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| + | ====== Estórias ====== | ||
| + | //SCHAPP, Wilhelm; LÜBBE, Hermann. In Geschichten verstrickt: zum Sein von Mensch und Ding. 2. Aufl ed. Wiesbaden: Heymann, 1976.// | ||
| + | **CAPÍTULO 1** | ||
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| + | **Geschichten und was darin vorkommt — Der in Geschichte Verstrickte — Das Wozuding in der Geschichte — Das Wozuding in der Außenwelt (Histórias e o que nelas ocorre — O Envolvido em história — O Coisa-para (Wozuding) na história — O Coisa-para (Wozuding) no mundo exterior) ** | ||
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| + | 1. Os seres humanos encontram-se sempre envolvidos (verstrickt) em histórias (Geschichten), | ||
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| + | * As grandes obras da humanidade, de Homero a Dostoiévski, | ||
| + | * Também cada pessoa em particular, assim como os conhecidos e amigos, encontra-se sempre envolvida em histórias, as quais acompanham o dia a dia e o sono, e em todas essas histórias, sejam elas transmitidas ou vividas, há sempre um envolvido ou vários envolvidos que, como ponto central, mantêm a coesão da história. | ||
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| + | 2. Ao perguntar o que mais, além do envolvimento (Verstricken), | ||
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| + | * O envolvido parece comparecer com toda a sua alma, com suas paixões, pulsões, disposições de caráter, amor, ódio, tristeza, alegria, razão, entendimento, | ||
| + | * Além disso, comparecem nas histórias outras pessoas, amigos, inimigos e personagens secundários, | ||
| + | * Também os animais podem comparecer em histórias, ora concebidos de modo antropomórfico, | ||
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| + | 3. Nas histórias comparece, além disso, a chamada mundo exterior (Außenwelt), | ||
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| + | 4. Há um estreito caminho que estabelece uma conexão interna entre as histórias e o mundo exterior, e vê-se essa junção (Nahtstelle) nas formações denominadas coisas-para (Wozudinge), | ||
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| + | * Com coisa-para (Wozuding) têm-se em vista as coisas criadas pelo homem, como mesas, cadeiras, xícaras, casas, palácios, as obras humanas, e a conexão entre as coisas-para e as histórias não é difícil de reconhecer, na medida em que cada coisa-para tem, por assim dizer, uma história, uma vez que foi planejada por um homem individual para algum propósito, num contexto de sentido (Sinnzusammenhang), | ||
| + | * Mais difícil é esboçar a relação da coisa-para com o mundo exterior, pois se pensava que a coisa-para seria apenas uma coisa entre as coisas do mundo exterior, entre as coisas naturais ainda não tocadas por mão humana, e que constituiria uma parte ínfima, como matéria formada, não podendo, portanto, contribuir para a clarificação ou explicação do que seja propriamente o mundo exterior; contudo, a primeira seção do trabalho confronta-se com essa opinião, levantando a questão se o acesso ao chamado mundo exterior talvez só se dê por meio da criação de coisas-para, | ||
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| + | 5. Se as coisas-para (Wozudinge) medeiam tal conexão entre histórias e mundo exterior, então estaria demonstrado o primado das histórias sobre o mundo exterior, ou o mundo exterior e o espaço surgiriam primeiramente a partir das histórias e do contexto histórico em que as coisas-para aparecem, embora essa tese, no primeiro momento, possa causar estranheza e exigir uma fundamentação, | ||
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| + | **Über die Verständigung durch die Sprache — Das Erzählen und Verstehen (Sobre a compreensão mútua por meio da linguagem — O narrar e o compreender)** | ||
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| + | 6. Dois conhecidos, A e B, caminham juntos em silêncio, cada qual entregue a seus próprios pensamentos, | ||
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| + | 7. Tal compreensão mútua (Verständigung) só pode ter sucesso quando o que A comunica, o complexo de pensamentos de A, encontra de algum modo acolhida no mundo de pensamentos de B, quando estabelece uma relação com esse mundo, quando esse mundo já oferece, por assim dizer, lugar para o aparecimento do complexo que A quer transmitir, e por isso a fala é naturalmente orientada para estabelecer essa conexão, devendo ser dirigida de modo diferente conforme se fale com uma criança ou com um adulto, com um leigo ou com um especialista, | ||
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| + | 8. Pode-se talvez dizer que toda compreensão mútua depende de que se encontre tal conexão, ou, em outras palavras, de que no ouvinte já esteja presente um horizonte (Horizont) no qual a fala se insira, ou, talvez melhor, no qual o complexo de pensamentos se insira, e quem fala, inclusive o próprio texto, encontra-se na mesma situação que qualquer um que tem algo a comunicar, dispondo para isso da rica língua do povo, com a ampliação do horizonte que se deve às ciências da linguagem, a língua de Lutero e Goethe, de modo que não poderia haver falta de expressões para o que se quer dizer. | ||
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| + | 9. A maior dificuldade para a tarefa reside talvez no constante confronto com a linguagem artificial (Kunstsprache) dos filósofos, fixada mais ou menos ao longo de dois milênios, e com as linguagens artificiais das ciências particulares, | ||
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| + | 10. Embora se possa folhear todo o léxico das expressões filosóficas sem estar disposto a adotar qualquer uma no sentido corrente, enquanto expressões como história (Geschichte) e coisa-para (Wozuding) dificilmente se encontram registradas, | ||
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| + | 11. Comparando-se esse mundo do leitor com um edifício, o leitor deve contar com a possibilidade de que seja necessário demolir esse edifício até os alicerces para se obter a conexão, mas nessa comparação mostra-se o quanto a tarefa é mais difícil do que a de um construtor, pois, enquanto este, após a demolição, | ||
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| + | 12. É preciso ver como lidar com esse emaranhado de ameaçadores mal-entendidos, | ||
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