristo e o perfeito no grego, a chamada forma contínua no inglês, be reading, etc. Nessas várias formas, o que se exprime não é quando a ação se realiza e sim a dinâmica, o modo, o ritmo próprios da ação. A temporalidade do acontecer fala num presente muito singular, que nada tem a ver com o "agora" e sua atualidade. Ao usar o gerúndio, referindo-nos ao "andando", próprio ao andar, ao sendo, do ser, falamos num termo que independe da cronologia dos agora. (21) O que assim se descreve não é o "tempo", mas o acontecer do verbo, o como verbal, o ritmo do verbo. Como acontecimento temporal e verbal, Dasein não corresponde a um acontecimento no tempo, mas à temporalidade do acontecer. Este é o sentido da temporalidade para Heidegger. Temporalidade não é um termo mais elaborado para insistir na sucessão das ekstases do tempo - passado, presente e futuro. Temporalidade, diz Heidegger, temporaliza-se como "porvir atualizante do vigor do ter-sido" . Distintamente dos acontecimentos no tempo, a temporalidade do acontecer fala em um tempo que é porvindouro, mas não (20) futuro, que é vigência mas não passado, que se faz presença para uma atualidade. Ao afirmar que "o porvir é o fenômeno primário da temporalidade originária e própria" , Heidegger não fala do futuro de um tempo que virá depois, mas de um tempo que está advindo, expondo-se na concretude do real como temporalidade de uma realização inteira. As dificuldades linguísticas que caracterizam a segunda parte de Ser e tempo devem-se a que o tempo não apenas se verbaliza, mas o tempo se verbaliza em se dessubstantivando. É preciso mostrar que o tempo se conjuga enquanto modo, enquanto um como e não enquanto um quando ou um quê. Grande parte das dificuldades linguísticas de Ser e tempo surgem da tentativa feita por Heidegger de exprimir a característica do sistema verbal grego, presente de forma mais intensa nas línguas eslavas e mesmo no português, que os gramáticos costumam designar de "aspecto", de "modo ou temporalidade interna da ação". Heidegger fala sobre isso de maneira sucinta no § 68 de Ser e tempo e também na Introdução à metafísica , ressaltando com clareza a necessidade de se distinguir o tempo cronológico da temporalidade intrínseca ou interna do verbo. Fundamental para se entender o que Heidegger chama de temporalidade é a distinção de base entre o sentido cronológico do tempo e a temporalidade interna da ação, a temporalidade dos aspectos. O caráter aspectual da verbalidade do tempo apresenta-se, como explica Schwyzer, um dos grandes teóricos da gramática grega, em formas que são indiferentes ao tempo cronológico . Exemplos disso são o uso do presente para exprimir o futuro, quando dizemos "eu venho", ou então quando dizemos "isso seria possível" para dizer "isso é possível", ou ainda o aoristo e o perfeito no grego, a chamada forma contínua no inglês, be reading, etc. Nessas várias formas, o que se exprime não é quando a ação se realiza e sim a dinâmica, o modo, o ritmo próprios da ação. A temporalidade do acontecer fala num presente muito singular, que nada tem a ver com o "agora" e sua atualidade. Ao usar o gerúndio, referindo-nos ao "andando", próprio ao andar, ao sendo, do ser, falamos num termo que independe da cronologia dos agora. (21) O que assim se descreve não é o "tempo", mas o acontecer do verbo, o como verbal, o ritmo do verbo.
  
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